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O casal do barulho

O senador Romero Jucá apóia a indicação da ex-mulher para o Ministério das Cidades, de onde ela teria desviado dinheiro, segundo a PF

O casal do barulho

JOGO DURO Antes de ser nomeada, Teresa ameaçou Jucá: "Se eu fosse prefeita, você estaria comigo. Não tenho mais nada a perder" (ROBERTO CASTRO)

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Mesmo com o casamento desfeito, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, e a secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Teresa Jucá, estão sempre juntos. Na política, eles se ajudam financeiramente. E no Supremo Tribunal Federal, estão indiciados por compra de votos. Há seis meses, o senador pelo PMDB de Roraima indicou a ex-mulher para o Ministério das Cidades. No último 13 de junho, a nomeação dela foi assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mas o ato pode trazer dor de cabeça para o governo Lula: Teresa é investigada pela Polícia Federal por suspeita de desviar recursos repassados por 15 ministérios e órgãos federais para a Prefeitura de Boa Vista, que ela comandou por três mandatos. Mais grave: ISTOÉ apurou que Teresa também é investigada por desviar dinheiro do Ministério das Cidades, do qual agora é funcionária. "O governo cometeu um erro gravíssimo ao nomear a Teresa", diz o senador Mozarildo Cavalcanti, do PTB de Roraima. "A nomeação é um absurdo e um desrespeito à ética."

A Polícia Federal decidiu instaurar 15 inquéritos para investigar Teresa porque cada ministério ou órgão públi- M B R A S I L co corresponde a uma apuração diferente. Teresa governou Boa Vista pela última vez entre 2001 e 2006. Há "fortes indícios de fraudes", segundo a PF, em licitações de obras com dinheiro dos ministérios das Cidades, Defesa, Saúde, Planejamento e Integração Nacional. Os valores já pagos nos convênios variam entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões para cada obra. Somente com o Ministério das Cidades, a Prefeitura de Boa Vista tem 40 convênios, no valor de R$ 68 milhões. A lista de obras com dinheiro federal, investigadas pela PF, inclui a construção de vila olímpica, execução de terraplenagem, pavimentação de ruas, aterro sanitário e construção de orla. A PF aguarda resultados de perícias contábeis e de engenharia para colher depoimento de Teresa. Na página da Justiça Federal, há registro de inquérito em que a ex-prefeita é investigada também por "crimes de responsabilidade, moeda falsa e crimes contra a fé pública". Procurada por ISTOÉ, Teresa não quis dar entrevista.

O senador Romero Jucá defende a exmulher: "A indicação da Teresa é do PMDB, baseada em critérios técnicos", diz ele. "O que há são denúncias de vereadores feitas à Polícia Federal. Até hoje ela não foi citada e não pediram nenhum esclarecimento." Jucá, 53 anos, se reaproximou de Teresa em 2006, quando ele concorreu ao governo de Roraima e ela ao Senado. Os dois haviam se separado no início do governo Lula e Romero se casou com uma funcionária pública. Teresa, 51 anos, começou a namorar o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), mas continuou fiel às campanhas políticas do ex-marido. Em 2006, Teresa declarou à Justiça Eleitoral que seu patrimônio era de R$ 140 mil em dinheiro. No mesmo período, Romero Jucá declarou ter recebido R$ 390 mil em doações da própria Teresa. Ela gastou R$ 5,5 milhões na campanha derrotada para o Senado, mais do que o dobro do ex-marido na campanha também frustrada para governador, R$ 2,5 milhões.

NO STF, O CASAL JUCÁ ESTÁ INDICIADO POR "CAPTAÇÃO ILÍCITA DE VOTOS OU CORRUPÇÃO ELEITORAL" NA CAMPANHA DE 2002


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Antes de ser nomeada para o Ministério das Cidades, Teresa enviou em dezembro uma mensagem ameaçadora para o celular de Jucá, divulgada pela Folha de S. Paulo: "Você tirou meus sonhos, me traiu da pior forma que uma mulher pode ser traída, me usou, pois se eu fosse prefeita você estaria comigo. Tirou meu trabalho, tirou até meu nome. Eu não tenho mais nada, nada a perder." O antigo casal tem, sim, muito o que perder. Em maio de 2005, o TJ de Roraima decretou a indisponibilidade dos bens de Teresa, em ação civil pública na qual é acusada de pagar R$ 4,9 milhões por serviços de coleta de lixo que não foram realizados. O bloqueio foi suspenso por conflito de competência judicial, já que os desembargadores entenderam que o caso tinha que tramitar na Justiça Federal. Em 2006, o Ministério Público acusou Teresa de contratar empresas sem licitação para superfaturar preços e de pagar obras e serviços não realizados com verbas do governo federal.

O senador esteve do lado de todos os governantes de plantão nas últimas décadas. Ele foi governador nomeado de Roraima (1988-1991) durante os governos Sarney e Collor. Antes disso, como presidente da Funai (1986-1988), foi acusado de receber 50% de propina para autorizar a comercialização de madeira em terra indígena. Na Presidência de Fernando Henrique Cardoso, Jucá foi líder do governo no Senado, cargo que voltou a ocupar com Lula. Em 2005, foi ministro da Previdência, mas teve que renunciar depois de ter sido acusado de fazer uso de sete "fazendas fantasmas" como garantia de empréstimo no Banco da Amazônia.

No STF, Teresa e Romero Jucá estão indiciados por "captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral". O caso está sob a relatoria do ministro Celso de Mello, que deu mais prazo para a PF fazer diligências e ouvir o casal. Testemunhas denunciaram a compra de votos no Estado em 2002, na campanha de Otomar Pinto ao governo e de Romero ao Senado. Segundo elas, cada eleitor recebia R$ 50 pela manhã e a promessa do mesmo valor à tarde, quando a votação estivesse finalizada. As testemunhas entregaram documentos que comprovariam a existência do esquema.

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