Edição nº2467 24.03 Ver edições anteriores

Vou contar e vou pagar

NA PGR Em sua delação,  o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro entregará gente com foro
NA PGR Em sua delação o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro entregará gente com foro

Vou contar…
Operador do esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal, o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro decidiu negociar uma delação premiada. Preso desde julho na  Papuda, em Brasília, Funaro resistia a contar o que sabia, mas começou no mês passado a ter conversas preliminares com a Procuradoria da República do Distrito Federal. As reuniões foram pouco animadoras, porque ele não queria delatar, mas sua disposição mudou na última semana. Funaro deu um recado que empolgou os investigadores: seu acordo vai precisar da participação da Procuradoria-Geral da República, porque ele sabe muito sobre integrantes do primeiro escalão do governo de Michel Temer (PMDB), que têm foro privilegiado. O procurador-geral Rodrigo Janot já autorizou as tratativas a prosseguirem.

…e vou pagar
A liberdade, porém, não vai sair barato para Lúcio Funaro. Nas primeiras conversas com a Procuradoria, ficou claro que ele precisará devolver uma alta quantia aos cofres públicos, acima do que recebeu das empresas para intermediar interesses delas na Caixa. Foi citada a cifra de R$ 60 milhões como ponto de partida para a negociação.

Tensão
Alguns executivos da Odebrecht que fecharam delação premiada no Brasil ainda estão preocupados com a Justiça. Temem ser alvo de ações nos Estados Unidos, onde a empresa fez acordo de leniência. O problema é que a costura feita com os americanos ainda pode dar brecha para que sejam processados na pessoa física.

Às claras

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Já está quase pronta a minuta que deve regulamentar por decreto presidencial a atuação de lobistas no Brasil. O ministro da Controladoria Geral da União, Torquato Jardim, está desatando apenas os dois últimos nós: servidores de quais escalões terão de tornar suas agendas públicas e a seleção de temas. Até o fim de março ele vai ao Congresso discutir também os projetos de lei que tramitam nas duas casas.

RÁPIDAS

* Advogados criminalistas queixaram-se à coluna sobre a falta de um ministro penalista no Supremo Tribunal Federal. Confrontado com a reivindicação, o presidente Michel Temer respondeu que todo constitucionalista, em certa medida, possui essa característica.

* O PSDB, aliado do governo, vem promovendo encontros com especialistas para alinhar o discurso das bancadas tucanas na Câmara e Senado ao do Palácio do Planalto sobre as reformas Trabalhista e Previdenciária.

* O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollembeg, não descarta o racionamento de água no Plano Piloto, Lago Norte e Lago Sul, áreas nobres de Brasília. Hoje, cidades do entorno já sofrem com a escassez do recurso.

* O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, costuma ser muito simpático com quem pede foto. Para fazer bonito, acaba de fazer clareamento nos dentes. Agora evita alimentos pigmentados.

RETRATO FALADO

O ex-presidente José Sarney está com dois livros autobiográficos prontos. Um deles é sobre histórias que viveu em toda sua vida política. O outro, memórias desde a infância até concluir seu mandato em 1990. “Mas o momento pelo qual o país passa não é propício para publicar este livro”, disse à coluna. Saindo sozinho de um evento, suspirou: “Hoje sou apenas um retrato na parede.” Mas a conquista da cobiçada presidência da Comissão de Constituição e Justiça pelo senador maranhense Edson Lobão prova que Sarney vive fora da moldura.

Vem, Mickey
No 2º semestre deste ano, o ministro do Turismo, Marx Beltrão, tem agendada uma reunião em Brasília com o vice-presidente mundial da Walt Disney Company, Greg Hale. Na verdade, o americano vem ao País como presidente global da associação que reúne parques de diversões e atrações turísticas, que no Brasil é chamada Sindepat. Hale quer ajudar os brasileiros do setor a tentar convencer o governo a mudar a classificação de importação de brinquedos radicais, tarjados hoje como bens de consumo. Beltrão já preparou uma pergunta para recebê-lo: “O que a Disney precisaria para abrir uma unidade no Brasil?”.

Zé Carioca
Marx Beltrão tem informações que a turma do Mickey faz planos de se instalar na América do Sul e não quer deixar o Brasil de fora dessas negociações. Vai apresentar dados mostrando o potencial atrativo do país para receber turistas do mundo todo e discutir as necessidades para viabilizar o projeto.

TOMA LÁ DÁ CÁ

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Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado

Como será o início da agenda do Senado este ano?
Será de reformas, reformas e reformas. Devo me reunir nos próximos dias com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutirmos quais projetos estão lá, quais estão no Senado. Se o conteúdo for o mesmo, o importante é votar e aprovar o que tramitar mais rápido.

Não tenho essa vaidade de que tem que ser projeto do Senado.Depois se reúnem com o presidente Temer?
Sim, aí discutiremos essas agendas com o presidente da República. Deve ser na próxima semana. O Brasil tem pressa, não temos tempo a perder.

Me use

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O ministro da Agricultura do México procurou o governo brasileiro. Ele quer vir para cá falar sobre aumentar importações de produtos agrícolas do Brasil. A interpretação por aqui foi a de que os mexicanos querem, de alguma maneira, impressionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, grande exportador para o vizinho. Mas ninguém se fará de rogado.

Simbiose
Guilherme Afif (foto), do Sebrae, conseguiu superar, nesta semana, burocracias que travavam a ajuda a beneficiários do Bolsa Família na formalização como microempreendedores. Osmar Terra, do Desenvolvimento Social, comemorou: “Resolvemos pendências e estamos retomando o trabalho conjunto. O Sebrae é peça chave para o enfrentamento da pobreza”.

Corram que a polícia vem aí

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O diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, participou de almoço em homenagem ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, no Palácio do Itamaraty. Estava presente grande sorte de parlamentares, ministros e empresários. Por onde passava, Daiello lembrou Moisés, espalhando as águas do mar vermelho.


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