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Trump acusa agências de Inteligência americanas de vazar ‘falso’ dossiê russo

Trump acusa agências de Inteligência americanas de vazar ‘falso’ dossiê russo

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Torre Trump, em Nova York, no dia 11 de janeiro de 2017 - AFP

O presidente eleito Donald Trump acusou as agências de Inteligência americanas de vazarem para a imprensa um dossiê com memorandos russos que contêm informação comprometedora e não verificada contra ele.

“Acho que é muito triste quando informes de Inteligência são vazados para a imprensa. Acho que é muito triste. Antes de mais nada, é ilegal”, afirmou Trump, em sua primeira entrevista coletiva como presidente eleito, insistindo em que apenas as agências podem ter vazado o material.

“Acho que é escandaloso que se permita que essa informação seja vazada”, reforçou.

“São todas notícias falsas. São coisas mentirosas. Nunca aconteceu”, disse Trump, acrescentando que “um grupo de opositores se juntou, gente doente, e produziu esse lixo”.

Na última sexta-feira (11), vários chefes de Inteligência se reuniram com Trump e lhe entregaram um resumo de duas páginas sobre essas informações, potencialmente vergonhosas, mas que não foram verificadas. Como fonte, a rede CNN e o jornal The New York Times citam funcionários familiarizados com o encontro, os quais pediram para não serem identificados.

Trump acusou as agências de Inteligência dos Estados Unidos de vazarem para a imprensa o dossiê completo de 35 páginas. O material circulou em Washington por semanas.

A Casa Branca reagiu imediatamente, considerando que as críticas de Trump à comunidade de Inteligência estão “profundamente equivocadas”.

Mais cedo, no Twitter, Trump disse ser vítima de “uma caça às bruxas”.

“Estamos vivendo na Alemanha nazista?”, questionou, negando ter negócios com e na Rússia.

– O dossiê –

O resume entregue a Trump – e ao presidente em final de mandato Barack Obama – se baseia em 35 páginas de memorandos russos datados de junho a dezembro de 2016.

Foi publicada integralmente apenas pelo site BuzzFeed. O vazamento gerou grande polêmica na imprensa, já que o conteúdo não foi confirmado por qualquer fonte oficial.

“É, francamente, revoltante e altamente irresponsável para um blog de esquerda que foi abertamente hostil à campanha do presidente eleito publicar informações muito obscenas e totalmente falsas na Internet a poucos dias de prestar juramento”, disse o porta-voz de Trump, Sean Spicer, no início da entrevista coletiva.

Trump declarou, por sua vez, que o Buzzfeed é “uma pilha de lixo fracassada” e advertiu que “sofrerá as consequências”.

Um memorando se refere à existência de um vídeo de teor sexual filmado clandestinamente pelos serviços russos durante uma visita a Moscou em 2013.

Redigido por um ex-agente da contraespionagem britânica e considerado crível pelos serviços americanos, o documento também menciona a troca de informações durante vários anos entre Trump e seu entorno e o Kremlin.

Moscou rejeitou as acusações, categoricamente.

“O Kremlin não tem informes comprometedores sobre Trump”, descartou hoje o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dimitry Peskov, afirmando que essas alegações pretendem “minar as relações bilaterais” entre Washington e Moscou.

“É uma total falsidade”, acrescentou.

– Pirataria russa –

Depois da eleição de 8 de novembro, a Inteligência americana concluiu que Moscou interferiu no processo eleitoral, pirateando os servidores da campanha democrata, para ajudar Trump e contribuir para a derrota de da democrata Hillary Clinton.

Trump admitiu que Moscou pode ter invadido as redes americanas.

“Sobre a pirataria, acho que foi a Rússia, mas também acho que fomos hackeados por outros países, outras pessoas”, desconversou.

“Se Putin gosta de Donald Trump, considero isso como uma vantagem, não como um peso, porque temos uma relação horrível com a Rússia”, completou o republicano.

No Senado, o candidato de Trump para assumir o Departamento de Estado, Rex Tillerson, considerado próximo a Putin, mostrou cautela.

“Provavelmente nunca seremos amigos”, disse o ex-presidente da ExxonMobil, referindo-se à Rússia, durante sua audiência de confirmação no Senado.

“Não temos os mesmos valores”, insistiu.

“Embora a Rússia busque respeito e relevância na cena mundial, suas recentes atividades faltaram com o respeito pelos interesses americanos”, reforçou Tillerson.

O índice de aprovação de Trump se deteriora à medida que se aproxima o dia de sua posse, em 20 de janeiro.

Segundo pesquisa da Universidade de Quinnipiac, 52% dos entrevistados acreditam que Trump será um líder “não tão bom”, ou “ruim”, e 51% consideram que está fazendo um mau trabalho como presidente eleito.