Edição nº2476 26.05 Ver edições anteriores

O abraço da esperança

O Brasil sangra com a maior paralisia política de sua História. Conflitos, diferenças e rivalidades sempre existiram, e sempre existirão. Porém, potencializados pelas redes sociais, políticos que os inflamaram em benefício próprio e pelos escândalos revelados pela Operação Lava–Jato, eles atingiram dimensões perigosas. As consequências econômicas foram nefastas. Desequilíbrios causados por erros de política econômica no primeiro mandato de Dilma Rousseff não puderam ser corrigidos em função da paralisia no Congresso que impediu a aprovação de medidas fundamentais, jogando o Brasil na crise. Veio o impeachment da presidente e a formação do governo Temer. Desde então, reformas econômicas vêm sendo aprovadas. Se a agenda for sustentada, recolocará o País em uma rota de crescimento.

Os primeiros sinais de progresso já se notam. A balança comercial teve superávit recorde em 2016. Ele será batido de novo nesse ano. A inflação, que há um ano era de dois dígitos, ficará abaixo da meta de 4,5% em breve, criando condições para juros menores e mais crédito, consumo e investimento. Para um ajuste fiscal saudável falta a Reforma da Previdência. Faltam também medidas para aumentar nossa competitividade e garantir mais empregos e produtos mais baratos – reformas trabalhista e tributária. Com elas, crescimento econômico e emprego, que ainda não melhoraram, vão melhorar, e muito. É aí que entra o abraço de FHC a Lula, quando da morte de Marisa Letícia. Oxalá ele inspire um processo de reconciliação e reconstrução nacional. Reconciliação não pode ser confundida com pizza. Para a construção de um País melhor, mais rico e mais justo é fundamental que a Lava Jato continue avançando e que todos os corruptos sejam exemplarmente punidos.

Se até Lula e FHC podem se abraçar, é hora de nós, brasileiros, juntos, abraçarmos as causas que merecem nosso apoio

Já passou da hora de sairmos desse Fla-Flu que paralisou o País, e apoiarmos ou nos opormos a medidas, não a pessoas, partidos ou governos. Nós, brasileiros, temos de defender os interesses do Brasil ao invés de nos deixarmos manipular por grupos políticos que só defendem seus próprios interesses. Tomando o governo Temer como exemplo, quando ele propõe reformas sem as quais milhões de brasileiros continuarão sem emprego, merece ser apoiado. Quando indica seu ministro da Justiça para uma vaga no STF, ou oferece uma posição de ministro a um aliado para protegê-lo com o foro privilegiado, deve ser combatido. Não é Temer que deve ser apoiado ou combatido. Boas medidas devem ser apoiadas e as más combatidas, venham de onde venham. Se até Lula e FHC – os principais líderes dos principais grupos antagônicos – podem se abraçar, é hora de nós brasileiros, juntos, abraçarmos as causas que merecem nosso apoio.

 


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