Cultura

A hora das cantrizes

Elas cantam, dançam e atuam, e sem elas não teríamos hoje os grandes musicais

A hora das cantrizes

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AFINAÇÃO
Kiara Sasso no camarim e em cena em
“O Médico e o Monstro”. Em novembro
ela estará no esperado “Mamma Mia!”

A moda dos musicais deu origem a um tipo especial de artista: as cantrizes, ou seja, atrizes que interpretam, cantam e dançam. Elas praticamente só atuam nesse formato de espetáculo, nos quais revelam múltiplos talentos. Também há, é claro, atores afinados que são muito requisitados. Mas, curiosamente, a maioria desses elencos é composta por mulheres. “São profissionais que sabem juntar atuação, canto e dança e, às vezes, até fazem acrobacias ou tocam instrumentos”, diz Floriano Nogueira, diretor de “Cats”, que estreia no Rio de Janeiro no dia 16. Uma característica comum às cantrizes é não serem tão conhecidas do grande público, uma vez que não costumam aparecer na tevê. Assim, boa parte da nova geração de estrelas do gênero não é tão famosa, por exemplo, quanto as veteranas Marília Pêra e Cláudia Raia. Quem tem acompanhado a recente safra de musicais, no entanto, certamente já ouviu falar em Sabrina Korgut, Ada Chaseliov, Sara Sarres e Kiara Sasso, entre outras. “Um enorme campo de trabalho se abriu para jovens talentosas”, ratifica a número 1, Marília Pêra.

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PRECOCE
Sabrina Korgut foi descoberta aos
8 anos. Hoje brilha em “Fascinante Gershwin”

Em comum, as cantrizes têm uma formação artística mais diversificada. “Antes era preciso garimpar bons professores. Hoje temos escolas especializadas que formam o ator por completo”, diz a brasiliense Sara Sarres, de “Cats”. A formação, muitas vezes, começa ainda na infância. A carioca Sabrina Korgut é um desses casos precoces: começou a fazer aulas de dança aos 8 anos. Foi notada por um produtor e passou a trabalhar em produções infantis. “Era uma época diferente, ainda não havia nenhuma referência ao modelo dos grandes musicais”, lembra a atriz, em cartaz no Rio com “Fascinante Gershwin”, que tem como supervisora justamente Marília Pêra. Sabrina se alinha na lista de atrizes-cantoras bastante requisitada pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, com quem fez sete espetáculos. “Existe um grupo de artistas que se especializou e é capaz de representar papéis em obras complexas como ‘West Side Story’ e ‘Gypsy’, que exigem bastante apuro técnico”, diz Botelho.

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FELINA
Sara Sarres está em cartaz com “Cats”. Segundo ela, uma cantriz precisa ter formação
completa e hoje existem escolas especializadas em musicais

Outra das eleitas no momento é a “cantriz” carioca Ada Chaseliov – fez oito espetáculos e atualmente encarna a stripper decadente de “Gypsy”, em cartaz em São Paulo. Ela aponta as vantagens de se dedicar a um único nicho: “Muitos diretores querem enveredar por esse campo. Ficou longe o rótulo de ‘teatro menor’ para o musical.” O trabalho em tevê fica em segundo plano. Desde que começou a emendar um musical no outro, Ada só foi vista em duas novelas e uma minissérie na Rede Globo. “Ser atriz de musical exige total dedicação, te obriga a cuidar da voz e do corpo constantemente, e não só nos dias de espetáculo”, diz ela. Viver apenas de canto, porém, não é fácil. “Muitos conseguem, mas é uma carreira ingrata, que não traz garantias”, afirma Kiara Sasso, que ultrapassou 15 trabalhos e está em cartaz em São Paulo com “O Médico e o Monstro”. Em novembro ela estreia “Mamma Mia!” Receita para o sucesso? Estar em constante evolução profissional: “Faço aula de canto até hoje. Estou sempre buscando aperfeiçoar minha arte.”