10 curiosidades sobre Paul Klee, um gênio artístico do século 20

10 curiosidades sobre Paul Klee, um gênio artístico do século 20

10 curiosidades sobre Paul Klee, um gênio artístico do século 20


Paul Klee (1879-1940) foi um gênio artístico e uma figura-chave na primeira metade do século 20. Nasceu em Müchenbuchsee, na Suíça (1879) e começou a ter sucesso como artista por volta de 1971. Era adorado e ao mesmo tempo polêmico. Criou uma arte livre que refletia sua vida, seus pensamentos e sua sensação de liberdade.

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Ele absorveu correntes artísticas (todos os ismos como expressionismo, dadaísmo, surrealismo, cubismo e construtivismo) para criar trabalhos criativos que fazem uma forte ligação entre o mundo da razão e os segredos irracionais da existência humana. Suas obras com cores brilhantes mostram inventividade, interesse pela experimentação e um humor sutil.

Modesto, reticente e esquivo pessoalmente, Klee era um mistério até para si mesmo. Um homem brincalhão com impulsos infantis que costumava inventar os títulos de suas obras em conversas com sua esposa, tomando um vinho. Chegou a ser classificado como um artista estranho, mas ele influenciou muitos jovens a partir de suas aulas na escola de Bauhaus, além de gerações de artistas com suas obras enigmáticas.

Klee era muitos artistas em um só corpo. Era um artista universal, que inovava nos experimentos e na descoberta de novas formas e técnicas na busca da perfeição como pintor, poeta, músico, cientista natural e filósofo. Selecionei 10 curiosidades sobre Klee:

1- Música antes da pintura – Paul Klee nasceu em um ambiente artístico. Sua mãe era cantora clássica e seu pai professor. Com isso, começou a estudar violino aos sete anos e conseguiu entrar para a orquestra municipal com apenas onze anos. Curiosamente, mais tarde, casou-se com uma pianista. Portanto, pode-se dizer que a música teve forte influência em sua arte e muitas vezes ele qualificava suas obras utilizando terminologia musical. Sua esposa o sustentava dando aulas de piano e fazendo apresentações ocasionais, enquanto ele se dedicava a seu trabalho artístico, que progrediu lentamente. Sua intenção era fazer pelas artes visuais o que Mozart e Beethoven haviam feito pela música, mas ele não sabia como isso seria possível. Klee era um desenhista nato que acabou dominando a teoria das cores, além de escrever extensivamente sobre esse tema. Seu trabalho artístico reflete seu humor, sua musicalidade, suas crenças e sua perspectiva, que muitas vezes era infantil.

2- Arte em diferentes frentes – É impossível definir Paul Klee como um artista especializado em um determinado material ou estilo. Ele estava sempre aberto para novos conhecimentos, influências e estilos. Tentava estudar e se aprofundar em todos os temas de seu interesse. Certa vez, após uma viagem para a Itália em 1901, descobriu a arte cristã bizantina e aprofundou-se em vitrais e gravuras. Depois, quando viu as obras impressionistas e pós-impressionistas na França, onde ficou encantado com Van Gogh e Paul Cézanne. Todas as influências que recebeu foram incorporadas ao seu trabalho, que sempre esteve em contínua evolução, de estilo e de técnica.

3- Bauhaus – Durante dez anos (1921-1931), Paul Klee foi professor de arte abstrata na Bauhaus, tornando-se uma figura popular entre os jovens. ‘Staatliches Bauhaus’, conhecida como Bauhaus, foi a mais importante escola de arte vanguardista da Alemanha e a primeira escola de design do mundo, sendo responsável pela criação do modernismo na arquitetura. A maior parte dos trabalhos feitos pelos alunos nas aulas-oficina foi vendida durante a Segunda Guerra Mundial. Klee lecionou no mesmo período que o pintor russo Wassily Kandinsky. Vale destacar que a escola Bauhaus também influenciou imensamente a América do Sul, tendo como seu principal seguidor o arquiteto Oscar Niemeyer, que responsável por diversas obras como o projeto de Brasília. Conforme Klee aprendia a manipular as cores com grande habilidade e paixão, ele se tornou em um efetivo instrutor de mistura de cores e da teoria das cores na Bauhaus.

4- Guerra e aviões camuflados – Assim como meu avô paterno, Paul Klee foi convocado para o serviço militar durante a Primeira Guerra Mundial. Por sorte, ele ficou isento das zonas de combate graças as manobras de seu pai. Em vez de ir para as trincheiras, ele foi designado para pintar aviões de guerra para tentar camuflar as aeronaves dos inimigos. Desabafando sua angústia desse período, criou várias litografias de bico de pena sobre temas de guerra, incluindo Death for the Idea (1915). Após a primeira guerra mundial, em 1922, ele pintou The Twittering Machine, uma obra revolucionária que mistura mídias, algo que não era comum na época. Tem um bando de pássaros em um fio com um mecanismo de manivela, bem parecido com o brinquedo de uma criança. Os pássaros parecem que vão ganhar vida e começar a cantar quando a manivela é girada. Para criar a peça, Klee desenhou no topo de uma folha de papel que havia sido primeiro coberta com pigmento de óleo preto, o que resultou em linhas borradas e manchas pretas no fundo.

5- Cores como pintor – Foi após uma viagem para Tunísia que Paul Klee se considerou um artista. Em 1914, ele ficou maravilhado com a luminosidade do local e totalmente hipnotizado pelas cores, que passaram a fazer parte de seu trabalho artístico. Foi após visitar a pequena cidade de Hammamet, Klee pintou Hammamet com sua Mesquista. A luz do norte da África inspirou seu senso de cor e motivou sua famosa declaração: “Cor e eu somos um. Eu sou um pintor”. A metade superior da pintura é representativa, retratando a mesquita rodeada por duas torres e jardins. No entanto, a metade inferior mostra planos de cores translúcidos, de forma abstrata. Klee seguiu o exemplo do artista francês Robert Delaunay ao tentar produzir a cor pura e seus tons como o único tema da pintura. As cores também estão bem presentes em Goldfish (1925), importante pintura do artista e que retrata um peixe dourado em águas azuis profundas com vários peixes pequenos e algumas plantas azuis claras. Por meio dessa pintura, Paul Klee causou surpresa com seus conterrâneos sobre sua maneira de pensar em relação à vida animal.

6- Viagens – Paul Klee era um grande observador, que gostava muito de viajar. Três importantes obras mostram bem essas características. Rodovia e Via Secundárias (1928) é uma das principais pinturas produzidas em uma viagem ao Egito. Usando cores, formas e linhas, Klee criou uma paisagem abstrata com um senso de realidade. Na obra, mostra vida, tempo e espaço. Os estreitos retângulos azuis na parte superior da tela sugerem o Rio Nilo, enquanto a confusão irregular de formas à esquerda e à direita retratam campos de grãos e caminhos egípcios. O centro da pintura apresenta trapézios largos e claros, sugerindo a estrada principal e conduzindo o olhar do observador da parte inferior da tela para o rio no topo. Sensacional. Como profundo observador, em 1932, produziu Máscara do Medo pouco antes de Adolph Hitler chegar ao poder na Alemanha. A pintura satírica foi inspirada em uma escultura do Deus da guerra Zuni que Klee viu em um museu etnológico. Possui dois pares de pernas, sugerindo que duas figuras estão se escondendo atrás da máscara gigante em estilo de carnaval. Sobre a pintura, Klee dizia que “a máscara representa a arte e, por trás dela, esconde-se o homem. A obra revela o estado de espírito interior de Klee, que temia o futuro da Alemanha, assim como o futuro da arte. Os medos do artista aumentaram um ano depois, quando o próprio Hitler classificou a arte de Klee como “degenerada”.

7- Contra os nazistas – Paul Klee foi amplamente criticado pelo regime nazista porque sua obra não era considerada arte pura. Seus desenhos enigmáticos foram ridicularizados na época, chegando a ser chamado de esquizofrênico. Na mesma categoria de malucos, estavam importantes nomes como Pablo Picasso, Marc Chagall e Piet Mondrian. Em 1940, pouco antes de morrer, Klee pintou Morte e Fogo. Ele estava sofrendo de esclerodermia, com dores nas articulações e erupções nas mãos. Por isso, o trabalho foi simplista, sendo comparado por críticos ao estilo de pinturas rupestres. Uma ilustração da mortalidade, a obra, produzida com tinta óleo sobre juta, mostra uma imagem semelhante a um crânio humano com a palavra “Tod”, que em alemão significa morte.

8- A arte proibida na Alemanha – Por causa de Hitler, Paul Klee foi forçado a deixar a Academia de Belas Artes de Düsseldorf. Além disso, suas obras foram proibidas e apreendidas na Alemanha. Sob contínua pressão do regime nazista, Klee teve que sair da Alemanha e voltar para sua Suíça, sua terra natal.

9- Destaque e centro exclusivo – Paul Klee tem um centro em sua homenagem. Inaugurado em 2005, o Zentrum Paul Klee abriga mais de 4 mil obras de arte e objetos do artista em Berna (Suíça). Outra curiosidade é que Steinway fabricou uma série de pianos em homenagem a Paul Klee para comemorar a forma como unia arte musical e visual. Apenas 500 pianos foram produzidos nesta série, sendo que Vladimir Horowitz foi um dos que adquiriram o piano.

10- Grande acervo – Paul Klee foi um dos artistas que mais produziu: 10.000 trabalhos, entre pinturas, desenhos, gravuras, litografias e até esculturas. Foi um artista muito talentoso, fortemente influenciado pela música. Paul Klee não pode ser categorizado em um movimento específico. Ele foi influenciado por diversos movimentos artísticos e explorou como ninguém as influências que recebeu para criar uma arte livre, colorida, com muitas técnicas e cheia de mistérios, incluindo uma linguagem visual de formas, símbolos e sinais abstratos para transmitir seu humor, imaginação e crenças pessoais.

Paul Klee era fascinado pelo transcendental, o cosmos e seus planetas, os quais aparecem como símbolos em muitas de suas obras. Ele estilizou a si mesmo, com grande sucesso, como um artista distante do mundo. Certa vez, escreveu em seu diário: “No aqui e agora, não sou de modo algum tangível”. Para ele, a arte não reproduzia o visível, mas sim torna visível. Admirar seus trabalhos é como estar diante de uma aventura deliciosa. Para aproveitar, basta abrir os olhos e sentir, pois como ele dizia “um olho vê e o outro sente”. Se tiver uma boa história, não deixe de compartilhar comigo pelo Instagram Keka Consiglio, Facebook ou Twitter.


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Sobre o autor

Keka Consiglio é artista plástica, jornalista e empresária do setor de comunicação. Apaixonada por arte desde criança quando começou a estudar o tema, entregou-se de vez a esse universo ao fazer cursos e visitar museus e exposições, tanto no Brasil como no exterior. Desenvolve uma arte livre, criativa, repleta de cores e de elementos baseados em temas cotidianos, tendo a sustentabilidade presente em todo o seu processo de criação. Curiosa e motivada por desafios, vive e trabalha em São Paulo, produzindo suas coleções a partir de dois estúdios. Instagram: @keka_consiglio_artista. Site: www.kekaconsiglio.com.br


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