Serguei está na moda

Muita gente deveria conhecer melhor o senhor Sérgio Augusto Bustamante, 77 anos, morador da estrada oceânica, Itaúna, Saquarema, Rio de Janeiro


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Aqui no Brasil, temos uma expressão ótima, que a rigor não quer dizer muita coisa, mas que acaba dizendo tudo: “Figura”.

Sérgio Augusto Bustamante, decididamente, é uma figura. Somando nada menos do que 77 anos sobre seu corpinho delgado e extremamente lépido para a idade, Serguei é conhecido no mundo do underground, do rock e da praia desde os anos 50 e ultimamente, devidamente alçado à condição de figura nacional, começou a frequentar cenas mais destacadas. Por exemplo, o programa de Jô Soares, onde protagonizou várias entrevistas hilariantes sempre reprisadas nas coletâneas de melhores momentos do talk show. Para sua absoluta glória, o astro de Saquarema acaba de ganhar um programa exclusivo disponibilizado no site do canal de tevê por assinatura Multishow. Na atração, batizada de “Serguei Rock Show”, gravada na casa do figura, um misto de aposento, depósito de memorabilia e museu do rock, esse híbrido de lagartixa sexy, Mick Jagger e míssil anti-Bolsonaro dá conselhos sexuais a roqueiros machões mal resolvidos (destaque para a pérola “antes do sexo é importante ter uma ereção”), defende do apedrejamento musas improváveis como Maria Bethânia ou simplesmente conta histórias de sua longa e rodada vida, como a mais famosa delas, o caso de sexo, sexo e rock-n’-roll que viveu ao lado de Janis Joplin.

Mas muito antes dessa elogiável redescoberta do nosso protorrocker, oito anos atrás, quando o agora astro dos downloads ainda desfrutava de longas temporadas de flaina e ostracismo pelas dunas de Itaúna, o “repórter excepcional” da “Trip” Arthur Verissimo foi ao encontro de Serguei para uma reportagem épica em que nossa iguana tropicalizada posou para uma clássica foto de nu frontal, aplicou um selinho devidamente registrado em nosso enviado e abriu-se escancaradamente sobre tudo o que lhe foi perguntado. Junto com a foto que revela a forma atual do nosso Steven Tyler com ares de Didi Mocó, oferecemos aos leitores da coluna um pequeno, porém antológico, trecho dessa entrevista feita em 2002, no início da década passada: “O fotógrafo acelera o dedo na câmera e, como uma enguia no pântano, Serguei faz caras e bocas: com a sinuosidade viscosa das algas, balança, joga os pés para o alto e atira-se bruscamente na areia, libertando seu phallus da calça esfarrapada. As pessoas berram seu nome.
Ele responde ‘Rock-n’-roll!’, ‘Born to be wild!’ e expressões afins.

‘Meu templo já recebeu mais de seis mil visitantes: é o maior ponto turístico de Saquarema’, me sussurra. Na foto do painel na entrada do mausoléu, ele tasca um beijo frenético nos lábios de Janis Joplin nos anos 60. Entre as preciosidades da cripta, fotos, artigos de jornais, objetos pessoais e muitos presentes. O cara é uma celebridade: no livro de assinaturas, garranchos norte-americanos, jamaicanos, russos, croatas, japoneses. Instalados em seu jardim, pressiono o play e Serguei põe-se a mover seus lábios de consistência de maracujá de gaveta com a velocidade de uma Harley-Davidson cabritada.”


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Serguei, você é gay?
Serguei – A minha alma é de puta. Sou pansexual. Vivo com o espírito nu. Sempre gosto de estar pelado. Tive milhares de amantes. Minha virilidade é de um homem de 30 anos. Sem sexo, fico nervoso. Recentemente, numa tarde de verão, aconteceu um episódio fascinante: andava pelo mato quando vi um cajueiro lindíssimo. Encostei na arvore e comecei a fazer amor. Gozei enlouquecidamente. Minha vida é assim. Adoro beijar na boca.

E com drogas, você detona ou pega leve?
Serguei – Tenho personalidade forte. Por isso, as pes­soas pensam que sou muito louco. Na verdade, sou apenas um desvairado que nunca usou qualquer tipo de droga. Maconha é um negócio que estraga a garganta. E preciso estar com minha voz impecável. Cocaína é nojenta. Detesto vodca, gim e destilados. O que curto, às vezes, é uma cervejinha.

Como você conheceu Janis Joplin?
Serguei – Foi no festival do Parque em Long Island, EUA. Meu amigo Laudir de Oliveira, percussionista da banda Chicago, vinha pela estrada com uma cigana muito louca. Era ela. No dia seguinte ela foi ver o show da minha banda. Ficamos juntos e fizemos muito sexo. Fomos para a Califórnia e ela me apresentou para várias estrelas: Jim Morrison, Jimi Hendrix, Kris Kristofferson… Nosso caso de amor se transformou em lenda e terminou no Rio de Janeiro.

Quem transa seu cabelo?
Serguei – Seu danado… A artista chama-se Juju. O arranjo no cabelo é uma colagem, tipo interlace. Sou muito vaidoso. Da maquiagem, cuido pessoalmente. Sempre passo talquinho básico. E, diariamente, esparramo óleo no meu corpinho dionisíaco. 

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