Edição nº2483 14.07 Ver edições anteriores

Togas na mira

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Geraldo Bubniak/Agência O Globo

Com margem de negociação dramaticamente reduzida para conseguir um acordo de delação premiada, Sérgio Cabral está juntando a pólvora que lhe resta. Como só valem nesse jogo fichas inéditas, o ex-governador do Rio de Janeiro as está empilhando na área do Judiciário. Uma fonte da coluna garante que as cabeças que o ex-governador afirma poder oferecer na bandeja aos procuradores federais estão presas a três pescoços do Superior Tribunal de Justiça, a três do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e a quase 20 do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Congresso
Nada a declarar

Queridinho do momento por sindicalistas e “parceirão” de opositores ao governo federal, Renan Calheiros ficou toda a semana passada em casa, em Brasília. Entre senadores da base de apoio a Michel Temer o comentário era que ele se recolheu porque Alagoas, governada por seu filho, terá que renegociar dívidas de cerca de R$ 8 bilhões com a União. O herdeiro político sonha ser reeleito em 2018.

Meio ambiente
Economizar é possível

Nos últimos 30 anos, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) gastou bem menos que os R$ 78,5 milhões por ano (renováveis por mais quatro) que o Ministério do Meio Ambiente quer desembolsar para produzir informações sobre o desmatamento no País. O edital para contratar um serviço privado de monitoramento, por esse valor, criticado por cientistas, foi suspenso na quinta-feira 4. Eis um exemplo do descompasso: o Inpe consome cerca de R$ 5 milhões por ano para vigiar a Amazônia, com os sistemas para Produção das Informações de Desmatamento (PRODES), Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), Detecção de Exploração Madeireira (DETEX), Degradação Florestal-Estado da Floresta (DEGRAD) e do Uso e Cobertura da Terra (TerraClass). O problema não é ter mais dados e sim desenvolver ações efetivas para conter a derrubada da floresta, incluindo novos investimentos em fiscalização e controle. Foi o que tentou explicar Thelma Krug, chefe do Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento ao secretário-executivo do MMA, Marcelo Cruz. Acabou exonerada. O professor do Inpe Antonio Miguel está à frente de um manifesto que circula na comunidade científica nacional e internacional, contra o que chama de iniciativa para “desidratar” instituições públicas. O clima está quente.

São Paulo
Contra o desperdício

Enquanto o racionamento de água ameaça diversas capitais do Nordeste, principalmente Salvador, Recife e Fortaleza, em São Paulo a Prefeitura (João Doria) e a Sabesp (Geraldo Alckmin) vão firmar parceria para unir esforços na conservação da superfície e do subsolo das vias públicas. Equipes técnicas trabalharão juntas para identificar onde há vazamento de água e a pavimentação está irregular. Depois de resolvida a sangria, o piso será todo refeito.

Trabalho
Sintonia

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Divulgação

Em fase acelerada de tramitação na Câmara dos Deputados, o marco regulatório do transporte de cargas é um raro projeto no Legislativo que une empregados e empresários em prol de melhorias nas condições de trabalho. No momento em que se discutem reformas na CLT, grandes entidades de cargas e sindicatos de trabalhadores concordaram que a jornada não pode seguir tão extensa, às vezes superior à 12h, com intervalos e folgas semanais, entre outras conquistas. Espera-se que motoristas autônomos, movidos pelo bom senso, cumpram a lei que vier a ser sancionada.

Defesa aberta
Mistério e fato

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Sérgio Dutti/AE

Provavelmente jamais se saberá o que levou Antonio Palocci a demitir o criminalista Adriano Bretas, dias depois de tê-lo contratado para preparar sua delação premiada. Algumas hipóteses, aliás, são cabeludas. Mas isso não significa que o ex-ministro romperá a promessa que fez ao juiz Sérgio Moro, de contar tudo aquilo que sabe. Desde quinta-feira 4, emissários de Palocci estão sondando outros advogados especializados para dar andamento ao acordo com a Lava Jato.

Medicamentos
Muito estresse

Ao que tudo indica, os brasileiros andam para lá de tensos. No primeiro trimestre desse ano, em comparação com igual período de 2016, o remédio que mais cresceu em vendas no País – 41% – foi o genérico do anti-hipertensivo Losartana Potássica. Somadas as produções de quatro indústrias foram comercializadas 19,4 milhões de unidades, de acordo com a QuintilesIMS, que audita os negócios do setor. A Neoquímica liderou o mercado com 7,8 milhões de comprimidos vendidos no trimestre.

 

Energia
Olho vivo

Nos anos 1970, muito se falou das hidrelétricas como fonte de energia limpa e, hoje, sabe-se que não é bem assim. Os custos ambientais dos represamentos suprimem a vegetação, o assoreamento retira a vida útil da lâmina d´água etc. Hoje, se vende a ideia da energia eólica “ecofriendly”. Meia verdade. Nada amigável com a natureza uma força que vem suprimindo a vegetação da caatinga (com impacto sobre a flora e a perda de habitat para a fauna). Ambientalistas denunciam a expansão nesse tipo de mata e lembram que, na Europa, os parques eólicos são montados só em áreas devastadas. São muitos os relatos de morcegos que se chocam com as pás no Rio Grande do Sul.

Cultura
Amor e dor

Tendo a semana modernista como pano de fundo, o livro “Neve na manhã de São Paulo” (Companhia das Letras) será lançado dia 29. Nas páginas, a história da normalista de 17 anos, miss Cyclone, por quem Oswald de Andrade se apaixonou perdidamente. Ela engravidou, o escritor pediu que fizesse aborto e ela morreu. Segundo o autor José Roberto Walker, Oswald jamais se recuperou do episódio, apesar de tê-la enterrado no jazigo de sua família, no Cemitério da Consolação (SP).

Lava Mundo
Tesouros no Oriente

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Divulgação

Há um buraco no mapa dos acordos de colaboração internacional celebrados pela Lava Jato. A lista de países que estão fornecendo informações sobre investigados não inclui nenhum asiático. A Força Tarefa de Curitiba colheu indícios de que alguns figurões capturados nas malhas da operação movimentaram dinheiro sujo naquela parte do planeta. E não foi pouca coisa.

Construção Civil
Só esqueleto

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Fabio Scremin

Com custo estimado em R$ 65 milhões e muitos atrasos, parou a construção do edifício de 12 pavimentos (Torre Flamengo), no histórico terreno da UNE, no número 132 da Praia do Flamengo. Os operários foram demitidos e nada do clima de festa, de quando Lula, chefe do governo, esteve no lançamento da pedra fundamental. A seu lado, o então presidente da Une, Daniel Iliescu, disse que a obra era “uma obsessão para os estudantes”. A entidade e a construtora WTorre, consultadas pela Coluna, não explicaram a parada. O projeto tinha inauguração prevista para 2014.

Esportes
Unidos por medalhas

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Djan Madruga

Muitas arenas dos Jogos Rio 2016 estragam. Mas há contrastes. A Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno fez acordo com a Marinha, montou pistas de esgrima e alvos eletrônicos para tiro com pistola a laser no Centro de Educação Física Alberto Nunes. ALI treinarão militares e civis de alto rendimento, além de se buscar novos talentos para o esporte.


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