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Primeira infância: brincar é fundamental

É só deixar acontecer. E se você for privilegiado, vai conseguir testemunhar de longe ou participar de alguns dos mais belos momentos que as crianças são capazes de produzir. Quando elas brincam, materializam-se a essência da curiosidade, o rigor da concentração, a alegria da descoberta, a poesia da imaginação. Ver uma criança brincar é ver o ser humano crescer e aprender. Por essa razão, poucas atividades são mais fundamentais na infância do que brincar. “É tão essencial quanto dormir e se alimentar”, diz a enfermeira especializada em Saúde Pública Anna Maria Chiesa, professora da Universidade de São Paulo e consultora da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. A entidade é referência em estudos e iniciativas para a primeira infância no Brasil.

De fato, tudo acontece ali. A brincadeira, por exemplo, é a principal forma de comunicação da criança. Por meio dela, os pequenos expressam suas emoções, revelam de que maneira interagem com os outros e também começam a receber parte importante de seu aprendizado social: aprendem valores como o respeito pelo outro, a paciência, a administrar frustrações e a avaliar riscos.

O desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas também se dá durante os jogos, o tempo para o desenho, os minutos dedicados a ouvir, a contar e a representar histórias. Um minucioso levantamento publicado recentemente no The Lancet Global Health demonstrou que as crianças mais estimuladas a brincar apresentam índice mais elevado de quociente de inteligência e melhor desempenho nas funções executivas cerebrais – entre elas a capacidade de pensar de forma criativa.

É interessante que os pais ou cuidadores dediquem tempo para participar de alguns desses momentos. Entre outras razões, porque as crianças gostam de ter suas conquistas reconhecidas. E como tendem a imitar aqueles nos quais confiam, conseguem aprender ao, por exemplo, observar o manuseio de um objeto por um adulto ou de que forma a mãe constrói um pensamento lógico. A seguir, as principais formas pelas quais a evolução acontece.

Tipos de jogos que fazem parte da infância*

Jogos de exercício de pensamento

Envolvem a curiosidade da criança em saber o porquê de tudo ou quando falam como se estivessem conversando consigo mesmas. Fazem isso pelo prazer de juntar palavras e formar ideias

Jogo de exercício

A criança repete gestos e movimentos, como pular e correr

Jogos simbólicos

São característicos da fase que se inicia com o aparecimento da linguagem. Ela usa o universo imaginário para realizar seus desejos e trabalhar conflitos

Jogos de construção

Estão entre o jogo e a imitação. A criança constrói e descontrói a realidade e seu mundo

*Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

 

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Hora de aprender se divertindo

Baldinho, massinha, bichinhos. Tudo isso faz parte do universo de brincadeiras do Arthur Formiga Bueno, dois anos e oito meses. Algumas ele faz sozinho. Outras são partilhadas com os pais, os médicos Bruno e Cristina. Tem contação de história, imitação de bichos, gigantes, e até a criação de um personagem, pelo pai, de um vovô meio atrapalhado e cegueta que o menino apelidou de serelepe. É nessas horas que Arthur se diverte enquanto aprende.


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