Cultura

Sem tempero

As panteras detonando é aventura insossa

Houve certa hesitação, mas como os cifrões gritaram mais alto o diretor americano McG (Joseph McGinty Nichol) e as atrizes Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore resolveram ignorar suas diferenças, pudores e o ator Bill Murray para colocar nas telas o segundo remake cinematográfico de As panteras, o seriado fetiche dos anos 1970. As panteras detonando (Charlie’s angels: full-throttle, Estados Unidos, 2003), em cartaz nacional, surge três anos após o primeiro episódio, trazendo as mesmas besteiras de sempre. Agora,
as agentes estão às voltas com dois anéis que escondem os dados
de identificação do Programa Federal de Proteção à Testemunha dos Estados Unidos. Continuam a seguir as ordens do mentor Charles Townsend (cuja voz pertence ao ator John Forsythe), mas o contato John Bosley – antes interpretado por Murray, que teve brigas
homéricas com Lucy Liu no primeiro filme – foi substituído por
seu irmão Jimmy (Bernie Mac).

Outra novidade são as dicas sobre o passado das panteras. Um tempero extra, no entanto, acrescenta sabor para a platéia feminina brasileira. Ele é Rodrigo Santoro, que aparece logo no início do filme, todo saudável, peito nu. Mas entra mudo e sai calado. Sua única fala foi cortada. O filme ainda conta com participações especiais, entre elas Demi Moore no papel de Madison Lee, uma pantera que se tornou do mal, Bruce Willis e a pantera original Kelly Garrett (Jaclyn Smith). Há também citações cinematográficas que vão de Matrix e suas lutas em câmera lenta à A outra face – as pistolas douradas de Madison, por exemplo, são idênticas às do personagem de Nicolas Cage no filme de John Woo. E quem é ligado em carrões vai babar com o desfile de máquinas de grandes marcas. Todos eles, a exemplo de Demi Moore, mostram-se bem mais em forma do que esta produção insossa.