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Na Grécia, a austeridade venceu

Após Parlamento em Atenas aprovar novas medidas de arrocho, os ministros da zona do euro e o FMI liberam mais um empréstimo de 10,3 bilhões de euros

Crédito: REUTERS/Alkis Konstantinidis

ÚLTIMO SACRIFÍCIO O premiê Alexis Tsipras disse que os gregos já pagaram muito (Crédito: REUTERS/Alkis Konstantinidis)

Não faz nem um ano que os gregos passaram por uma situação limite. Em julho de 2015, Atenas deu um calote de 1,6 bilhão de euros no Fundo Monetário Internacional (FMI) e, em plebiscito, a população rejeitou as condições de um novo pacote de austeridade em troca de mais um resgate financeiro. Representantes da União Europeia cogitaram expulsar a Grécia da zona do euro, mas os credores internacionais refizeram a proposta e o país concordou em receber uma ajuda de 86 bilhões de euros nos três anos seguintes, numa negociação que incluiu até a venda de ilhas e ruínas antigas. Na semana passada, os gregos voltaram à mesa de negociações. O Parlamento se reuniu mais uma vez para votar medidas de arrocho e desbloquear um resgate de 10,3 bilhões de euros. Desta vez, a população terá que pagar mais impostos em itens como combustível, internet e serviços, enquanto o governo se comprometeu a criar um novo fundo de privatização. “Os gregos já pagaram muito, mas essa é a primeira vez que a possibilidade de esses sacrifícios serem os últimos se torna tão evidente”, disse o primeiro-ministro, Alexis Tsipras.

Os esforços repercutiram entre os ministros das finanças da zona do euro, chamado de Eurogrupo. Na madrugada da quarta-feira 25, depois de 11 horas de reunião em Bruxelas, eles concordaram em liberar o financiamento – a primeira parcela de 7,5 bilhões de euros entrará nos cofres gregos em junho. Na tentativa de conseguir mais empréstimos para honrar suas dívidas com o Banco Central Europeu e o FMI, o governo grego desenvolveu um mecanismo de corte de gastos que seria acionado automaticamente toda vez que o país falhasse em suas metas. Para o FMI, contudo, nem isso seria suficiente para torná-las mais sustentáveis, já que a economia segue em recessão. Ao fim deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) deve encolher 1,3%. A entidade monetária tem defendido um alívio da dívida diante da probabilidade de que Atenas não consiga cumprir a meta de um superávit primário de 3,5% do PIB até 2018. Mas, na avaliação do Eurogrupo, o perdão de parte da dívida só deverá ser discutido depois desse prazo. Até lá, os gregos terão que se acostumar aos sacrifícios.