Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Pau de arara

Os senadores do PMDB, liderados pelos ex-presidente da Casa Renan Calheiros, estão articulando a criação da CPI dos Altos Salários no Poder Judiciário. A iniciativa tem o apoio do presidente do PMDB, Romero Jucá. O objetivo é colocar integrantes do Ministério Público, que teriam passado da conta na Lava Jato, no banco dos réus sendo, constrangidos a abrir seus contra-cheques e a explicar os rendimentos. Os peemedebistas pretendem adotar outras iniciativas semelhantes com quem consideram tê-los perseguido. Um dos alvos é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele é tratado como o inimigo número um depois de ter denunciado o presidente Temer, baseado na delação de Joesley Batista, da JBS.

Dindin

O senador Fernando Collor é outro entusiasta da CPI. A Comissão vai determinar o cumprimento da lei, que manda devolver
o que foi recebido indevidamente nos últimos cinco anos. Um senador comentou que os justiceiros terão de provar que são mais decentes que os demais e se aguentam os tiros com os quais alvejam a atividade política.

Repeteco

Essa não é a primeira vez que o Senado vai para cima do Judiciário. Em 1999, o ex-presidente da Casa Antonio Carlos Magalhães criou uma CPI com tal objetivo. Com o apoio de 49 senadores, denunciou obras contratadas fora da lei de licitações, uso indevido de verbas públicas, nomeações irregulares, nepotismo e corrupção.

O candidato

Valter Campanato/Agência Brasil

Revelado o motivo pelo qual o deputado André Moura vem sendo mantido na liderança do governo na Câmara. Não se deve apenas ao fato de representar a bancada do chamado Centrão, que chega a reunir 150 parlamentares. Ele vai sair do pequeno PSC, que tem uma bancada de dez deputados, e se filiar ao PMDB. Está tudo negociado para Moura ser o candidato do partido ao governo de Sergipe.

Rápidas

* Pelos corredores do Congresso são muitos os que falam que a próxima confusão virá com o Fundo Partidário. Todos os partidos usam esse dinheiro para fins aos quais legalmente ele não deve ser destinado. Há dirigentes partidários que chegam a ser chamados de ideólogos de holerite.

* A formação de partidos Frente, como a da Frente Ampla do Uruguai, esbarra na divisão do Fundo Partidário. Hoje, cada pequeno partido de direita, de esquerda ou sem cor administra sua bolada. Mas quem vai ficar com a chave do cofre em caso de fusão?

* O distritão e o bilionário Fundo Público Eleitoral terão sua última chance na Câmara na próxima semana. Se conseguirem 308 votos vão para o Senado, do contrário vão para o arquivo. Os deputados mais experientes já estão convocando uma missa de sétimo dia.

* O presidente do PMDB, Romero Jucá, define as eleições de 2018: “É uma eleição para doido. Não é para gente de juízo. É uma eleição aberta, de ódios, de turba. Será Jesus x Barrabás”.

Retrato Falado

“Essa é uma briga entre Pernambuco e São Paulo pelo controle do PSB” (Crédito:Camara dos Deputados )

O PSB está se desintegrando. Ontem, o senador Fernando Bezerra (PE) foi para o PMDB. O deputado Heráclito Fortes (foto) conta que uma parcela da bacada socialista vai para um novo partido. Ele terá como núcleo o DEM, vai reunir dissidências de todos os lados e pode vir a se chamar “Movimento Brasil”. O vice de São Paulo, Márcio França, sai enfraquecido na sua luta pelo controle do PSB contra o atual presidente, Carlos Siqueira, e o governador Paulo Câmara.

Toma lá dá cá

Moreira Franco, Secretário-geral da Presidência

Qual sua avaliação do retrocesso da delação de Joesley Batista?
Sou da velha guarda. Sobre questões judiciais só se fala nos autos. Mas reconheço que no momento isso não está sendo muito cumprido. Nós, da antiga, nos pautamos pelo pronunciamento final da Justiça.

E quanto aos prejuízos da denúncia feita pelo procurador-geral contra o presidente?
A espetacularização de todo esse episódio prejudicou muito a economia e o Brasil. Não foi só o Rodrigo Janot. Foi o tratamento que se deu à denúncia. Não fosse isso, a reforma da Previdência teria sido aprovada em junho e os números da economia seriam ainda melhores do que são hoje.

Qual o próximo passo do governo?
Vamos retomar a reforma da Previdência. A morte é uma vitória sobre a vida, mas existe a ressurreição. Ela é uma vitória davida sobre a morte. Nós resistimos. E vamos dar vida a uma reforma, que vem sendo dada como morta.

Correndo na frente

O distritão e a criação do bilionário Fundo Eleitoral foram para o espaço. Mas a Câmara aprovou a PEC que coloca um fim às coligações nas eleições proporcionais e cria uma cláusula de barreira de 1,5% dos votos em 2018. Os deputados fizeram isso, pois foram avisados que o TSE tomaria tal decisão. Não seria a primeira vez. Nas eleições de 2002, o TSE aprovou a verticalização das coligações. A regra as vinculava nas eleições presidenciais com a dos governos estaduais. Depois do pleito, vencido por Lula, o Congresso derrubou isso. Em 2014, tentaram mudar a representação de 13 estados. Mas, pressionados, desistiram.

Quem decide

Os tucanos receberam o seguinte recado dos seus principais aliados: a escolha do candidato a presidente não pode ser exclusividade do PSDB, mas deve ser adotada em conjunto com os parceiros eleitorais. Eles, a exemplo do prefeito João Doria (foto), também são contra uma prévia interna, como defende o governador Geraldo Alckmin.

Suamy Beydoun

Perder só

Os potenciais aliados advertem que nenhum partido apoiará um candidato que não ofereça perspectiva de vitória. Lembram eleições anteriores, em que partidos à direita e conservadores fizeram campanha para o PT em função das alianças regionais. Há ainda quem avalie que, se for para ser derrotado, é melhor perder “com um candidato meu”.

São Paulo no comando

Agencia O Globo

O Brasil teria uma agenda urbana, liberal e mais à direita se São Paulo tivesse peso maior no Congresso. A avaliação é do cientista político Jairo Nicolau, que no livro “Representantes de Quem?” aborda as distorções da representação. Adotada a regra de um eleitor um voto, São Paulo teria 111 deputados. Hoje são 70. Pelas simulações, o Norte perderia 27.


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