Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Um candidato independente

O Brasil padece de uma grave doença: o estatismo. Para todo problema, a maioria olha para o Estado como solução mágica. Daí chegamos a esse caos atual, com um Estado hipertrofiado, caríssimo, incompetente e corrupto. O brasileiro deposita pouca confiança na sociedade civil, nas associações voluntárias, no próprio indivíduo. Um dos exemplos disso está na proibição da candidatura avulsa. Estima-se que apenas 10% dos países barram candidaturas independentes, e somos um deles. Todas as grandes democracias permitem. Mas não o Brasil, que preserva uma espécie de cartelização partidária, além do voto obrigatório, que é para lembrar que não somos cidadãos, mas súditos.

Os grandes partidos querem estatizar ainda mais a política, com financiamento público de campanha e lista fechada,sem falar sequer em voto distrital

A ideia central que precisa ficar clara: o Estado existe para servir o cidadão, não o contrário, que seria o súdito existir para financiar os privilégios estatais. Mas no Brasil tudo é invertido, então eis que um indivíduo que deseja se candidatar só pode fazê-lo por meio de um partido. Isso preserva o privilégio dos caciques partidários, não o direito do cidadão. A crise de representatividade na política é evidente. Boa parte da população não se identifica com nenhum dos políticos ou partidos atuais. Não obstante, a tal “reforma política” de que se fala vai à contramão de aproximá-la do eleitor. Os grandes partidos querem estatizar ainda mais a política, com financiamento público de campanha e lista fechada, sem falar sequer em voto distrital. O andar de cima se blinda contra a crescente insatisfação do andar de baixo, dos trabalhadores que são obrigados a bancar a farra.

Uma candidatura independente valeria ao menos para deixar claro esse princípio tão ignorado em nosso País: o indivíduo deve vir antes do Estado, o cidadão está acima do político. Como, então, usurpar o direito individual de participação na coisa pública, exigindo a adesão ao cartel partidário, com o beija-mão entre o potencial candidato e o cacique “dono” do partido?
Há também um efeito pragmático: a simples ameaça de uma candidatura independente coloca pressão nos partidos para que não se afastem de suas bases programáticas. Donald Trump, um “outsider”, usou a possibilidade de se candidatar de forma independente como cartada para que o Partido Republicano não ignorasse o “homem comum”, e acabou vencendo com uma mensagem clara de “drenar o pântano” em Washington, ou seja, com um discurso anti-establishment.
Os “donos do poder” querem manter seus privilégios. Os partidos grandes se tornaram instrumentos disso. Tentar barrar as iniciativas contrárias a esse oligopólio, como no caso de partidos novos ou de candidaturas independentes, passou a ser uma meta dos oligarcas. A pergunta-chave é: por que temem tanto o indivíduo?

 


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