Comportamento

Os negros europeus

A migração da África e a menor incidência de luz solar no Hemisfério Norte explicam a combinação de pele escura e olhos claros de um britânico de 10 mil anos

Crédito: Divulgação

DESCOBERTA O fóssil foi encontrado em 1903: tecnologia possibilitou uma recriação fiel a partir do esqueleto (Crédito: Divulgação)


Um esqueleto humano encontrado em Cheddar, no Reino Unido, guiou os paleontólogos a uma descoberta surpreendente: a pele do homem europeu nem sempre foi branca. O fóssil tem cerca de 10 mil anos de idade e, de acordo com análises genéticas, tinha a pele negra e olhos azuis. A migração da África em direção ao Norte é apontada como influência direta para o fenótipo que contraria a imagem característica do homem britânico de pele branca.

A reprodução do ‘Homem Cheddar’ foi exposta no Museu de Ciências Naturais de Londres. Projetada com o auxílio de scanners de última geração, faz sucesso por conta do realismo. O ser humano sempre precisou se adaptar para sobreviver. A busca por melhores condições de vida, como regiões próprias para a agricultura, para a caça e com temperaturas agradáveis, fez com que um povo levasse seus traços típicos para outras partes do planeta. “Não existe verdade absoluta na história. Somos resultado de inúmeras transformações ao longo dos anos”, afirma Diego Amaro, coordenador do curso de História da Unisal, de Lorena.

“A menor incidência de luz solar na Europa foi o principal fator para o branqueamento da pele” Tábita Hünemeier, professora da USP (Crédito:Justin TALLIS / AFP)

Historicamente, a África possui as temperaturas mais elevadas do mundo. O continente está próximo da linha do Equador e possui mais incidência de raios de sol do que em outras regiões. A pele com mais melanina garantia a sobrevivência dos povos negros. Porém, ao migrarem para a Europa, a genética sofreu mudanças. “A menor incidência de luz no continente europeu é o principal fator para o branqueamento da pele dos povos que vieram da África”, conta Tábita Hünemeier, professora de Genética e Biologia Evolutiva na USP.

De acordo com Diego Amaro, o impacto da miscigenação ‘moderna’ ao redor do mundo, iniciada há mais de 500 anos, já é analisado nos dias de hoje. “Somos frutos de mudanças e as próximas gerações podem ser diferentes da nossa, geneticamente”, aponta. Não há como afirmar, atualmente, a característica exata de um povo baseado nas condições climáticas e culturais e tampouco se basear em um ‘padrão’, pois os fenótipos foram modificados por conta das novas conexões geográficas. “A miscigenação fez mudanças e continuará conectando culturas”, afirma Tábita Hünemeier.

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