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Esperança para a tireóide

Estudo revela que o mineral selênio pode retardar e até evitar a tireoidite crônica, doença comum depois da gravidez


As doenças da tireóide estão aumentando. Duas em cada dez mulheres já passaram por exames para avaliar o ritmo de trabalho da glândula ou examinar nódulos. E pelo menos uma delas se descobrirá portadora de tireoidite crônica, uma das alterações mais comuns. A doença ataca homens e mulheres, mas costuma se manifestar com mais freqüência durante e depois da gravidez, como mostrou um estudo da endocrinologista Maria Fernanda Barca, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Nestas situações, por motivos ainda desconhecidos, o sistema de defesa do organismo é levado a fabricar anticorpos para combater a própria glândula, como se ela fosse um órgão estranho. Atacada, ela se inflama e há uma queda na produção de hormônios. É o que os especialistas chamam de tireoidite pós-parto, e que pode se tornar permanente em metade dos casos. Alguns dos seus principais sintomas são o cansaço, aumento do colesterol, depressão e alterações da pressão arterial.

O mais recente avanço nesse campo foi divulgado há um mês por um grupo de cientistas liderado pelo italiano Roberto Negro, durante o congresso da Sociedade Americana de Endocrinologia, em São Francisco, nos Estados Unidos. Negro provou que pequenas doses de selênio (200 microgramas), um potente antioxidante, podem retardar e até evitar a doença em algumas mulheres. Das 2.143 gestantes que participaram do trabalho, 169 manifestaram sinais de que o organismo já tinha começado a fabricar os anticorpos contra a glândula. Desse grupo, uma parte recebeu doses do mineral e outra não. De acordo com o estudo, o uso do mineral durante 12 meses foi suficiente para diminuir em três vezes as chances de conviver com a doença depois do nascimento do bebê. "O efeito se deve à capacidade do selênio de proteger a glândula da oxidação causada, em parte, pelo processo inflamatório", disse Negro à ISTOÉ. Cauteloso, ele afirma que o resultado da pesquisa não se aplica a todos os casos. "Mais estudos são necessários", diz.

As conclusões do estudo abrem uma nova perspectiva de prevenção, segundo a endocrinologista Fernanda Barca, da USP. "Os bons resultados obtidos com selênio são a primeira boa notícia sobre tireoidite depois de mais de dez anos sem avanços", diz a especialista. Uma das pacientes que em breve começará a tomar doses do mineral junto com a reposição de hormônios tireoidianos é a administradora Amanda Freire, 25 anos, de São Paulo. Ela descobriu que tinha problemas de tireóide porque não conseguia emagrecer e se sentia irritada. "Seguia a dieta, mas não conseguia perder quatro quilos. Foi então que meu namorado me sugeriu ir ao médico", diz Amanda, que faz reposição hormonal com comprimidos há um ano.

A possibilidade de usar selênio é uma gota de esperança em uma área que carece de recursos para controlar as formas mais resistentes da doença. Em alguns casos, ela evolui apesar do tratamento. Foi o que aconteceu com a enfermeira Cláudia Tomasso, que começou a sentir tonturas e taquicardia após o nascimento do segundo filho. Cinco anos depois, as manifestações eram ainda mais intensas e foram detectados nódulos. "A médica me explicou que a tireoidite é um fator de risco para quem tem nódulos. A doença aumenta o risco de eles se transformarem em câncer, o que ocorreu comigo. Por isso, fiz a cirurgia que remove a tireóide", conta.

A medicina tem estudado as razões da elevação do número de casos de tireoidite crônica. Uma das explicações, para alguns especialistas, é a realização de mais exames. "Além dos endocrinologistas, os clínicos gerais e médicos como eu incluíram exames de tireóide na rotina das pacientes", diz Tânia Santana, coordenadora do Ambulatório de Sexualidade do Hospital Brigadeiro, em São Paulo. A medida é aplaudida pelo endocrinologista Geraldo Medeiros, consultor do Ministério da Saúde e autoridade no assunto. "No Japão, os exames de tireóide já são obrigatórios durante a gravidez. Aqui deveriam ser também", diz ele.

Porém ainda existem muitas lacunas a serem preenchidas sobre as doenças da tireóide. Em São Paulo, por exemplo, desde março uma comissão formada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, empresas e universidades investiga a assustadora incidência de casos de tireoidite entre os moradores do pólo petroquímico do ABC paulista. O alerta foi dado por uma médica da região e confirmado por análises do Instituto Adolfo Lutz. Os testes feitos pelo laboratório público indicaram 78% mais casos no pólo do que em Diadema, uma cidade com características industriais idênticas, mas sem a presença de petroquímicas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, ainda não há dados conclusivos.

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