Comportamento

A Ibiza brasileira

Um projeto de longo prazo e investimento em marketing tornam a praia de Jurerê Internacional sinônimo de luxo e badalação

A Ibiza brasileira

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O nome é indígena e significa “rio que corta”. Para deixar bem claro a qual público se dirige, a praia ganhou um sobrenome: Internacional. Seus frequentadores gostam de lhe arranjar apelidos como a “Ibiza brasileira”, a “St. Tropez brasileira” ou, ainda, Miami. Todas as comparações são válidas. Jurerê Internacional é, afinal, o point dos endinheirados do Brasil. Esqueça a cervejinha. À beira-mar, bebe-se champagnhe. Lanchas portentosas deslizam pelo mar e carros de luxo desfilam pelas poucas avenidas da praia ao norte de Florianópolis. Ferraris e Lamborghinis são citadas com orgulho pelos habitués como algumas das principais atrações locais. O mar exuberante fica em segundo plano. Há quem nem pise na areia e prefira os restaurantes, onde uma consumação mínima pode chegar a R$ 3 mil.

No final da tarde, os “sunsets” nos “beach points” pegam fogo – em uma praia internacional, o vocabulário tem que estar de acordo. As baladas de fim de tarde que se estendem até meia-noite são o palco perfeito para quem quer ver, ser visto e torrar muito dinheiro. Depois dos “sunsets” nos points mais badalados, ainda tem os “afters”, festas particulares nas casas dos endinheirados. E nada como fazer boas amizades ao pôr do sol para garantir o depois. “Balada com beleza natural é outra coisa”, diz a estudante de comunicação Kamilla Tozini, 26 anos, frequentadora do Cafe de La Musique. Na franquia do famoso bar de São Paulo, a movimentação de empresários, famosos e mulheres deslumbrantes é intensa.
Num mesmo fim de semana, se cruzaram por lá o magnata americano Joshua Fink, CEO da BlackRock, fundo de investimentos que controla mais de 12 trilhões de dólares, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o galã de novela Kayke Brito. A ala feminina se divide entre modelos magérrimas e moças com aparência saudável e corpo minuciosamente trabalhado. Todas fazem sucesso. Não estranhe se você vir saltos muito altos e paetês roçando a areia. Faz parte do “dress code” local. O dourado das roupas, joias e hastes dos óculos se harmoniza perfeitamente com as borbulhas dos champanhes que não param de chegar às mesas.
 

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Mas, afinal, o que fez de Jurerê Internacional, uma praia tão bonita quanto tantas outras de Santa Catarina, um dos pontos mais badalados do Brasil? O mesmo que faz uma empresa quando lança um produto: um projeto de longo prazo, altos investimentos e muito marketing. Quando comprou os 1,2 mil hectares com direito a dois quilômetros de frente para a praia ainda nos anos 70, o gaúcho Péricles Druck tinha um plano em mente. A ideia, conforme conta Andréa, filha de Druck e atual diretora do grupo Habitasul, já era criar um balneário de luxo. Aqui vale um parêntese: Jurerê é o nome da praia toda. A porção Internacional se refere apenas ao trecho que pertence à família. Os terrenos começaram a ser vendidos nos anos 80 sob o anúncio “Prepare seu passaporte”. “Hoje esse slogan jamais colaria, mas, naquela época, era justamente para dar esse ar de lugar com padrões europeus”, conta Andréa.

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INVESTIMENTO
Andréa Druck, filha do criador de Jurerê Internacional 
 

Tudo foi meticulosamente arquitetado para que Jurerê Internacional não se tornasse mais um balneário com prédios imensos à beira-mar cobrindo o sol e avenidas coalhadas de carros cuspindo poluição na areia. “Queríamos que fosse um reduto de sossego e com uma praia sempre limpa, o que fazemos questão de manter”, diz. Mesmo porque, como se trata de uma região de manguezal, todo cuidado com as construções é pouco. Até o Il Campanário, hotel de luxo que ficou pronto no ano passado, já estava dentro do projeto da família Druck desde os anos 80. É nele que se hospedam algumas das celebridades que frequentam o local. As diárias variam de R$ 800 a R$ 1,2 mil. Os apartamentos podem ser comprados como flats. Os mais discretos preferem alugar casas. Quem não investiu ali nas décadas passadas está mergulhado em arrependimento – a valorização imobiliária nos últimos dez anos foi de 1.035%.

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Chris Pike, americano que acaba de
descobrir as delícias do balneário

O segundo elemento que faz da praia a Ibiza brasileira foi o investimento dos empresários nos restaurantes e “beach points”. Leandro Adegas, ex-modelo, abriu o Taikô em 2001, época em que o local já era um reduto de classe alta-alta-alta, com um clima mais familiar. Cansado de viver em São Paulo, o gaúcho se mudou para Floripa e enxergou o potencial da região. “Apostei que durante as temporadas filhos e netos dos moradores ou donos das casas de veraneio viriam para cá. Tinha muito espaço para baladas”, conta. Quando rodava o mundo como modelo, ele chegou a trabalhar como garçom em algumas praias badaladas e viu que a combinação maresia, DJs e gente bonita era uma tendência. “Queria esse conceito de clima festivo, cheio de energia, gente subindo na mesa e cantando.” Hoje, o Taikô é um dos principais points da região. Ajudou também o fato de algumas amigas modelos de Leandro, como Gisele Bündchen e Alessandra Ambrósio, terem ido prestigiá-lo.

A movimentação intensa de celebridades e de dinheiro começou para valer há quatro anos, quando o Cafe de La Musique também se instalou em Jurerê. Segundo o empresário paulista Léo Ribeiro, um dos sócios, foram dois anos de trabalho só para construir a marca. Valeu a pena. No Ano-Novo, as pessoas se dispunham a pagar até R$ 5 mil para entrar na casa, o ponto que mais vende Veuve Clicquot, o refinado champagne francês, no Brasil. Para chegar nesse estágio, os seis sócios investiram pesado na divulgação e no convite de clientes que Ribeiro considera “as pessoas certas” ou “quem realmente importa”. Traduzindo: ali não basta ter dinheiro, é preciso exercer alguma influência. Isso feito, o boca a boca e a exposição na mídia fizeram o restante.

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FARO
Leandro Adegas vislumbrou o potencial
da região há nove anos.

E os estrangeiros também estão começando a aportar na ilha. Não os argentinos, velhos frequentadores. Mas europeus e americanos, que, segundo Ribeiro, já representam 30% de sua clientela. Chris Pike, dono de oito boates e restaurantes em Los Angeles, gostou do que viu no badalado balneário e, seduzido, cogita até fazer negócios no Brasil. Para ele, a praia é mesmo digna dos apelidos que recebe. “A energia daqui é incrível”, afirma o americano, em meio aos amigos brasileiros, dançando ao som de um DJ português, durante mais um “sunset” regado à bebida francesa. Trinta anos depois, Jurerê começa a fazer jus ao seu sobrenome “internacional”.

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Kamilla Tozini é frequentadora assídua

 

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