Edição nº2475 19.05 Ver edições anteriores

Quero ser professor

Na última semana, uma frase infeliz dita por mim sobre os jovens que querem ingressar na carreira de professor causou polêmica nas redes sociais. Há dois anos, entrevistado sobre a desvalorização do magistério no Brasil, disse que os ingressantes nas licenciaturas são aqueles que não tiveram um grande desempenho no Ensino Médio e veem esse caminho como a forma mais fácil de ingressar no Ensino Superior. Fiz a afirmação tomando como referência as notas mínimas de entrada em cursos de alta valorização no mundo do trabalho, como Medicina e Direito, em comparação àquelas registradas nos cursos das licenciaturas. Reconheço, porém, que jamais poderia ter feito essa generalização. Foi um erro que reconheci logo que a matéria foi ao ar. Na ocasião, busquei me desculpar com os jovens que efetivamente desejam seguir a bela carreira do magistério, apesar de ser muito desvalorizada em nosso país.

Tenho dedicado anos de minha vida para reverter esse quadro de desvalorização. Tenho feito isso não só escrevendo artigos de opinião em defesa do professor e de sua carreira, mas participando de debates nacionais sobre o tema e propondo projetos e programas aos órgãos de governo para melhorar a formação e valorização do professor no Brasil, como é o caso do programa “Quero ser Professor”, sugerido ao Ministério da Educação.

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Entretanto, acredito que a melhor forma de expressar meu respeito e carinho aos futuros professores do Brasil foi a dedicação que sempre tive aos meus alunos de licenciatura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Até hoje, guardo comigo não só os resultados das avaliações positivas de minhas aulas que recebi dos alunos, como também o cuidado e atenção com que sempre os tratei.

Ser professor para mim foi uma dádiva, que me levou a recusar, após concluir meu curso de Engenharia Química na UFPE, um convite para trabalhar na Petrobras. Naquela oportunidade, passei no processo seletivo da empresa, o que levou meu pai a sentir um grande orgulho. Mas, para sua surpresa, disse-lhe que não aceitaria. Ele, perplexo, perguntou-me o porquê da decisão e eu simplesmente respondi: porque quero ser professor!

Essa, sim, foi a frase que marcou a minha vida e que vem me inspirando na luta em prol do professor no Brasil. Por isso, fiquei triste em ter atingido com a minha declaração exatamente aqueles jovens que querem seguir o magistério. Peço desculpas. Por outro lado, fiquei também feliz por eles terem reagido ao meu erro, o que demonstra que eles têm força e vontade de mudar efetivamente esse quadro. Por isso, agradeço a crítica que recebi por minha declaração equivocada, já que me fez relembrar da frase mais marcante de minha vida: quero ser professor!


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