Edição nº2492 15.09 Ver edições anteriores

Ô dúvidas cruéis

Eu tenho muitas dúvidas.
Muitas mesmo.
Questões que batucam na minha cabeça todos os dias quando leio jornais e revistas.
Por exemplo:
Quem é que manda na coisa toda por aqui, afinal?
Executivo, Legislativo ou Judiciário?
Eu sei. Você vai dizer que numa democracia todos os poderes têm sua importância. Mas, convenhamos, toda orquestra tem um único maestro. Então alguém tem que assumir esse nosso rojão.
Se fossemos um país parlamentarista, seria de se imaginar que o Parlamento fosse o manda-chuva. Se fossemos uma monarquia, o rei.
É muita ingenuidade minha achar que, no presidencialismo, o presidente deveria poder decidir uma ou outra coisa ao invés de cuidar de sua própria permanência no cargo?
Porque aqui no nosso País, meu amigo, o presidente só pensa nisso.
E não é de hoje.
Alias, essa é a maior fonte de problemas dos últimos anos e ninguém está nem aí.
Estamos à mercê de uns presidentezinhos mequetrefes faz tempo.
Como não mandam nada, precisam trocar favores com o Congresso.
Favores, leia-se malas de dinheiro.
Favores, leia-se mensalões.
Favores, leia-se cargos.
Presidentezinhos que se reúnem com empresariozinhos fora da agenda assim, nas nossas barbas.
É normal isso no resto do mundo?
Ô dúvida!
Então, já que o Executivo não manda patavina, quem deve mandar é o Congresso Nacional, não é mesmo?
É muita ingenuidade minha achar que deputados e senadores estão lá para definir quais os caminhos que o País vai tomar e que farão isso de forma isenta, sem conchavos ou favorecimentos, tendo o bem-estar do povo como meta?
Porque aqui no nosso País, meu amigo, um senador pega dinheiro emprestado de um empresário, na calada da noite, para pagar o advogado que o defenderá assim, nas nossas barbas.
E segue o enterro porque o sujeitinho já está de volta ao Senado, mandando e desmandando.
Isso porque é melhor nem perguntar quando foi a última vez que o Congresso simplesmente legislou com a consciência e não motivado por interesses pessoais.
É normal isso no resto do mundo?
Ô dúvida!
Então, se temos um presidente de araque, que só fala “interessante…interessante” para tudo, e se temos um Congresso descolado dos interesses do povo, boa parte do tempo legislando em causa própria, é de se imaginar que a solidez, as colunas de sustentação do País estejam nas mãos do Judiciário.
É muita ingenuidade minha achar que os juízes de todas as instâncias deveriam estar acima do bem e do mal, aplicando a Justiça doa a quem doer?
Porque aqui no nosso País, meu amigo, um ministro da mais alta instância inocenta o presidente da República por ter sido eleito com caixa dois, ignorando provas inequívocas.
Esse mesmo magistrado liberta o pai da noiva de quem foi padrinho de casamento.
Tem mais.
Uma desembargadora liberta o filhinho traficante preso em flagrante.
E, finalmente, na semana passada, um juiz fez a atrocidade de libertar um maluco que ejaculou numa mulher dentro de um ônibus, tudo assim, nas nossas barbas.
Nesse último caso, o juiz alegou que não houve violência.
Um sujeito com 17 ocorrências de estupro e atentado ao pudor.
É muita ingenuidade minha achar que ejacular no pescoço de alguém, num ônibus, é um ato de extrema violência?
É muita ingenuidade minha ter tantas dúvidas?
Eu sei que se a gente procurar, é bem provável que encontre casos parecidos com esses em outros países. Mas todos esses casos num país?
Presidente que encontra amiguinhos em segredo, senador que pega dinheiro de empresário, juiz que solta malucos para voltarem a cometer seus crimes, tudo isso num único país, duvido que você encontre.
Mas sei lá.
É só mais uma dúvida que tenho.


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2017 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicações Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.