Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Tormenta à vista

Daniel Wainstein

Os bancos aos quais a JBS está tentando impor o alongamento de sua dívida de curto prazo, um papagaio de R$ 22 bilhões, puseram as cartas na mesa. Para que a negociação avance, exigem o afastamento de Wesley Batista da direção da empresa, da qual é CEO. Sem isso, não tem conversa. E, sem conversa, a hipótese de recuperação judicial ganha corpo, com estrago de dimensões bovinas para o mercado que o grupo lidera.

Ministério
Público Federal Perdão, não!

Entre os que disputam a sucessão do procurador-geral Rodrigo Janot por meio de eleição promovida pela Associação dos Procuradores da República, Eitel Santiago foi o único candidato a não subscrever na semana passada nota da entidade que repudia listas feitas por outros órgãos do Ministério Público da União. Considerou o ato “desnecessário”. E justificou: “Isso pode ser visto como um constrangimento ao Presidente da República, que tem a prerrogativa de nomear quem quiser entre os integrantes da carreira do MPF. Para ele, a nota da associação  “revelou incabível restrição à liberdade de opinião dos membros dos demais ramos do MPU.” Garantiu que, se for o futuro Procurador-Geral, irá estudar a possibilidade de revogar o perdão concedido aos líderes dirigentes do Grupo J&F, “que se transformou numa organização criminosa”.

Casa de ferreiro
Nada consta…

Em apenas uma das cinco turmas encarregadas de tais julgamentos, a OAB-MG instaurou 97 processos disciplinares contra advogados a ela filiados. Quando finalmente concluiu a coleta de depoimentos e provas, no ritmo comum a outras seccionais da mesma ordem, 89 haviam prescrito.

Cultura
Leitão forte

Tudo caminha para Sérgio Sá Leitão assumir a presidência da Ancine, onde hoje é diretor. Seu nome não é o preferido da comandante interina do órgão, Débora Ivanov, que está desgastada em Brasília. A nomeação de Leitão pode ser depois – ou até antes – de Michel Temer definir quem comandará o Ministério da Cultura.

Lava Jato
De graça, não dá

Divulgação

O curioso relato é de advogados, criminalistas naturalmente, que atuam para clientes encrencados na Lava Jato. As causas dão muito trabalho, e se avolumam. Porém, os contratantes sempre choram por descontos alegando, entre outras razões, que estão com bens indisponíveis. Calote ou não pagamento integral do combinado são frequentes, daí vários defensores deixarem as ações penais – ocasionalmente, um mesmo cliente já foi largado por diferentes advogados.

Carne fresca
Escândalo & mercado

Divulgação

Maior concorrente da JBS no mercado de carnes, a Marfrig atingiu na primeira quinzena de junho capacidade máxima de abate em seus frigoríficos. O fato é inédito. E pode estar associado a baques sofridos pela produção do grupo rival após divulgação do grampo do Jaburu e da delação premiada do clã Batista.

Senado
Corda no pescoço

Se o STF decidir pela prisão de Aécio Neves na terça-feira 20, como se imagina, a pressão por sua cassação vai ser enorme no Conselho de Ética e Decoro do Senado. Grupos contrários à blindagem do ex-governador por peemedebistas e tucanos argumentam que a situação desgasta o Congresso e é igual à que culminou com o expurgo de Delcídio do Amaral, exceto que agora a denúncia partiu da delação dos empresários da JBS e não de executivos da Odebrecht.

Indústria
Com vigor

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Apesar de diminuir de tamanho, a indústria farmacêutica no Brasil não vai para a UTI. Responsável por auditar os negócios do setor, a consultoria QuintilesIMS projeta que o mercado farmacêutico nacional vai alcançar a 5ª posição mundial em 2021. Ficará atrás apenas dos EUA, China, Japão e Alemanha. Hoje, com faturamento anual de R$ 50,9 bilhões, o nosso país ocupa o 8º lugar. De 610 fábricas de medicamentos para uso humano aqui em 2008, agora são 441.

PIB
Emprego sazonal

Um cético com assento na equipe econômica sugere moderação no foguetório oficial diante da tênue recuperação do índice de emprego no trimestre encerrado em abril. Ele observa que o período coincidiu com o pico da colheita da cana e de outras culturas, no qual estima terem sido ocupados perto de 60 mil trabalhadores, boa parte já desligados. O número coincide com a variação positiva de carteiras assinadas no período.

Suruba Air
O céu é o paraíso

Enilton Kirchhof


A despeito de toda a crise, de todos os escândalos, de toda a indignação popular, nossos políticos continuam nas nuvens. A um custo indecente diante da situação do País, ministros, senadores e deputados utilizaram jatinhos da FAB, nos primeiros quatro

meses deste ano, em quantidade poucas vezes vistas. As justificativas – e a imoralidade – são as mesmas de sempre.

Cidade Maravilhosa
Pela hora da morte

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Um pichador deixou sua marca, esta semana, no relógio da Central do Brasil. O sujeito escalou a torre de 110 metros de altura e emporcalhou com tinta preta o monumento, tombado pelo Patrimônio Histórico. Nada de raro, diante do menosprezo geral por nossa paisagem, mal retocada após o dano.  Porém, escandaliza saber que o prédio, desde 1929 incorporado à paisagem carioca, é sede da Secretaria de Segurança Pública do Rio. A quantidade de policiais por metro quadrado, ali, é superior à da Casa Branca.

Sangue
Perigo!

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Ao patrocinar a construção de uma fábrica de hemoderivados em Maringá, sua base eleitoral, num consórcio do qual faz parte o laboratório estadual Tecpar, o ministro Ricardo Barros presta um desserviço ao Brasil. O projeto inviabiliza a Hemobras, que ficará com tecnologia defasada.

 


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