Medicina & Bem-estar

Os Apps da fertilidade

Aplicativos informam os períodos férteis e conquistam mulheres que cada vez mais buscam métodos não hormonais para evitar a gravidez

Os Apps da fertilidade

Na esteira das mulheres que querem abandonar o uso de métodos contraceptivos hormonais, estão surgindo vários aplicativos que prometem apontar o período fértil com precisão e segurança. Recentemente, um deles, o Natural Cycles, tornou-se inclusive o primeiro do mundo a ser certificado por autoridades de saúde e classificado como um método de contracepção confiável na categoria médica. A designação garantiu ao software a permissão de ser prescrito pelos médicos do National Health Service, do Reino Unido.

Nas avaliações às quais foi submetido, o aplicativo mostrou eficácia semelhante as dos contraceptivos hormonais e superior a apresentada pelos preservativos. ”Ele faz um mapa individualizado ao avaliar a condição fisiológica de cada usuária”, diz o ginecologista Rodrigo da Rosa Filho, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e autor do livro Ginecologia e Obstetrícia – Casos Clínicos. “Ainda assim não podemos nos esquecer de que somente a camisinha protege contra doenças sexualmente transmissíveis”, ressalva.

A lista de apps da fertilidade inclui ainda programas como o OVuView, o Clue, o Maia e o EVE. A maioria fornece previsões sobre o ciclo menstrual, o período da ovulação e constrói gráficos de fertilidade. Os softwares precisam ser atualizados todos os dias com dados da temperatura basal da mulher (um termômetro especial deve ser usado para isso porque as mudanças são bastante sutis, embora façam muita diferença no acompanhamento do ciclo). É uma informação chave. As oscilações são indicativos das mudanças hormonais ocorridas ao longo do ciclo menstrual, o que possibilita estabelecer quando a mulher entra no período de ovulação, por exemplo.

SEGURANÇA Marielen acredita que o recurso lhe dá controle sobre a contracepção
SEGURANÇA Marielen acredita que o recurso lhe dá controle sobre a contracepção

Na opinião das usuárias, esses aplicativos representam uma opção simples e segura de contracepção. “O app me traz a tranquilidade de ter o controle da minha saúde reprodutiva”, diz a fotógrafa Marielen Romão, 29 anos. Ela abandonou a pílula anticoncepcional por temer os efeitos colaterais do remédio.

Foi justamente essa a ideia de Elina Berglund e Raoul Scherwizl, engenheiros suecos que criaram o Natural Cycles em 2012. Elina procurava um contraceptivo alternativo e não estava feliz com o que havia encontrado no mercado. “Os aplicativos educam as mulheres e mudam a forma como elas enxergam seus corpos. Elas sentem-se livres e seguras”, disse a ISTOÉ Raoul Scherwizl. Usuária desses recursos, a estudante Marcela Pires da Silva, 23 anos, concorda. “Nunca fomos estimuladas a nos conhecer. Saber quando estamos nos dias férteis é libertador.”

Como eles funcionam

• Ao comprar o software, a usuária recebe um termômetro que detecta oscilações mínimas de temperatura
• Elas são registradas diariamente
• As variações permitem uma leitura indireta dos níveis hormonais ao longo do ciclo menstrual
• Depois da ovulação, por exemplo, o aumento das taxas de progesterona faz com que o corpo da mulher fique 0.45ºC mais quente
• Também impacta na taxa de sobrevivência do espermatozóide dentro do corpo feminino
• A partir dos dados, um algoritmo calcula os dias férteis