Medicina & Bem-estar

Os vírus ganharam?

Pesquisas mostram que a zika e a febre amarela podem estar mais fortes. Na África, o ebola voltou

Crédito: Reuters TV

COMBATE Em 2014, médicos iam às vilas africanas para detectar infectados pelo ebola (Crédito: Reuters TV)

Três notícias divulgadas na semana passada mostraram mais uma vez que a luta da medicina contra os vírus ainda será longa. Na África, o ebola voltou a atacar, depois de matar cerca de onze mil pessoas durante a epidemia de 2014, a pior desde a identificação do vírus, há 41 anos. No momento, equipes coordenadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) tentam conter a proliferação da doença no norte da República Democrática do Congo. Três pessoas já morreram e vinte casos encontravam-se sob investigação.

Na China, cientistas da Universidade Tsinghua anunciaram a descoberta de uma mutação genética no vírus da zika que contribuiu para sua rápida proliferação pelo mundo. No Brasil, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz detectaram que o causador da febre amarela sofreu alterações no genoma relacionadas à sua capacidade de replicação. Elas poderiam ajudar a compreender porque o vírus provocou neste ano no País a maior epidemia em sete décadas.

Resposta rápida

O combate aos vírus sempre representou um dos maiores desafios exatamente por causa de sua grande habilidade de mudar para driblar as defesas humanas. Na pesquisa da Fiocruz, por exemplo, sete das oito mutações foram registradas nas duas mais importantes proteínas para a replicação viral. “Consideramos que é possível haver uma vantagem seletiva, refletindo-se na capacidade de infecção e disseminação do vírus”, explicou Myrna Bonaldo, coordenadora do trabalho, junto com o pesquisador Ricardo Lourenço.

MUDANÇA Na Fiocruz, no Rio de Janeiro, cientistas localizaram mutações no vírus da febre amarela
MUDANÇA Na Fiocruz, no Rio de Janeiro, cientistas localizaram mutações no vírus da febre amarela (Crédito:Josué Damacena/IOC/Fiocruz)

Uma das formas de responder a essa capacidade é aprimorar os sistemas de vigilância para que identifiquem o começo de surtos com presteza. Pelo menos desta vez foi o que aconteceu no Congo em relação ao reaparecimento do ebola. A partir da informação do primeiro caso, a OMS rapidamente despachou ao local profissionais especializados. “Estamos melhor preparados. A rapidez da resposta agora foi incomparável”, diz o infectologista Jesse Alves, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O Twitter contra a gripe

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Damien Meyer

Um time de cientistas internacional criou uma forma de rastreamento da gripe usando o Twitter. As informações de sintomas transmitidas por usuários na rede social servem para identificar onde estão os surtos e o nível de agressividade do Influenza, o vírus causador da doença. “Monitorar a evolução da gripe é fundamental para evitar epidemias”, disse à ISTOÉ Qian Zhang, integrante da equipe que desenvolveu o sistema. O esquema conseguiu prever o comportamento do vírus seis semanas antes do tempo levado pelos modelos tradicionais.