Brasil

Número de filhos por família volta a aumentar

Após sete anos em queda, taxa de fecundidade cresce no País

Número de filhos por família volta a aumentar

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A pós sete anos em queda, o índice de fecundidade das famílias brasileiras, que mede a proporção de filhos por família, voltou a crescer no ano passado. É o que revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009 divulgada nesta quarta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, o índice de fecundidade subiu de 1,89 filho por família para 1,94, de 2008 para 2009. Em série histórica fornecida pelo instituto, é possível perceber que a média de filhos por família foi de 2,33 em 2001, tendo recuado sucessivamente nos anos seguintes até atingir 1,95 filho em 2007.

Bem casados?

O total de pessoas casadas supera o de solteiras entre a população brasileira com idade igual ou superior a 15 anos. De acordo com a PNAD, em um universo estimado de 145,3 milhões de habitantes, 45,8% do total, ou 66,6 milhões, eram casados, e 42,8% do total, ou 62,2 milhões de pessoas, eram solteiras. O levantamento também apurou que os viúvos têm participação de 5,9% do total, seguidos por divorciados, com fatia de 5,4%.

É a primeira vez que a pesquisa investiga este aspecto das famílias. O instituto encontrou uma quantidade maior de homens casados do que mulheres casadas. Do total de população masculina, 47,6% eram casados. Entre as mulheres, 44,2% são casadas. Isso ocorre porque não é igual o número de homens e de mulheres pesquisados dentro da amostra para realizar o levantamento. Já os solteiros representam 46% do total de homens, e 40% do total das mulheres.

Mais velhos

A PNAD também revelou a continuidade da tendência de envelhecimento da população brasileira. Numa população estimada em 191,8 milhões de pessoas, na faixa etária de 0 a 24 anos houve redução de 642 mil pessoas de 2008 para 2009 – de 25 a 59 anos, o aumento no contingente foi de 1,8 milhão de pessoas. Já na população de 60 anos de idade ou mais, o acréscimo de pessoas foi de 697 mil.

Realizada anualmente, a PNAD abrange temas de habitação, rendimento e trabalho, além de aspectos demográficos e educacionais. Iniciada em 1967, apenas para o Rio de Janeiro, atualmente tem caráter nacional, elaborada a partir de uma amostra de domicílios. Para a PNAD de 2009, foram pesquisadas 399.387 pessoas e 153.837 unidades domiciliares em todo o País.

Analfabetismo

A taxa de analfabetismo do Brasil entre pessoas de 15 anos ou mais de idade caiu de 10% para 9,7% entre 2008 e 2009, a quinta queda consecutiva, revela a PNAD. No entanto, mesmo com a queda, este porcentual ainda representa um volume grande em números absolutos, somando 14,1 milhões de analfabetos no País em 2009, a maioria concentrada entre homens, maiores de 25 anos e localizados na Região Nordeste.

O IBGE também apurou uma discrepância entre analfabetos homens e mulheres: em 2009, a taxa de analfabetismo entre homens de 15 anos ou mais de idade foi de 9,8% e a das mulheres, para a mesma faixa etária, foi menor, de 9,6%. Ainda segundo o instituto, 92,6% dos analfabetos em 2009 tinham 25 anos ou mais de idade.

Entre as regiões, o Nordeste é o destaque negativo, com taxa de analfabetismo em 18,7% em 2009, a maior do País. A segunda posição entre as regiões com maior proporção de analfabetos ficou com a Norte, com taxa de 10,6%, seguida por Centro-Oeste (8%), Sudeste (5,7%) e Sul (5,5%).

O instituto também apurou que a taxa de analfabetismo funcional, que é o porcentual de pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos de estudos completos, foi duas vezes superior à taxa de analfabetismo, com resultado de 20,3% em 2009. Mas esta taxa foi menor do que a apurada em 2008 para analfabetismo funcional, de 21%.

Mais escolarizados

A PNAD mostrou ainda que a taxa de escolarização subiu de 72,8% para 74,8% nas crianças entre 4 e 5 anos, de 2008 para 2009. No mesmo período, avançou de 97,5% para 97,6% nas crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. E cresceu de 84,1% para 85,2% entre adolescentes de 15 a 17 anos. Ainda segundo o levantamento, a população de dez anos ou mais de idade em 2009 atingiu 7,2 anos de estudo em média.

A rede pública de ensino foi responsável por mais da metade dos estudantes do País e responde por 78,1% do total de 55,2 milhões de alunos pesquisados em 2009 (43,1 milhões de pessoas). Os alunos que utilizavam a rede particular de ensino somavam, aproximadamente, 12 milhões, de acordo com a PNAD.

Entre os alunos que frequentavam a rede pública de ensino, 54,7% estavam na esfera municipal, 42,9% na rede estadual e 2,4% na federal. De acordo com o IBGE, a rede pública foi responsável pelo atendimento da maioria dos estudantes que cursavam até o ensino médio. No entanto, ao se focar apenas o ensino superior, a rede privada atendeu 76,6% do total de estudantes (4,9 milhões de alunos).

Emprego e crise

Mesmo com a crise global e o aumento no contingente de desempregados, a renda média mensal real do trabalhador subiu 2,2% de 2008 para 2009, somando R$ 1.106,00 no ano passado, de acordo com os dados da PNAD. Segundo o IBGE, a renda do trabalhador vem crescendo anualmente desde 2004.

A renda pesquisada abrange todos os ganhos gerados por trabalhos de pessoas de dez anos ou mais de idade. De 2004 a 2009, o aumento acumulado da renda foi de 20%. A taxa de crescimento na renda entre 2008 e 2009 é maior do que a observada entre 2007 e 2008 (de 1,7%), mas ainda abaixo das apuradas nos períodos de 2006 a 2007 (de 3,1%) e de 2005 a 2006 (de 7,2%).

Segundo o instituto, o aumento na renda foi impulsionado por uma melhora na qualidade do emprego, com crescimento na quantidade de trabalhadores com carteira assinada. Em 2009, entre as 101,1 milhões de pessoas da população economicamente ativa, 91,7% estavam trabalhando e as demais, ou 8,3% do total, estavam procurando por trabalho.

A pesquisa revelou que a população ocupada no mercado de trabalho ficou relativamente estável, em torno de 92,7 milhões de pessoas em 2009, um acréscimo de apenas 0,3% em relação a 2008 – em torno de 42,9% da população ocupada trabalhava em atividades de serviços. No entanto, o número de empregados com carteira assinada subiu 1,5% entre 2008 e 2009, para 32,4 milhões de trabalhadores – um acréscimo de mais de 483 mil trabalhadores em relação a 2008.

Desemprego

Apesar da melhora, a crise global ajudou a gerar um acréscimo de 1,3 milhão de pessoas no contingente de desempregados entre 2008 e 2009, como indicam os dados da PNAD. De acordo com o IBGE, a população desocupada (sem trabalho e procurando emprego) subiu para 8,4 milhões de pessoas entre 2008 e 2009, o que corresponde a um aumento de 18,3%, a maior taxa de elevação desde 2001.

Com isso, a taxa de desemprego (ou desocupação) saltou de 7,1% em 2008 para 8,3% em 2009. O IBGE destacou que as taxas de desemprego mostradas pela PNAD são diferentes das apuradas, para os mesmos anos, pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Isso ocorre por causa das diferenças metodológicas das duas pesquisas, além da abrangência: a PME alcança as seis principais regiões metropolitanas e a PNAD tem caráter nacional.

Comparação com outros países

O instituto apurou ainda que, em comparação com outros países, a taxa de desemprego no Brasil subiu de forma menos intensa na crise, entre 2008 e 2009. Utilizando dados compilados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o IBGE informou que a crise global provocou aumentos acima de um ponto porcentual nas taxas de desemprego, de 2008 para 2009, em países como Espanha (de 11,3% para 18%), Chile (de 7,8% para 10,8%), Estados Unidos (de 5,8% para 9,3%), México (de 4,0% para 5,5%) e França (de 7,4% para 9,1%). Na avaliação do instituto, isso mostra que o impacto da crise no mercado de trabalho no Brasil foi bem mais fraco do que em outras nações.

A PNAD mostrou ainda que o avanço do desemprego no ano da crise se concentrou mais nas pessoas com escolaridade incompleta. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego na população com ensino médio incompleto ou equivalente saltou de 13,9% para 15,4% de 2008 para 2009. Já a taxa de desocupação entre pessoas com ensino superior incompleto ou equivalente subiu de 8,1% para 9,7% no mesmo período. Entre as sete faixas de instrução pesquisadas pelo instituto, a que apresentou crescimento mais fraco na taxa de desemprego foi a de pessoas com ensino superior completo, cuja taxa de desemprego ficou praticamente estável, de 3,6% para 3,7% no período.

O levantamento também mostrou que, em 2009, 43,1% da população ocupada no mercado de trabalho tinham pelo menos o ensino médio completo, ante os 41,2% registrados em 2008. As mulheres representavam mais da metade da população desempregada em 2009, com 58,3% do total de 8,4 milhões de pessoas sem trabalho e procurando emprego.