Mundo

Quase dez anos depois do 11/9, Osama Bin Laden é eliminado

Terrorista mais procurado do mundo foi morto em ação americana; talibãs prometem vingança

Quase dez anos depois do 11/9, Osama Bin Laden é eliminado

O editor Edson Franco conta como a morte de Osama bin Laden foi recebida em Tel Aviv, Israel
 

 

comemoracao_site.jpg

Americanos comemoram a morte do homem que planejou os atentados de 11 de setembro

 

A morte de Bin Laden

Uma análise de DNA permitiu confirmar com "praticamente 100% de certeza" a morte de Osama Bin Laden, cujo corpo foi lançado ao mar nesta segunda-feira, após cerimônia a bordo de um porta-aviões americano, conforme anunciado por funcionários americanos de alto escalão. O líder da Al-Qaeda foi baleado na cabeça no final de uma operação dos Navy Seals, as forças especiais da Marinha americana, em sua mansão, localizada no Paquistão.

Um de seus filhos, maior de idade, uma mulher e dois homens que trabalhavam como mensageiros também foram mortos na operação, durante a qual o comando americano "não fez prisoneiros", confirmou o funcionário do Departamento americano de Defesa, que preferiu manter o anonimato. Os membros do comando conseguiram identificar "visualmente" Osama Bin Laden quando chegaram no local, declarou um alto responsável da inteligência americana, que também preferiu não divulgar o nome.

Durante o ataque, também foi ouvida a voz de uma mulher, supostamente uma das suas esposas, que o chamou pelo nome. A comparação de fotos do corpo do líder da Al-Qaeda com outras imagens mais antigas dele por um especialista da CIA também "permitiu determinar com 95% de certeza que se tratava efetivamente do corpo do Osama Bin Laden", disse ele.

"Hoje pela manhã, a CIA, junto com outros especialistas, fez uma primeira análise de DNA que mostrou praticamente 100% de ligação entre o código genético do corpo e o de outros membros da família Bin Laden", explicou. Durante o ataque, documentos, de natureza ainda não revelada, foram levados pelo comando junto com o corpo. Eles serão analisados por um grupo de agentes da CIA mobilizados para isso.

Em meio ao receio americano de que uma sepultura do chefe da Al-Qaeda possa se transformar num local de peregrinação, seu corpo foi lançado ao mar, disse mais cedo nesta segunda-feira à AFP outro funcionário dos Estados Unidos. Uma cerimônia fúnebre tinha acontecido momentos antes na ponte do porta-aviões americano Carl-Vinson, que navegava ao largo das costas paquistanesas e no qual o corpo tinha sido levado, afirmou um alto responsável do Departamento de Defesa.

A cerimônia foi realizada nesta segunda às 02h10 (horário de Brasília) e terminou cinco minutos depois. "O procedimento tradicional das cerimônias funerárias islâmicas foi respeitado", declarou ele. O corpo de Bin Laden foi lavado e colocado num lençol branco, com pesos. Um oficial leu um texto religioso, traduzido em árabe por um intérprete, ainda segundo este responsável. Logo em seguida, o corpo foi colocado sobre uma prancha, que foi virada para que pudesse deslizar para o fundo do oceano.

No Cairo, o religioso da mesquita de Al-Azhar, a mais alta instância do Islã sunita, informou que a religião era contra a imersão de corpos no mar. Um dos onze porta-aviões americanos se encontra permanentemente ao largo das costas do Paquistão para que seus aviões possam participar do conflito no Afeganistão.

Vingança

Os talibãs paquistaneses, aliados da Al-Qaeda, prometeram nesta segunda-feira vingar a morte de Osama Bin Laden por uma operação americana, e prometeram atacar objetivos americanos e do governo paquistanês.

"Não podemos confirmar o martírio de Osama Bin Laden, quando nossas próprias fontes confirmarem estaremos em condições de afirmar outra coisa", disse o porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), Ehsanullah Ehsan, em uma entrevista por telefone à AFP. "Se conheceu o martírio, vingaremos sua morte e lançaremos ataques contra os governos americano e paquistanês, assim como contra as forças de segurança, inimigos do islã", disse Ehsan.

O TTP prometeu lealdade à Al-Qaeda em 2007 e no mesmo ano declarou a jihad (guerra santa) no Paquistão, cujo governo foi acusado de apoiar os Estados Unidos na luta contra o terrorismo.

Comemoração

000_Was3900058.jpg
O presidente Barack Obama anuncia a morte de Bin Laden

Uma onda de alegria tomou conta da Times Square e do Marco Zero, em Nova York, assim como em todo o resto dos Estados Unidos depois do anúncio da morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden. Minutos depois de divulgada a noticia, milhares de nova-iorquinos começaram a festejar na Times Square, onde os telões exibiam a notícia confirmada pelo presidente Barack Obama.

"U-S-A, U-S-A, U-S-A!", gritavam as pessoas em coro, enquanto os painéis de noticias davam detalhes da operação militar americana que matou o terrorista mais procurado do planeta. "É um milagre", comentou Monica King, uma afro-americana de 22 anos que estava em Nova York quando ocorreram os atentados do 11/9. "Os ataques mudaram Nova York, mas, dez anos depois, tivemos a última palavra", afirmou ainda.

Gary Talafuse, de 32 anos, um turista do Texas, afirmou que os americanos sentiam um grande orgulho nacional nesta noite. "Pode ser que isso mude muito a estratégia da Al-Qaeda, mas depois de milhares de milhões de dólares investidos, é um grande perda para eles e compensa em parte nossos esforços", afirmou Talafuse.

000_Was3900528.jpg
Edições especiais dos principais jornais americanos já chegaram às bancas com a notícia

Um grupo de jovens que era ainda crianças quando a Al-Qaeda atacou os Estados Unidos também estava entusiasmado. "Estou muito contente", afirmou Matthew Maciejewski, de apenas 20 anos, contando que estava na escola quando aconteceu o 11/9.

Milhares de pessoas também se dirigiram ao Marco Zero, em Nova York, onde os ataques de 11 de setembro de 2001 destruíram as Torres Gêmeas do World Trade Center que se erguiam no local. O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, destacou esperar que a notícia da morte de Bin Laden traga um sentimento de conclusão e conforto às famílias vítimas do 11/9.

"A morte de Osama bin Laden não diminui o sofrimento que os nova-iorquinos experimentaram, mas é uma vitória muito importante para nossa nação", acrescentou. Para o chefe da polícia de Nova York, Raymond Kelly, a morte de Bin Laden é uma notícia importante para as famílias das quase 3.000 vítimas dos ataques.

As ruas em torno do Marco Zero foram tomadas por pessoas exibindo bandeiras americanas e cantando o hino nacional. "Dez anos depois e finalmente o pegamos", declarou o capitão Patrice McLead, chefe dos bombeiros, que tiveram uma participação fundamental no momento da tragédia.

Em Washington, também houve uma explosão de alegria diante da Casa Branca, no momento em que o presidente Barack Obama anunciou a morte de Osama Bin Laden. Gritando o nome dos Estados Unidos, alguns manifestantes exibiam bandeiras americanas num ato espontâneo diante da sede da presidência para comemorar a morte do chefe da al-Qaeda. "Nunca senti tamanha emoção", declarou John Kelley, estudante de 19 anos. "É algo que nós esperávamos há muito tempo".

A notícia também foi festejada em eventos esportivos. Os torcedores dos Filis da Filadélfia, equipe das Grandes Ligas do beisebol americano, começaram a gritar em coro "U-S-A, U-S-A" no estádio Citizens Bank Park ao inteirar-se da morte do terrorista. A comemoração também tomou conta da tribuna da equipe adversária, os Mets de Nova York.

Risco de terrorismo

000_Hkg4855688.jpg

Porém, a felicidade pela captura não pode dar lugar ao descuido. A Interpol pediu maiores medidas de segurança nesta segunda-feira, alertando que a morte de Osama bin Laden pode provocar uma intensificação dos ataques através do mundo.

O secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, recomendou vigilância extra da as autoridades para um aumento do risco de terrorismo por parte da al-Qaeda e seus associados como resultado da morte de Bin Laden.

Repercussão

000_Del474743.jpg
O relato da morte de Bin Laden nas páginas de jornais paquistaneses

Paquistão

O primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, qualificou de "grande triunfo contra o terrorismo" a operação que matou o líder da Al-Qaeda no país. "Somos contrários ao terrorismo, não deixaremos ninguém utilizar nosso território para atos terroristas contra qualquer outro país e, em consequência, considero que se trata de uma grande vitória", declarou Gilani. "Não conheço os detalhes da operação, mas é um êxito e apresento minhas felicitações por este êxito", completou o primeiro-ministro.

Afeganistão

O presidente afegão, Hamid Karzai, pediu aos insurgentes talibãs que aprendam as lições da morte  de Bin Laden e interrompam os combates. "Pedimos aos talibãs que tirem as conclusões do ocorrido ontem e interrompam os combates, cessem a destruição de seu país e as mortes dos irmãos muçulmanos e dos filhos deste país, com o objetivo de optar pela paz e a segurança", declarou o presidente Karzai à imprensa.

Irã

A morte de Osama Bin Laden deixa os "Estados Unidos e seus aliados sem desculpas para manter suas forças no Oriente Médio sob o pretexto de lutar contra o terrorismo", afirmou nesta segunda-feira o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã.
"O Irã espera que este acontecimento ajude a estabelecer a paz e a segurança na região", delcarou Ramin Mehmanparast. "Os Estados Unidos e seus aliados não têm mais desculpas para manter suas forças no Oriente Médio sob o pretexto de que está lutando contra o terrorismo", acrescentou.

Palestina

O chefe de Governo do movimento radical palestino Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, condenou nesta segunda-feira a operação americana que matou Osama Bin Laden no Paquistão.

"Condenamos o assassinato de qualquer mujahedin (combatente islâmico) e de qualquer indivíduo, muçulmano ou árabe. Pedimos a Deus que dê sua misericórdia", declarou Haniyeh à imprensa em Gaza. "Se esta notícia é verdade, pensamos que se trata da continuidade da política de opressão americana baseada no derramamento de sangue dos árabes e dos mululmanos", completou.