10 obras de Renoir que você precisa conhecer

10 obras de Renoir que você precisa conhecer

Se você deseja iluminar sua semana, viaje virtualmente pelas obras de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919). O artista francês não foi apenas uma figura importante na arte do século XIX, mas também teve um papel central no movimento impressionista. Junto com Claude Monet, Edgar Degas e Camille Pissarro, abriu novos caminhos para a arte mundial. Sua carreira foi de muito sucesso e reconhecendo seu estilo de misturar as tradicionais cenas parisienses ao ar livre com pinturas de nu feminino.

Nasceu em Limoges, no sudoeste da França. Seu pai era alfaiate e acabou se mudando para Paris para perto do Louvre, região que começou a fasciná-lo à medida que conhecia novos artistas ou novos quadros. Teve formação clássica e chegou a estudar na famosa Ecole des Beaux-Arts.

Seu trabalho compreende muitas paisagens e cenas familiares, bem como ocasiões alegres e vivazes, muitas vezes retratando pessoas dançando. Ele é conhecido por sua abordagem com as mulheres, muitas vezes retratando figuras enormes em cenas sensuais. As pinturas impressionistas de Renoir não apenas o tornaram um dos líderes do movimento, mas também lhe renderam a reputação de um dos grandes pintores do século XIX, amplamente reconhecido pelo uso vibrante de cores e pela representação espetacular da luz. Para a coluna de hoje, selecionei dez obras de Renoir:

1-La Grenouillère (1869)

Fotos Reprodução

Poucos sabem, mas Renoir iniciou sua carreira como pintor de porcelanas. Depois, começou a copiar as obras de mestres que estavam expostas no Museu do Louvre. Em 1862, ele tornou-se aluno de Charles Gleyre, onde conheceu Alfred Sisley e Claude Monet. Foi graças a uma viagem que ele fez com Monet, no verão de 1869, que ele conheceu a região de La Grenouillère, um local de lazer na margem do Rio Sena, fora do centro de Paris. Naquele tempo que passaram ao ar livre, produziram pinturas maravilhosas e que são muito parecidas. Note a semelhança da versão de Monet com a obra de Renoir.

2-Baile no Moulin de la Galette (1876)

Essa pintura é uma obra-prima do impressionismo e, talvez, a mais famosa obra de Renoir. O quadro foi inspirado em uma das tardes de domingo de Moulin de la Galette, um local bem animado de Paris e que ficava na região de Monmatre, que até hoje se destaca pela vida agitada com seus bares e restaurantes. Havia um moinho de vento lá que produzia um pão chamado ‘galette’ e, por isso, surgiu o nome. O olhar de Renoir sobre a vida e o lazer na França está repleto de atores, artistas, críticos e membros da família de Renoir. Vários amigos de Renoir, inclusive seu irmão Edmond, posaram como modelos para ajudar na produção da pintura, feita ao ar livre para retratar a frescura, o clima alegre e o entusiasmo das pessoas com o dia ensolarado e com o ambiente de festa. A tela é emblemática para todo o movimento impressionista e para a arte mundial. Mostra cor e brilho nos rostos e roupas, ressaltando a luminosidade entre as sombras das árvores. O traço rápido de Renoir consegue fixar o tempo, sem perder absolutamente nada da intensidade e da excitação do momento. Quem olha a cena também fica com a sensação de que quase consegue ouvir a música ou as vozes das pessoas se divertindo. Um espetáculo em todos os detalhes.

3-O Almoço dos Barqueiros (1880-1881) –

Renoir se recusou a participar da quarta exposição impressionista que aconteceu em 1878 e começou a buscar inspiração nas fontes clássicas da época. Suas figuras ficam mais definidas e suas obras mais estruturadas. ‘O Almoço dos Barqueiros’ combina todos os temas que Renoir mais amava pintar: naturezas mortas, retratos de pessoas conhecidas e cenas ao ar livre. Como de costume, Renoir registra muitos de seus amigos íntimos, incluindo o artista Gustave Caillebotte, que está sentado usando uma camisa branca e um chapéu de barqueiro. Outros retratados são o colecionador Charles Ephrussi, o poeta Jules Laforgue e a futura esposa de Renoir, Aline Charigot. A pintura mostra os amigos do artista almoçando no Maison Fournaise, restaurante que ficava em uma ilha do Rio Sena e era muito frequentado por artistas. Quem olha a pintura tem a sensação de fazer parte da cena.

4-Dança em Bougival (1883)

Renoir retratou de três diferentes formas um casal dançando. Suzanne Valadon e Paul Lhote, dois de seus amigos, foram os modelos usados para capturar o espírito do artista enquanto dançam em um café na cidade de Bougival, localizada próximo à Paris. Note que Renoir inclui toques como cigarros, fósforos queimados e flores no chão para reconstruir a atmosfera do café. Ele também insere o rosa nas bochechas do casal para transmitir paixão e entusiasmo. Essas pinturas foram produzidas depois de uma viagem que fez pela Itália para estudar as obras de pintores clássicos e de antigos mestres. Seu trabalho continuou a se afastar do puro impressionismo após seu retorno à França, tornando-se mais contido e enfatizando os contornos das figuras. O casal dançante é Paul Lhote, amigo de Renoir, e Suzanne Valandon, que trabalhou para o artista durante muitos anos.

 5-Nu Reclinado (1883)

O nu feminino se tornou um dos temas centrais da obra de Renoir. O artista pintou muitas modelos deitadas, tomando banho, contemplando a natureza, além de uma série de outras poses. Nu Reclinado antecipa o movimento de Renoir em direção à pintura um pouco mais nítida, com corpos mais delineados. Essa obra faz referência ao grande neoclássico Ingres e sua Grande Odalisca, em particular, com a mulher de costas para o espectador. A década de 1880 foi conhecida como o ‘Período Ingres’ de Renoir. A obra faz parte do acervo do MET (Museu Metropolitan de Nova York).

 6-Os Guarda-Chuvas (1881 e 1885) –

Renoir trabalhou nesta pintura em duas fases, começando com o impressionismo em 1881 e depois adotando uma abordagem mais clássica para concluí-la em 1885. Os guarda-chuvas retratam pedestres em Paris segurando suas coberturas titulares para se proteger da chuva. A obra se alterna entre a Hugh Lane Gallery de Dublin e a National Gallery de Londres.

7-Os Grandes Banhistas (1884-1887)

Os Grandes Banhistas levaram Renoir três anos de experimentação e trabalho árduo, apenas para os críticos rejeitarem seu trabalho. Este trabalho pode ser visto como o culminar de seu ‘Período Ingres’. Um grupo de mulheres nuas brincam e saltitam em uma paisagem rústica com um rio passando. O que impressiona o espectador é como as figuras são arredondadas e bem definidas em relação ao fundo da pintura. O quadro mostra a influência de Ingres e Rubens, em uma cena de banho ao ao livre. Note como a pintura de Renoir mudou desse quadro para os demais.

8-Duas Meninas ao Piano (1892) –

Renoir recebeu um convite do Governo Francês para fornecer uma nova obra para um museu de artistas vivos, o Musée de Luxembourg. Pintou ‘Duas Moças ao Piano’, em cinco versões ao todo. As pinturas mostram a influência da pintura de gênero francesa do século XVIII em uma cena doméstica rotineira. As cores avermelhadas do cabelo e o rosa quente do vestido da garota são uma clara homenagem ao pintor Ticiano, o grande mestre colorista de Veneza. As versões da pintura que fazem parte do acervo do MET (Museu Metropolitan de Nova York) e do Musée d’Orsay são consideradas as melhores.

9-Banhistas (1918-1919) –

Renoir continuou trabalhando até os últimos dias de sua vida, apesar da saúde debilitada. Ele se mudou para a costa do Mediterrâneo e voltou a pintar nus femininos em paisagens abertas. Nesse período, as mulheres de sua pintura estavam mais rechonchudas do que nunca, em uma clara referência aos nus de Rubens. Em ‘Banhistas’, duas grandes mulheres (com cabeças pequenas) dominam a tela enquanto outras se banham no fundo. Com esta pintura, Renoir se propõe a não incluir nada do mundo moderno, retratando, em vez disso, uma imagem de atemporalidade. A família de Renoir doou o quadro para o Governo da França e ele está exposto no Musée d’Orsay (Paris).

10- Rosa e Azul (1881)

Se você acha que nunca terá a chance de viajar para ver uma pintura de Renoir em um dos maiores museus do mundo, fique atento a esta dica. Uma das grandes obras-primas de Renoir faz parte do acervo do Museu MASP. A pintura Rosa e Azul (1881) mostra as irmãs Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro judeu Louis Raphael Cahen d’Anvers. Os vestidos são idênticos, mudando apenas a cor da fita. Alice, de cinco anos de idade, olha para o espectador como se estivesse para se desmanchar em lágrimas, enquanto a irmã maior, Elisabeth, de seis anos, parece mais segura. O retrato é maravilhoso, mas aparentemente não foi do agrado da família que, além de ter demorado quase um ano para pagar ao artista, colocou a obra numa área da casa que era utilizada apenas pelos empregados. Isso foi uma grande injustiça. Os olhares, os vestidos, os rostos rosados e as mãos entrelaçadas fascinam quem admira o quadro.

Renoir era sensacional com seu repertorio artístico e com suas frases filosóficas. Costumava dizer: a dor passa, mas a beleza fica. Se desejar saber mais sobre um artista ou se tiver uma boa história sobre arte para me contar, aguardo contato pelo Instagram Keka Consiglio, Facebook ou Twitter.


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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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