Cultura

Musical no tom certo

Vencedor do Globo de Ouro em de sete categorias, “La La Land” comove ao reviver com ironia, romance e criatividade clichês que fizeram a glória dos clássicos de Hollywood

Musical no tom certo

SAPATEADO Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Goslin) em cena: ótimas atuações e trilha sonora bem acima da média

Se você detesta musicais, tem grandes chances de mudar de opinião ao assistir “La La Land — Cantando Estações”. Se já é fã do gênero, o filme tem tudo para ser seu favorito em 2017. A produção que já venceu uma centena de prêmios em festivais de cinema em todo o mundo tem o poder de mudar o humor de quem o assiste. O roteirista e diretor Damien Chazelle, que em 2015 obteve cinco indicações ao Oscar por “Whiplash — Em Busca da Perfição”, desta vez conseguiu criar uma comovente fantasia sobre o poder dos sonhos ao ambientar sua trama dentro da maior indústria de sonhos que existe: Hollywood.

16Sem medo de recorrer a clichês, Chazelle ironiza os chavões das comédias românticas ao mesmo tempo em que homenageia os grandes musicais do cinema e evoca ícones que tornaram um punhado de filmes clássicos. Um poste de luz que parece ter saído do estúdio de “Cantando na Chuva” surge em uma praça da Los Angeles atual, que ainda tem uma janela de “Casablanca” inexplicavelmente preservada. Em seu primeiro encontro romântico, o casal de protagonistas vai a uma sessão de “Juventude Transviada”. Poderiam ser citações para agradar cinéfilos nostálgicos, mas tudo tem um propósito. Até as coreografias mais previsíveis entram em cena para reforçar a “magia hollywoodiana” da qual o filme extrai sua essência. E o melhor de tudo: “La La Land” traz uma trilha sonora muito acima da média. “City of Stars”, a canção-tema, é de uma beleza que há tempos não se ouvia no cinema.

17“EU ODEIO JAZZ”
A trilha soa impecável não apenas nos temas cantados, mas nas inúmeras partes instrumentais a cargo do personagem Sebastian, o pianista vivido por Ryan Goslin. Na trama, ele sonha abrir seu próprio clube de jazz em estilo vintage, nos moldes daqueles em que Count Basie e Chick Webb expandiram os limites da gramática musical com base no improviso. Seu par romântico é Mia (Emma Stone), que trabalha como caixa em uma cafeteria nos estúdios da Warner. Ela sonha em se tornar atriz, embora seja reprovada a cada teste. Os primeiros esbarrões do casal são desastrosos. Quando finalmente surge um flerte, ela alerta: “Eu odeio jazz”. O que poderia ser o fim se torna o impulso para que o charmoso pianista a convença de que jazz é criação, e o que ela precisa é ser criativa. Feitos os arranjos, a vida do casal encontra a embocadura e o compasso certos. Conforme as estações do ano se sucedem, novos eventos exigem adaptações – até que cada um faça por merecer aquilo que sempre sonhou. Isso não quer dizer que o filme acabe com um óbvio final feliz. Até o fim, “La La Land” surpreende.

Novato consagrado18
Aos 31 anos, Danien Chazelle é o mais novo diretor a receber o Globo de Ouro, premiação concedida por cerca de 100 jornalistas estrangeiros que trabalham em Hollywood. Considerado uma prévia do Oscar, o prêmio entregue no domingo 8 tem por tradição consagrar o talento de quem ousa ir além do previsível. Com “La La Land”, Chazelle se tornou favorito também ao Bafta 2017, conhecido com “Oscar britânico”.

O grande vencedor

As sete categorias do Globo de Ouro em que “La La Land” foi premiado

Melhor Filme Musical ou Comédia

Melhor Diretor
Damien Chazelle

Melhor Roteiro
Damien Chazelle

Melhor Atriz
Emma Stone

Melhor Ator
Ryan Goslin

Melhor Trilha Sonora Original
Justin Hurwitz

Melhor Canção
”City of Stars”, Justin Hurwitz