Edição nº2493 22.09 Ver edições anteriores

“Sempre fui agregador e faremos uma gestão corajosa”, diz Doria

O calor era escaldante na tarde de domingo, 1o de janeiro de 2017, em plena fila de cumprimentos ao prefeito de São Paulo, João Doria, após o encerramento da cerimônia de posse no Theatro Municipal, que terminou sob aplausos de 1.500 convidados a João Carlos Martins, depois de o maestro reger o “Tema da Vitória”, hino de Ayrton Senna.

A cortina que desceu sobre a orquestra era a bandeira do Brasil e indicava o final da cerimônia. Deixaram o palco João e Bia Doria,  Geraldo e Lu Alckmin, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capez, e o vice-prefeito, Bruno Covas. Fernando e Ana Estela Haddad, e a ex-vice-prefeita Nadia Campeão já haviam deixado o palco após a transmissão de posse.

Doria reafirmou que fará uma gestão “agregadora” para todos os brasileiros, independentemente de partidos, priorizando “os mais humildes e os mais pobres”. Prometeu ainda “respeito à ética e à transparência” e, quando necessário, “recuar para poder avançar”.

Vestidos de gari, “em respeito aos mais pobres”, a despeito das críticas

O prefeito de São Paulo explicou por que seu primeiro ato como prefeito seria o de vestir-se de gari, assim como todos os seus secretários e presidentes de estatais, para varrer São Paulo. “Vamos dar um exemplo de igualdade. Todos os secretários estaram na rua às seis horas da manhã, vestindo uma roupa de gari, com uma vassoura na mão, para demonstrar humildade e simplicidade. Assim será essa administração na prefeitura de São Paulo”, disse. “E não há críticas que vá nos demover de dar exemplos positivos como esse. Acordar cedo, trabalhar duro, com honestidade e decência. E o exemplo de respeito aos mais pobres, como são os garis dessa cidade.”

Farda

Ao final da cerimônia, o secretário de gestão, Paulo Uebel, que foi CEO do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), do qual João Doria é fundador, comentou que já havia recebido sua “farda” de gari em casa, na véspera, assim como todos os outros secretários convocados para a varrição na Praça 14 Bis, às seis horas da manhã desta segunda-feira 2, no centro de São Paulo.

Pinga ni mim

Minutos depois, agrupamentos enfileirados davam voltas pelo saguão principal do Theatro Municipal, por baixo da escadaria de mármore até o espaço Diana, onde Doria e o vice-prefeito Bruno Covas receberam abraços efusivos, afetivos e suados por mais de uma hora. O suor na testa, contudo, não tirou nem por um minuto o sorriso do prefeito, diante de um batalhão de câmeras à sua frente. No discurso, Doria desculpou-se pela austeridade necessária ao evento,  sem café, sem banquetes, sem nada. Só foi servido água com gás e sem gás aos convidados.

Siga a ambulância

David Uip, secretário de Saúde do Estado, tentava ultrapassar o paredão humano à sua frente na saída rumo à fila de cumprimentos. “Vamos seguir a ambulância”, alguém brincou, em referência ao secretário de Saúde de Geraldo Alckmin, que prometeu absoluta “sinergia” com seu ex-subsecretário, Wilson Polara, agora Secretário da pasta no município. Pérsio Arida pegou carona na ideia. “Isso, vamos seguir a ambulância”, provocou o economista, que deixou em dezembro a presidência executiva do BTG-Pactual. “Vem comigo”, retrucou David Uip.

2017 à ver

Arida e sua mulher, a economista Ana Carla Abrão Costa – que se desvincula da Secretaria da Fazenda de Goiás para presidir o Conselho de Gestão de finanças da Prefeitura – tentavam uma posição mais arejada na fila para saudar Doria. “É a primeira vez que venho à posse de um prefeito”, comentava pouco antes, sentado no primeiro andar das galerias laterais do Municipal. Arida, que permanece no conselho do BTG, ainda não sabe que outras atividades abraçará em 2017. “O banco já está estabilizado”, resumiu ele, em alusão a crise deflagrada após a prisão de André Esteves e sua posterior saída da presidência.

Irmão emocionado

O produtor de cinema e publicitário Raul Doria, irmão do prefeito, contou que se emocionou quando o ex-prefeito Fernando Haddad disse, em seu discurso, ter feito a transição “como se fosse para um irmão”. Haddad contou que estava com a gravata que ganhou de presente de Doria para a cerimônia. “O Haddad dizer que tratou da transição como se o João fosse um irmão dele me emocionou demais”, disse Raul. “Aliás, fiquei bem emocionado em vários momentos. Tudo que toca meus pais mexe muito comigo.” Ele estava na primeira fila, diante do palco, ao lado dos três sobrinhos, filhos do prefeito, e de sua mulher, Andrea, e seus filhos.

Na plateia de pé para Haddad, Um grito isolado de “tchau querido”

Mesmo com toda cordialidade e troca de afetos entre o ex-prefeito Fernando Haddad e o prefeito João Doria, houve quem gritasse da plateia “tchau querido” no momento em que Haddad deixou o palco do Theatro Municipal, acompanhado da ex-primeira-dama, Ana Estela Haddad, e da ex-vice-prefeita Nádia Campeão. Mas o grito irônico, remetendo à presidente Dilma Rousseff, foi um ato isolado. Toda a plateia, nas cadeiras e nas galerias, ficou de pé para aplaudir Fernando Haddad ao término de seu discurso.

Discurso dedicado aos pais

João Doria deu o tom familiar em vários momentos do seu discurso improvisado. Não só dedicou aos pais a sua chegada à Prefeitura, como narrou passagens da juventude em que passou  dificuldades na época do exílio do pai, o deputado João Doria, cassado na ditadura. “Meu pai, diante das ameaças da ditadura militar, não se envergou, nao se entregou, não cedeu e pagou caro, sabendo o que tinha que ser feito pelo seu País.” Doria citou o tempo em que a família ficava em casa no escuro porque sua mãe, Maria Silva, não tinha dinheiro para pagar a conta de luz. Dirigiu-se a Dom Odilo para dizer “nos faltava quase tudo, mas não faltava fé. Nós tivemos que voltar do exílio, depois de dois anos, porque meu pai não tinha mais condições de nos sustentar”, citou. “Minha mãe estava preparada para enfrentar essas adversidades, sofreu muito, mas o que nos confortava, todas as noites, muitas das quais sem luz em nossa casa, por falta de pagamento, era a oração.”

No tom ‘Geraldo Alckmin para presidente’  

Foi inevitável que o alinhamento entre padrinho e afilhado político no palco do Theatro Municipal desse tom ‘Geraldo Alckmin para presidente’ à cerimônia posse do novo prefeito de São Paulo. Em certo momento do discurso, Doria, bradou : “Geraldo Alckmin vai colocar o Brasil nos trilhos!”.  O governador tucano arrancou aplausos da plateia prometendo fazer uma dupla como Pelé e Coutinho, ídolos da época de ouro do Santos, na parceria das gestões municipal e estadual. Ambos torcem para o Santos.  “Agora quem dá a bola é o João Doria”, finalizou Alckmin, parodiando um dos hinos do Santos. Doria disse que a dimensão do discurso do governador paulista era “a dimensão da democracia, que devemos aplaudir. É a democracia que não tem um partido.” Ele também citou uma mensagem afetuosa no whatsapp que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lhe enviou de fora do Brasil. Foi o único tucano citado no discurso, além dos falecidos ex-governadores paulistas Mario Covas e Franco Montoro, a quem Doria dedicou como o homem que lhe iniciou na política. Doria dirigiu-se a Alckmin para encerrar o discurso, citando o autor Robert Greene, do livro “As 48 Leis do Poder”: “Sejamos ousados, Qualquer erro cometido com ousadia É facilmente corrigido. todos admiram os corajosos. Ninguém louva os covardes. Faremos uma gestão corajosa.”


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