Edição nº2467 24.03 Ver edições anteriores

Uma elite sem caráter

Lula é um homem sem caráter. Aproveitou o velório da esposa para discursar. Transformou o ato em comício. O que era da esfera privada – a morte da esposa – foi utilizado por ele para fazer política. E fazer política no sentido mais baixo da expressão. Não respeitou o sofrimento da esposa. Pelo contrário. Viu na doença e morte de dona Marisa a possibilidade de atacar a Lava Jato e transformar as graves acusações de corrupção que pesam sobre ele em motivos que levaram ao falecimento da esposa. Pura falácia. Ele sabe. Mas Lula tem por princípio não ter princípio.

O “comandante máximo da organização criminosa”, no dizer do Ministério Público Federal sobre o seu papel no petrolão, não é caso único na política brasileira contemporânea. Triste política, vale ressaltar. Não ter caráter, não ter princípios, virou qualidade, símbolo de esperteza. Lula é somente um deles. E a agonia e morte de dona Marisa serviu para reforçar esse comportamento. Velhos adversários foram procurá-lo e trocaram juras de amizade. Como se a troca de críticas e ofensas no passado tão recente fossem só para enganar os cidadãos, uma obrigação de ofício, sem nenhuma convicção do que escreveram ou falaram. Foi pura hipocrisia – no sentido mais lato da expressão.

Lula é apenas um exemplo dessa hipocrisia. Representa o que há de pior, é verdade. Bom seria se fosse o único. Mas não é

A elite política – com raríssimas exceções – não tem caráter, não tem pudor, não tem princípios. Faz política como negócio. Eventualmente incorpora alguma demanda popular mas sempre para tirar algum proveito. São farsantes convictos. Ficam incomodados quando vigiados. E quando são atingidos pela ação – sempre tímida – do Estado democrático de Direito, reagem e buscam a proteção da estrutura político-jurídica que blinda a elite, criando inúmeros obstáculos para a aplicação da lei. Há um confronto entre a elite e o povo. Os poderosos divergem, atacam, criticam, mas todos fazem parte de um mesmo clube. Sabem que podem – em caso extremo – contar com a solidariedade dos seus, como numa sociedade de celerados. Acreditam que o comportamento político macunaímico é a forma de fazer política – quando não é. Política é o terreno da disputa ideológica, de princípios, de visões de mundo, tudo que a “nossa” elite não gosta e não pratica.

Lula é apenas um exemplo dessa hipocrisia. Representa o que há de pior, é verdade. Bom seria se fosse o único. Mas não é.

 


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