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Pernambuco terá memorial em homenagem à Batalha dos Guararapes

O Ministério da Defesa vai investir R$ 5 milhões na construção de um memorial em homenagem às tropas formadas por brasileiros e portugueses que enfrentaram os holandeses na Batalha dos Guararapes, em 1648 e 1649. O memorial deverá reunir objetos e documentos relacionados ao episódio histórico e faz parte do Plano de Revitalização do Parque Histórico Nacional dos Guararapes, localizado no município de Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife.

O anúncio foi feito hoje (15) pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann. “Ter aqui [um local] onde nossos jovens, pessoas que vêm de fora e também pernambucanos, conheçam a realidade do que foi a expulsão dos holandeses e afirmação da identidade do nacionalismo brasileiro”, disse. Em seu discurso, o ministro enfatizou a “mestiçagem” do Brasil e o seu papel para “combater a intolerância”.

A Lei Rouanet também será utilizada para captar recursos privados para o memorial. A ferramenta permite que empresas patrocinem atividades e equipamentos culturais em troca de dedução no Imposto de Renda. “A Lei Rouanet tem essa característica de que mesmo em momentos que você tenha restrições orçamentárias você possa trazer da iniciativa privada recursos para a implementação de produtos culturais. No caso concreto, aqui, algo de importância para a história, a cultura pernambucana e brasileira. Nada poderia ser melhor para a atuação da Lei Rouanet que um exemplo desses”, disse o ministro da Cultura, Roberto Freire.

A história a ser lembrada no espaço remonta à década de 1640, quando ocorreram duas batalhas em Montes dos Guararapes para combater o domínio holandês na capitania hereditária de Pernambuco. Esses episódios são considerados marcos da construção da identidade nacional porque juntou brasileiros, inclusive indígenas, e portugueses contra os holandeses. Em 1654, a Holanda se retirou de Pernambuco.

Comunidades do entorno

O plano de revitalização também vai incluir medidas em relação a comunidades de baixa renda que se formaram no entorno do parque nacional ao longo das últimas décadas. Cerca de 40 mil pessoas vivem na região.

O presidente da Associação de Moradores da Vila Nova Divinéia, Daniel Carlos de Albuquerque, esteve no evento de hoje para saber o que seria anunciado, mas disse nenhuma liderança foi chamada para o anúncio. Segundo ele, a comunidade ainda não foi chamada a discutir o plano de revitalização, e as famílias temem serem retiradas do local.

“A comunidade está fora da discussão. Desde já eu agradeço e parabenizo o parque que será montado aqui, mas acima de tudo que a comunidade seja ouvida e respeitada”, disse. O líder comunitário também pede que o acesso ao parque seja liberado à população. Segundo Albuquerque, a área está cercada há três anos.

O ministro da Cultura, Roberto Freire, afirmou que a retirada das famílias “não tem sentido”, e que uma comissão interministerial vai levantar as informações sobre a situação dessas comunidades. “A ideia, pelo contrário, é de regularizar”, disse.

O plano também tem um eixo de recuperação ambiental do parque, ainda sem previsão orçamentária. A responsabilidade pela gestão da área também não está definida. “Acho que o memorial ficará por conta das Forças Armadas. O parque, que é uma coisa muito mais abrangente, deverá ficar por conta da prefeitura [de Jaboatão dos Guararapes] e do governo do estado”, disse Jungmann.