Edição nº2476 26.05 Ver edições anteriores

Papai Temer para presidente

Se ele for candidato, terá a coragem de tomar as medidas impopulares que são necessárias para garantir a solvência do Estado e a estabilidade da economia?

Ao buscar na escola, na terça-feira 26, o filho Michelzinho, o presidente interino Michel Temer virou notícia, despertou a ira de muitos críticos de gestos populistas, agradou o garoto – qual criança não gosta de ser buscada e valorizada pelo pai? – e fez mais do que uma ação de marketing para humanizar sua figura pública. Como no episódio em que deu um tapa na mesa, o cacique do PMDB mostrou que tem sangue nas veias e quer melhorar a sua imagem junto ao povo brasileiro para, se tudo der certo em seu governo de transição, sair candidato a presidente da República em 2018. “Se puder ser cabeça de chapa e entrar para a História como um dos grandes líderes do Brasil, sê-lo-ei, sim senhor!”, interpretaram argutos observadores políticos ao ver o sorriso no rosto do atencioso papai.

Temer nega essa possibilidade, em uma atitude cautelosa e inteligente de quem precisa atrair muitos aliados para permanecer no poder e manter a paz relativa em Brasília até a votação final do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, pelo Senado. Mas, como avalia um aliado político em ascensão na política de São Paulo, berço político de Temer, “é óbvio que um senhor de 75 anos, que tem uma bela esposa 42 anos mais jovem e um filho de sete, é ambicioso e faz grandes planos para o futuro”.

Se Dilma voltar a Porto Alegre e Temer concluir o mandato com bons resultados na economia – já se prevê crescimento acumulado de 6% em 2017 e 2018 se o impeachment passar e as algumas reformas avançarem no Congresso, como a da Previdência –, seus baixos índices de popularidade podem subir e viabilizar a candidatura presidencial do pai de Michelzinho. Seria a primeira chance majoritária do PMDB em mais de duas décadas, desde Orestes Quércia, que ficou em quarto lugar em 1994, atrás de Enéas Carneiro, do Prona. Nesse cenário, o sonho do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de ser o sucessor de Temer teria de esperar. E a hipótese de o chanceler José Serra sair do PSDB para concorrer a presidente pelo PMDB teria de ser enterrada.

Como a tentação da reeleição costuma ofuscar a visão dos presidentes, fica a dúvida: se for candidato, Temer terá a coragem de tomar as medidas duras e impopulares que são necessárias para garantir a solvência do Estado e a estabilidade da economia?


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