“Nosso esforço é para ganhar e jogar bem”, diz Iziane

Cestinha da estreia do Brasil no basquete feminino com 25 pontos, na derrota por 84 x 66, em partida disputada no sábado 6, na Arena da Juventude, em Jacarepaguá, Iziane esteve ameaçada de ser cortada da seleção brasileira por uma lesão na panturrilha. Mas, persistente, a camisa 8 do Brasil garantiu que disputaria a Olimpíada mesmo sem uma perna.

Ela estreou em Jogos Olímpicos em 2004. Mas, em 2008 e 2012, ela foi cortada da delegação por indisciplina. Iziane não foi a Pequim por se recusar a voltar à quadra após uma substituição, no período de preparação. Em Londres, um episódio externo (levou o namorado para dormir no quarto do hotel) provocou a sua exclusão da equipe. Após três anos de afastamento, ela voltou à seleção no ano passado com gana de vitória. A experiência ajudou a atleta a entender sua importância para o basquete brasileiro. O alto nível de Iziane foi fundamental para o Brasil dificultar o jogo para a Austrália nos três primeiros quartos. No último, sua queda de produção travou a seleção brasileira. Confira, a seguir, a entrevista dela à IstoÉ:

O que mudou na seleção nesses últimos meses?

IZIANE – Primeiro as jogadoras, segundo o técnico (nota da redação: Antonio Carlos Barbosa assumiu em dezembro do ano passado, no lugar de Luiz Augusto Zanon) e terceiro a palavra acreditar. Obviamente que quando se vem de duas competições onde tudo dá errado e a equipe fica quase em último lugar, é difícil acreditar novamente no trabalho. Mas quando você encontra uma comissão técnica que acredita na equipe, dá apoio e mostra que todas são boas jogadoras, tudo muda. E acredito que nós treinamos mais que todo mundo. Estamos há três meses treinando. Temos o trabalho, temos o talento e acreditamos que podemos. Esses ingredientes fazem a diferença na seleção brasileira hoje em dia. O time demonstrou uma felicidade muito grande de estar em quadra, nessa partida contra a Austrália.

O apoio e o barulho da torcida influenciaram no jogo?

IZIANE – É uma alegria muito grande estar aqui. Eu, particularmente, tenho duas alegrias. Uma por causa da lesão, a outra é por ser uma Olimpíada no Brasil. Temos oportunidade de fazer bonito e mostrar que todo o nosso esforço é para ganhar e jogar bem, mostrar que a gente pode. Acho que trouxemos isso para o começo do jogo. Mas, infelizmente, quando as coisas começaram a dar errado, não conseguimos controlar. Esse foi o grande diferencial e o por que estávamos dessa forma ao começar o jogo.

O Brasil exigiu que a Austrália jogasse seu melhor basquete para sair com a vitória. Qual era a estratégia para surpreendê-las?

IZIANE – A ideia foi tirar elas do jeito que elas gostam de jogar. Foi por isso que estivemos a frente do placar em todo o primeiro tempo. Infelizmente no segundo tempo elas apertaram muito a nossa defesa e a gente entregou demais a bola para elas. Quando se tem muitos erros como esse, num jogo equilibrado, esse é o diferencial. Saber controlar esse momento é fundamental, para não ficar triste e duvidar da nossa capacidade de acertar. Temos maturidade suficiente e quem joga há mais tempo precisa saber controlar esse momento, porque os outros jogos vão exigir isso da gente. Precisamos seguir, agora, o caminho das vitórias.

O Brasil precisa de duas vitórias nos próximos quatro jogos para passar para a próxima fase. É possível?

IZIANE – Quem entra para perder já está vencido, não é isso? Então temos de entrar com a ideia de vencer os próximos quatro jogos. Claro que temos condições de vencer as quatro equipes. Estamos jogando em casa e temos o sexto homem a nosso favor, que é a torcida. Precisamos aproveitar isso. Construir nessa fase de classificação para seguir bem e conquistar uma medalha que tanto almejamos.