Cultura

Divã em movimento

Passado todo dentro de um carro, Dez, de Abbas Kiarostami, faz psicanálise da mulher iraniana

Um carro, uma pequena câmera digital e seis atores não-profissionais. Foi com estes recursos mínimos que o diretor iraniano Abbas Kiarostami, autor de Através das oliveiras e Gosto de cereja, realizou Dez (Ten, França/Irã, 2002), mais uma de suas obras extraordinárias, que estréia em São Paulo na sexta-feira 18. Passado inteiramente dentro de um carro em movimento pelas ruas de Teerã, o filme mostra através de imagens precárias dez conversas entre a motorista, mulher recém-divorciada vivida por Mania Akbari, e as pessoas que a acompanham no banco da frente. A primeira delas é o seu filho Amin (Amin Maher), que, por exatos 20 minutos com a câmera parada em seu rosto, briga com a mãe por ela ter se separado do pai e estar vivendo com outro homem. Um jeito explícito de Kiarostami falar da intolerância dos valores patriarcais.

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A primeira idéia de Kiarostami era filmar um psicanalista e seu paciente. O formato de Dez usa tal mecanismo, porém vai mais longe. Por efeito cumulativo, ao mostrar a motorista na maior parte do tempo em posição de escuta, ele pinta um retrato em processo da pessoa, ainda que sempre enquadrada de óculos escuros e com o rosto coberto por um véu. Sem falar do corte em profundidade na situação da mulher no Irã, ao selecionar uma galeria de tipos que vai da companheira abnegada à guardiã das tradições, passando pela negação de todos estes valores encarnada na figura de uma prostituta. Mais admirável ainda é perceber que a câmera só assume dois ângulos, o da motorista e o do passageiro, e que eles não se alternam mecanicamente como de hábito.

Sabe-se que, em busca de um desaparecimento da direção, Kiarostami ensaiou exaustivamente as cenas e, na hora de gravar, simplesmente deixou os atores sozinhos no carro em movimento, com a câmara ligada. Registrou, assim, erros e improvisos. Perguntado sobre o que fez como diretor, respondeu: “Nada, mas, se eu não existisse, o filme também não existiria.” Nota dez.
 

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