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O homem que filmou os mais fracos

O homem que filmou os mais fracos
PRESTÍGIO Cena de “Ironweed”, filme que  deu a Meryl Streep e  Jack Nicholson indicações ao Oscar
PRESTÍGIO Cena de “Ironweed”, filme que deu a Meryl Streep e Jack Nicholson indicações ao Oscar

O cineasta Hector Babenco, nascido em 1946 na cidade argentina de Mar del Plata e naturalizado brasileiro, morreu de parada cardíaca na noite de 13 de julho, em São Paulo. Ao longo de mais de 40 anos de cinema, ele produziu uma obra reconhecida por sua singularidade. Indicado ao Oscar pela direção de “O Beijo da Mulher Aranha” (1985), filme que daria a William Hurt o prêmio de melhor ator, Babenco percorreu um arco entre o cinema marginal, de “O Rei da Noite” (1975), até Hollywood: “Ironweed” (1987) foi estrelado por Meryl Streep e Jack Nicholson.

À exceção do que fez em sua primeira obra, “O Fabuloso Fittipaldi” (1973), documentário dirigido em parceria com Roberto Farias, Babenco não apontava a lente para vencedores. Preferiu contar histórias em que o heroísmo reside numa insólita força para sobreviver a circunstâncias adversas. Foi assim em “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1981), “O Beijo da Mulher Aranha” (1985), e “Carandiru” (2003), seu maior sucesso de público. É nesse aspecto que vida e obra se fundem. Não por acaso, seu último filme, “Meu Amigo Hindu” (2015), estrelado por William Dafoe, começa com a seguinte declaração: “O que você vai assistir é uma história que aconteceu comigo e conto da melhor maneira que sei”. Na tela, o que se vê é a luta de um cineasta para vencer um câncer linfático – exatamente o que Babenco venceu na década de 1990.