Edição nº2493 22.09 Ver edições anteriores

O samba carioca

45Primeiro prefeito do PRB a vencer eleições e a governar uma capital brasileira, Marcelo Crivella (foto) passou os últimos dias sob fogo cerrado no Rio de Janeiro. Parte da mídia e alguns cariocas cobraram sua ausência na Marques do Sapucaí, para assistir os desfiles das escolas de samba. Também foi questionado por não entregar as chaves da cidade ao Rei Momo – cerimônia na sexta-feira 24, em que foi representado pela secretária de Cultura Nilcemar Nogueira, neta de coração de Cartola e personagem atuante no mundo do Samba.

Na quarta-feira 1º, Crivella falou pela primeira vez sobre os episódios. Foi direto ao assunto: “Ninguém deve ser obrigado a fazer nada e a pauta do prefeito não necessariamente tem que coincidir com a da imprensa e de todos os moradores do Rio de Janeiro”.

O debate em torno do que Crivella fez – ou deixou de fazer – no Carnaval ganhou ainda conotações políticas. O ex-prefeito Eduardo Paes trocou o seu perfil no Facebook, exibindo uma foto em que aparece com o Rei Momo. A tradição de entregar as chaves da cidade ao personagem da mitologia grega que virou símbolo do carnaval carioca vem de 1984. Por sua vez, o prefeito esteve na tradicional cerimônia dos 452 anos do Rio, na quarta-feira 1º, no Aterro do Flamengo.

O prefeito nunca escondeu seu vínculo com a Igreja Universal do Reino de Deus, dirigida no Brasil pelo bispo Edir Macedo, seu tio. Forçá-lo a ir a uma festa para a qual não tem gosto ou obrigação é bem discutível. Como gestor fez o seu papel: os órgãos públicos municipais funcionaram na festa. O que parece mais justo é cobrar de Crivella transparência nos contratos entre a prefeitura e a Liga das Escolas de Samba do RJ – e nos demais contratos públicos do município.

Ninguém deve ser compelido, por gosto de terceiros, a brincar ou participar do carnaval. Virão outros carnavais, o Rio terá prefeitos que gostarão ou não da festa. Mas deles sempre será a obrigação de tornar os serviços públicos cada vez mais eficientes, antes, durante e depois do evento.

UNIÃO
Briga longa

A AGU prepara novo pacote de cobrança contra empresários, cujos funcionários sofreram acidentes de trabalho por negligência da firma. O montante de cada processo na Justiça equivalerá ao dinheiro gasto com benefícios do INSS, decorrente da ocorrência. De 2010 a 2016 foram ajuizadas 4.070 ações do gênero . A expectativa de ressarcimento é de R$ 737 milhões, dos quais apenas R$ 27 milhões entraram nos cofres públicos no período.

JUSTIÇA ELEITORAL
Sem efeito

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Sob fogo cruzado, Luiz Fernando Pezão (foto) vencerá uma batalha. O TRE-RJ terá que rever a decisão de cassar (3×2) os mandatos do governador e de seu vice, Francisco Dornelles. Alterada em 2016, a Lei 13.165 exige que todos os juízes de tribunal eleitoral vote em decisões do gênero. Dia 8 passado, a magistrada Cristiane Frota foi impedida de julgar e o presidente da Corte fluminense ficou na dele – o defasado Regimento Interno só o obriga atuar para desempate.

STF
O novato decide

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Caberá a Alexandre de Moraes (foto) desempatar (5×5) votação de grande interesse dos trabalhadores, tão logo ponha os pés no STF. A União, Estados, Municípios e órgãos das administrações direta e indireta, como fundações, autarquias e estatais continuarão sendo responsabilizados quando empresas terceirizadas que contratarem não cumprirem suas obrigações trabalhistas? Se o novo ministro descartar o vínculo, milhares de trabalhadores terceirizados poderão em breve estar sem salário, sem emprego, sem verbas rescisórias e sem ter a quem cobrar tudo isso.

BRASIL
Hora crucial

Entre as muitas conversas no Palácio do Planalto na semana passada, a certeza de que o TSE ganhou uma grande dimensão, nos momentos que antecedem a apresentação do voto do ministro Herman Benjamin, relator da ação das contas de campanha da chapa Dilma-Temer. Na prática, considera-se que o tribunal decidirá um segundo processo de impeachment do governo reeleito em 2014. O julgamento será longo. E com a “Espada de Dâmocles” nas mãos do ministro Gilmar Mendes.

EMPRESAS
Troca concorrida

A decisão de Michel Temer de trocar o comando da Vale exclui substituir o presidente Murilo Ferreira por seu braço direito, Clóvis Torres. Incomodaram o governo as ações da dupla para seguir dando cartas na empresa e a entrevista de Ferreira atacando Aécio Neves. Tito Martins, da Votorantim Metais, perde pelo não aval do PMDB. José Carlos Martins tem o ônus de estar denunciado no acidente da Samarco, em MG, tal como Peter Poppinga. Já Rômulo Dias conta com o ok do mercado financeiro e do Bradesco. Por fora correm Eduardo Bartolomeo, da Vale, Marco Polo Lopes, do Aço Brasil, e Fábio Spina, do Grupo 3G.

GOVERNO
Língua solta

A Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, órgão do Ministério do Planejamento, está trabalhando dobrado. Vários alertas foram emitidos nos últimos meses para diretores de empresas públicas, lembrando que decisões de governo, no caso de empresas abertas, têm que ser publicadas como “fato relevante”, antes de anunciadas em público. O descuido tem acarretado multas pelos órgãos reguladores do mercado.

CRISE POLÍTICA
Ao pé do ouvido

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“Nada como ficar com a verdade” foi a frase que José Yunes (foto) diz ter ouvido de Michel Temer, quando esteve com o presidente, no Palácio do Alvorada, antes de anunciar em público ter sido usado como “mula” por Eliseu Padilha, o desgastado chefe da Casa Civil. O ministro foi citado por Marcelo Odebrecht, no depoimento ao TSE.

INTERCÂMBIO
Ainda bem

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Enquanto Donald Trump demonstra incapacidade de tolerar quem pensa diferente de seus pontos de vista, instituições americanas dão provas de resistência ao presidente. Delegação da Soutthern University de Baton Rouge, Louisiana, vem ao Brasil para implementar acordos com a UFRJ e a Universidade do Estado da Bahia. Samba e black music nesta sexta-feira 10, no Renascença Clube, no Rio de Janeiro, simbolizarão o desejado intercâmbio cultural entre afro-brasileiros e afro-americanos. Criada em 1880, a Southern é uma instituição “historicamente negra”.

AUTOMÓVEIS
Máquinas na pista

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Até agora 46 carros fora de série estão inscritos para o II Rally Estrada Real, de 26 a 28 de maio, promoção do Clube de Veículos Antigos de MG. No rol das raridades que percorrerão 200kms está o emblemático Cadillac Series 62, de 1941.


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