Edição nº2493 22.09 Ver edições anteriores

O Carnavalismo

Brasileiros, a hora é essa.
Nós, como um povo criativo e resiliente precisamos dar uma lição ao mundo.
Chegou a hora de criarmos nossa própria Forma de Governo.
Nada de Presidencialismo, Parlamentarismo, Socialismo, Sadismo ou Comodismo.
Esqueçam o Liberalismo, o Comunismo, o Ufanismo ou o Sedentarismo.
Basta de importar da Europa ou dos EUA nossa escola político-econômica.
É hora de criar uma Forma de Governo tropical, marota, de raiz.
Apresento aos senhores: O Carnavalismo.
Trata-se de adaptação da Anarquia revista e atualizada para
o samba no pé.
No Carnavalismo, o presidente passa a se chamar Cartola e acumula as funções de carnavalesco e puxador de samba.
Uma grande vantagem do Carnavalismo é que a fase de transição não será traumática porque também não se leva a sério conceitos como eficiência, corrupção, justiça etc.
O que vale mesmo é a alegria do cidadão e a temperatura da cerveja.
Nas ruas, o cidadão tem o direito de fazer o que quiser.
Urinar nos postes como cachorro, arrancar a camisa e mostrar os peitos com um “Fora Temer” estampado na pança… enfim, tudo que vimos essa semana que passou, só que 365 dias por ano.
Turistas do mundo todo virão conhecer nossa Democracia Carnavalesca.
O governo?
O governo só estabelece o enredo.
De quatro em quatro anos, ao invés de eleições, uma comissão
de notáveis se reunirá no sambódromo para dar as notas
à cada quesito.
Se a média for maior que oito, o governo continua.
Se for menor, o Cartola cai.
Aí sim teremos eleições.
A título de exercício, avaliemos o Brasil atual.
Bateria.
Esse quesito avalia a cadência do governo.
A habilidade do uso dos instrumentos, enfim, a manutenção
do ritmo.
A cadência desse governo é um desastre.
Surpresas a cada nomeação, falta de criatividade no uso dos instrumentos e, convenhamos, o puxador é de um desânimo incomparável.
Cada vez que abre a boca, a avenida dorme de tédio.
Nota cinco, no máximo.
Enredo.
Aqui brilhamos.
É uma surpresa atrás da outra.
O enredo do Brasil é digno de uma obra de Saramago.
Nada é o que parece ser.
Dez! Nota dez!
Harmonia.
Um desastre.
O País rachado ao meio.
De um lado, quem acredita que está ruim mas podia estar pior.
De outro, os que acham que está pior do que quando estava ruim.
Quatro, no máximo.
Alegorias e adereços.
Aqui a gente brilha.
Cria-se alegorias para as mais óbvias verdades e se entope
de adereços o que era para ser evidente.
Dez. Nota dez!
Samba-Enredo.
Maravilhoso.
É só ver a quantidade de gente dançando!
Dez!
Evolução.
Estamos empurrando com a barriga, convenhamos.
Mas considerando que esse Cartola é provisório, é o que temos.
Toma um oito aí e segue com o carro alegórico.
Fantasia.
Precisa votar?
Dez.
Comissão de Frente.
A Comissão de Frente, com mestre Henrique, melhorou.
Vamos dar um sete, em nome da esperança.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
Quando a porta-bandeira caiu o mestre-sala assumiu sem conflitos.
Vai um seis aqui, pelo esforço.
Aí é só tirar a média.
Nesse caso deu 7,7.
Se todo mundo gostou, lindo.
Caso contrário é só chamar o Warren Beatty para anunciar.
E segue o samba.


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