Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

O maior legado de Barack Obama é Donald Trump

Por maior que seja a boa vontade da imprensa americana e também internacional em relação a Barack Obama, o primeiro presidente negro da história dos EUA, a realidade é que ele deixa o cargo, na sexta-feira 20, como um derrotado. E nada expressa tão bem o fracasso de Obama como o simples fato de que o homem escolhido para sucedê-lo foi o fanfarrão Donald Trump – na prática, o maior legado de Obama ao mundo.

Ele fracassou tanto internamente como na agenda global. Nos EUA, a precarização do trabalho e a crescente desigualdade alimentaram a revolta de amplos segmentos da sociedade que enxergaram em Trump uma esperança de retorno ao chamado sonho americano, em que as novas gerações poderiam sempre esperar progredir em relação às anteriores. Internacionalmente, Obama manteve a mesma política destrutiva no Oriente Médio, disparando mais de vinte e seis mil bombas, e também apoiou a derrubada de governos, inclusive na América Latina. Hillary Clinton, a candidata escolhida para sucedê-lo era a encarnação dessa geopolítica imperialista, incompatível com a dinâmica de um mundo multipolar.

Nada expressa tão bem o fracasso dos anos Obama como a pessoa escolhida para sucedê-lo. Trump é de fato uma piada. Mas um dos responsáveis por sua ascensão é Obama

No entanto, com a derrota da guerrilha apoiada pelos EUA na Síria, Obama perdeu a sua última batalha militar e não foi capaz de derrubar o regime de Bashar Al-Assad, apoiado pela Rússia. Tal fracasso desencadeou uma patética histeria em Washington contra Moscou. Numa de suas últimas entrevistas, Obama classificou a Rússia como uma nação fraca, exportadora de matérias-primas, ao mesmo tempo em que atribuiu a “hackers russos”, controlados por Vladimir Putin, a vitória de Trump. Ficamos então combinados assim: os russos são fracos mas fizeram o novo presidente dos EUA.

Obama deixou como legado, portanto, a queda do império americano. Não por acaso, diversos analistas enxergaram na vitória de Trump o fim da chamada “pax americana”, que pode ser também o prenúncio de uma era de desglobalização. Trump já ameaçou empresas como Fiat, Ford e Toyota, que pretendiam exportar carros para os americanos a partir de países emergentes, e segue em frente com seu ridículo plano de construir um muro na fronteira com o México. O novo presidente, de fato, é uma piada. Mas um dos responsáveis por sua ascensão é Obama.


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