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Ao fechar janeiro em 0,38%, a inflação registra o menor patamar do mês em toda a série histórica — e sinaliza que o ano pode ser bem melhor do que se previa

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ALÍVIO Henrique Meirelles, feliz com o IPCA de janeiro: inflação ficará dentro da meta em 2017

A inflação caiu. Despencou. Chegou ao índice mais baixo para o mês de janeiro desde 1979, quando ela começou a ser medida pelos mesmos critérios de hoje. O Índice de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,38% no primeiro mês do ano. Para efeito de comparação, em janeiro de 2016 ela havia ficado em 1,27%. Primeira boa notícia vinda de um indicador econômico em muito tempo, a queda da inflação é mais que um alívio para o governo. É um sinal de que a economia do País pode estar iniciando um novo ciclo virtuoso. Isso porque a principal arma da equipe econômica para conter a alta dos preços é a taxa de juros. Com a inflação em queda, os juros também caem, há uma retomada do crédito e a atividade econômica como um todo se recupera, gerando mais impostos, empregos e renda. Por isso o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, festejou o índice de 0,38% do IPCA divulgado na semana passada. “Esperamos que a população sinta os efeitos da retomada do crescimento ao longo deste ano”, disse o Meirelles. Em 2017, segundo o ministro, a inflação deverá permanecer no centro da meta, que é 4,5%.

“Esperamos que a população sinta os efeitos da retomada do crescimento ao longo deste ano” Henrique Meirelles, ministro da Fazenda

Além de o primeiro mês funcionar como termômetro para o que pode acontecer no cenário econômico, janeiro é atípico no calendário da inflação. Preços de várias categorias de produtos e serviços são reajustados no início do ano. Do IPTU à mensalidade escolar, passando por alimentos cuja oferta escasseia com estação das chuvas, a pressão inflacionária tende a crescer. “Janeiro costuma apresentar valores mais altos. A queda da inflação melhora o poder de compra das famílias e acaba trazendo uma condição de bem-estar, um resgate da confiança do consumidor”, diz Otto Nogami, professor do MBA Executivo do Insper.

Setores em crescimento

A queda do IPCA não é a única notícia capaz de animar a economia. Outros indicadores confirmam que o ciclo recessivo dos dois últimos anos está chegando ao fim. Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 é de uma expansão de 0,50%. Ainda que modesto, o aumento levará o PIB brasileiro à cifra de US$ 1,95 trilhões, superando o da Itália. Segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil terminará 2017 como a oitava maior economia do planeta A indústria automobilística, uma das que mais sofreu com o aperto da economia no ano passado, quando as vendas de carros novos recuaram 20%, começou o ano com novo vigor. Em janeiro, as exportações atingiram 37,1 mil unidades, um aumento de 56% na comparação com o mesmo mês de 2016. A produção de máquinas agrícolas e rodoviárias teve um início de ano ainda melhor, registrando aumento de 74%. Apesar da queda de 5,2% nas vendas de carros de passeio e veículos comerciais, leves e pesados, a Associação Nacional das Montadoras (Anfavea) prevê um crescimento de 4% em 2017 em relação ao ano passado. Os emplacamentos devem alcançar 2,1 milhões automóveis. “Não esperamos a recuperação para os primeiros meses de 2017. Isso deve acontecer mais para frente”, diz Antonio Megale, presidente da Anfavea.

Retomada Após retração de 20% nas vendas em 2016, indústria automobilística prevê crescimento de 4% este ano
RETOMADA Após retração de 20% nas vendas em 2016, indústria automobilística prevê crescimento de 4% este ano

O agronegócio também dá sinais positivos. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o faturamento da atividade rural deve crescer 5,6% este ano, chegando a R$ 573 bilhões. A soja e o algodão serão os principais responsáveis pelo crescimento. O comércio, que também vinha enfrentando meses seguidos de retração, comemorou a alta de 18,4% nas vendas em janeiro. O indicador de confiança do setor alcançou 95,7 pontos. Na indústria, o índice avançou 4,5%, chegando ao maior patamar desde maio de 2014.

Evidentemente, as boas notícias não significam que o ano será uma maravilha, mas pode ser melhor do que se previa. Quanto mais longo é o período recessão, mais lenta é recuperação da economia. E o Brasil ainda tem muitos problemas para resolver. Para Nelson Marconi, coordenador executivo do Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), um passo importante é retomar as concessões de infra-estrutura, algo que o governo já vem tentando fazer. “A inflação começou a cair e isso ajuda a economia a se reorganizar, mas nós estamos no fundo do poço há muito tempo. Para recuperar o nível de atividade depois de um período longo é preciso que o governo tenha medidas impactantes”, diz Marconi. Uma das principais, segundo ele, é acelerar os acordos de leniência.

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Em ascensão
Onde os indicadores já são positivos

Indústria
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 4,3 pontos em janeiro, o maior desde maio de 2014

Comércio
O setor cresceu 18,4% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado e o indicador de confiança alcançou 95,7 pontos

Indústria automotiva registrou aumento de 56%  nas exportações de veículos no mês de janeiro ante o mesmo mês de 2016 e 74% na produção de máquinas agrícolas e rodoviárias

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)