Edição nº2480 23.06 Ver edições anteriores

Receita livre

FISCALIZAÇÃO Investigação de auditores da Receita é monitorada, diz sindicato
FISCALIZAÇÃO Investigação de auditores da Receita é monitorada, diz associação

A associação dos auditores da Receita conclui um estudo para, semana que vem, exigir que ela pare de fazer “alertas” quando Pessoas Expostas Politicamente (PEPs), como políticos, altos funcionários de estatais e seus familiares, são investigados por fiscais. Quando algum dos investigadores acessa o CPF dessas pessoas, os chefes são alertados e podem exigir explicações do motivo da análise. Se não se convencerem, o servidor pode até responder a um processo. O presidente da Unafisco, Kléber Cabral,diz que o grupo de PEPs foi criado para aumentar a vigilância sobre eles e não para protegê-los. Em 2015, a Receita acessou o CPF do ex-presidente Lula para iniciar investigações sobre ele no Paraná – motivo para um alerta ser enviado aos superiores.

Livre 2

Caso a Receita não aceite os pedidos dos auditores, a Unafisco pretende ir ao Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi),
da ONU, que estabelece regras para lavagem de dinheiro. “Se o Brasil não dá prioridade para fiscalizar e ainda cria monitoramento sobre auditores, que confiabilidade outros países terão?”, questionou Cabral à ISTOÉ.

Livre 3

No Brasil, a lista oficial de expostos politicamente é de seis mil pessoas. Apesar disso, as regras do Gafi, órgão internacional, são bem amplas, incluem mais autoridades e ex-agentes públicos. Pelos critérios brasileiros, quem deixa o cargo há mais de cinco anos fica de fora, como os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso.

Rápidas

* Com base nos critérios do Gafi, a consultoria AML Consulting montou um banco de dados de pessoas e empresas envolvidas em crimes patrimoniais, como corrupção, roubo, fraude e sequestro. De 714 mil perfis do banco de dados, localizou 307 mil indivíduos e empresas suspeitas.

* Entre os “enrolados”, havia 29 mil Pessoas Expostas Politicamente (PEPs). Eram 10.523 atuais e ex-autoridades e dirigentes de estatais. Havia ainda 18.616 familiares, ascendentes, amigos, secretárias e empresas.

* Torquato Jardim, que até domingo passado era da Transparência, caminhava pelo Jd. Botânico de Brasília, logo após comprar pães integrais, quando foi convocado ao Jaburu para ser convidado a assumir a Pasta da Justiça.

* Sai ou não sai? Conversas sobre uma delação premiada do lobista Milton Lyra voltaram a circular em Brasília. Por enquanto, ninguém se manifesta abertamente sobre o operador do PMDB, delatado pelo executivo Nelson Mello.

Ansiedade pré-prisão

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Ailton de Freitas

Laudo do IML de Brasília aponta que, antes de chegar ao Brasil para ser preso na operação Blackout, o lobista Jorge Luz, 73 anos, tinha “duas escoriações superficiais em arrasto de cerca de 0,5 cm e 0,2 cm em face posterior (dorsal) de falange distal de 1º quirodáctilo direito”. Não entendeu nada? Luz disse ao médico que ficou “ferido [ao] morder o [próprio] dedo durante o voo”. “Ansiedade”, aposta um policial. É sério.

Retrato falado

 “Partido sujo eu não aceito”
“Partido sujo eu não aceito” (Crédito:Divulgação)

O jurista Luiz Flávio Gomes foi procurado por quatro partidos interessados em sua candidatura nas eleições de 2018: Rede, PV, Novo e PHS. No lançamento de seu livro “O jogo sujo da corrupção”, ele disse que não pode se filiar a uma legenda que tenha gente investigada na Lava Jato e em outras operações da Polícia Federal. Caso decida se candidatar, já tem 28 das 35 legendas descartadas.

Contando se acredita

Tem muita gente bem informada em Brasília que garante que a trambicagem nas agências de publicidade do Banco do Brasil, da qual emergiu do certame a, digamos, pouco qualificada para a função Multi-Solution, possui a batuta de ninguém menos que José Dirceu. Os pontos se juntam da seguinte forma: a agência Giacometti, conhecida por sua relação com Dirceu no governo Lula, não gostou nada de ver seu contrato cancelado com o BB em agosto de 2016. Por ter esse conhecido vínculo com gestões passadas, ela não via nenhuma chance de voltar a prestar serviço para a instituição financeira. Porém, manteve seu “know-how” em se dar bem nas comissões julgadoras das licitações. E foi aí que teve a brilhante ideia de usá-lo a favor de um amigo, Pedro Queirolo, o dono da Multi-Solution.

Toma lá dá cá

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Divulgação

Carlos Frederico Santos, subprocurador-geral da República e candidato a chefiar a PGR

A Lava Jato será prejudica se o sucessor de Janot não for do grupo dele?
Está mais que provado, pela morte prematura do ministro Teori Zavascki, que não é uma pessoa que faz a investigação funcionar. Continua havendo investigação, buscando a verdade e tentando depurar o que existe de mal e de ruim no sistema político brasileiro. A Lava Jato é uma investigação de sucesso e imprescindível.

Há excesso de delações na Lava Jato?
Não podemos descartar nenhum tipo de modelo, porque um serve para cada momento. Agora, logicamente, não basta a delação. Tem que haver uma complementação de prova que confirme o que está delatado. É nisso que vamos ver o resultado desse trabalho.

As delações precisam ser checadas. Isso leva tempo. Como o senhor avalia a demora na conclusão dos inquéritos?
Falta capacidade de dar uma resposta imediata. Ninguém gosta de ficar eternamente com uma espada na cabeça. É culpado ou é inocente. Pessoas querem ter uma definição. Essa falta de uma resposta imediata ou a médio prazo é que gera esse sentimento de falta de capacidade.

Graça alcançada

Dias antes do sorteio que distribuiu o inquérito do senador Aécio Neves (PSDB-MG), baseado no grampo com Joesley Batista, para o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, o parlamentar confidenciava a aliados: torcia para cair justamente com o magistrado sorteado. Por achar que o julgamento dele não sofreria pressões.

Da briga à banca

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Divulgação

Depois de muito brigar como subprocurador-geral da República, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão se aposentou essa semana. Vai advogar e espera tempos de paz. Está inaugurando escritório que fica no Lago Sul, área nobre de Brasília. “Advocacia consultiva, principalmente empresarial e internacional”, explicou ele à ISTOÉ.

Vivinho da Silva

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Eduardo Militão

O Posto da Torre, onde surgiu o nome da Operação Lava Jato por ser usado para lavar recurso sujo do esquema, estava em promoção na última quinta. Perto de hotéis que hospedam parlamentares em Brasília, oferecia desconto de 10 centavos no litro da gasolina para quem usasse dinheiro vivo como forma de pagamento.

 

 


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