Economia

Nova era no varejo

Como fez Steve Jobs, Jeff Bezos trabalha para mudar o mundo: sua empresa, a Amazon, cresce liderando a revolução digital no mundo das vendas

Crédito: Elaine Thompson

FICÇÃO A nova sede da Amazon, em Seattle: tecnologia intensiva em cada aspecto do negócio (Crédito: Elaine Thompson)

Clique no botão e seu desejo de consumo se tornará realidade. Seja lá o que você queira comprar, a entrega será feita em poucos minutos, por drones da Amazon. A empresa lidera a maior revolução tecnológica do varejo, baseada na obsessão pelo consumidor, inovação e uso inteligente de recursos digitais. Os concorrentes tentam acompanhar, mas parece cada vez mais difícil alcançar a eficiência criada por aquele que em breve pode vir a ser o primeiro trilionário do mundo: o americano Jeff Bezos, de 53 anos.

RUMO AO TRILÃO Jeff Bezzos, 53 anos, com patrimônio líquido de US$ 90 bilhões, ele poderá ser o primeiro trilionário (Crédito:Ted S. Warren)

Quando surgiu, em 1994, a Amazon só vendia livros pela internet. Hoje, de cada dólar gasto no varejo on-line nos Estados Unidos, 50 centavos são em sua loja online. A empresa não para de crescer e já realizou aquisições bilionárias como a da rede de alimentos orgânicos Whole Foods (por US$ 13,7 bilhões), em junho deste ano. Foi um passo importante para atuar no varejo do mundo físico — além de um ataque direto ao Walmart, seu principal concorrente. A Amazon levará para a rede de orgânicos sua expertise incomparável em logística: em dezembro de 2016, ela inovou ao realizar sua primeira entrega com drone, o Amazon Prime Air. Por enquanto, o sistema de delivery em até 30 minutos está em testes para um número limitado de clientes em uma área selecionada do Reino Unido.

O uso de drones não deverá servir apenas para levar pacotes de um ponto a outro: os aparelhos poderão “espionar” as casas dos consumidores. Segundo a patente registrada pela marca, a ideia é alimentar a base de dados que a Amazon usa para direcionar publicidade e ofertas personalizadas. Se as imagens captarem árvores mal cuidadas, por exemplo, a Amazon pode indicar a compra de fertilizantes. No Vale do Silício, a start-up Matternet foi pioneira no serviço de entrega por drones. Segundo Paola Santana, co-fundadora da empresa, os benefícios valem para consumidores e empresas: enquanto por um lado as entregas são mais rápidas e chegam a lugares não acessíveis por rodovias, por exemplo, por outro, a automatização da entrega pode reduzir custos.

Empatia

O foco no cliente — ou a obsessão, como diz a própria empresa — não é uma novidade da Amazon. “Ela tem um conhecimento absurdo do seu consumidor, através de algoritmos e tecnologia”, afirma Silvio Laban, coordenador executivo de marketing do Insper. “Por trás de cada recomendação de produto que ela te faz há muitas informações que foram processadas.” Em 2005 a empresa lançou o Amazon Prime, uma espécie de clube de fidelidade para seus clientes, que podem receber suas compras ilimitadas em até dois dias — à época, os consumidores esperavam de quatro a seis dias para receber suas encomendas. Para conquistar os clientes, no primeiro ano de operação do programa a varejista deixou de ganhar milhões de dólares em receita de frete.

Apostando também na comodidade, a Amazon lançou o Amazon Dash Button, um botão que permite comprar produtos de marcas como Pampers e Redbull com apenas um aperto — ele envia a compra para o aplicativo da loja. “A Amazon trouxe ao mercado algumas mudanças disruptivas que, se forem colocadas em aplicação em larga escala, vão causar uma grande transformação no varejo”, diz Ricardo Pastore, coordenador do núcleo de varejo da pós-graduação da ESPM. Uma transformação que, na verdade, é a volta às origens: contato personalizado, atendimento pessoal e, principalmente, empatia com o cliente.

Há mais de seis anos o mundo dos negócios se pergunta quem será o sucessor de Steve Jobs, co-fundador da Apple, morto em 2011. Entre tantos grandes nomes, Bezos, que além dos negócios no varejo é dono do jornal americano Washington Post, está acostumado a ser questionado se será ele a ocupar o posto. O uso inteligente da tecnologia e o interesse pelo consumidor são aspectos que aproximam a visão de negócios de ambos. Pelo que fez até agora no varejo, Bezos pode dar ao mundo até mais comodidade e inovação do que fez Jobs. O dono da Amazon evita se comparar com o inventor do iPhone. “Jobs é um cara único”, diz. Pode ser. Mas não é o único a causar revoluções por onde passa.

O DRONE Aparelho usado para entregar mercadorias pode espionar clientes (Crédito:Divulgação)

 

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