Hélène Martini, conhecida como “a imperatriz da noite” parisiense, que reinou por 37 anos no mítico Folies Bergère, morreu no último sábado em Paris, às vésperas de completar 93 anos, em consequência de uma longa doença – informou o advogado da família nesta terça (8).

Les Bouffes Parisiens, Mogador, a Comédie de Paris, Folies Bergère, mas também cabarés-clubes como Raspoutine e Shéhérazade: Hélène Martini reinou sobre 17 cabarés e salas de espetáculos que integraram seu império.

Com uma vida rocambolesca, Hélène dirigiu magistralmente esses recantos para os notívagos parisienses.

Nascida na Polônia, é filha de pai francês e mãe russa. Depois de dizimarem sua família, a Segunda Guerra Mundial e as ocupações alemã e soviética forçaram-na a emigrar para Paris.

Em 1945, começou como modelo no Folies Bergère, mas não por muito tempo. Logo ganharia 3 milhões de francos da época na loteria e deixaria de trabalhar, passando a se dedicar a comprar roupas caras e livros.

Foi em uma livraria do Quartier Latin que conheceu Nachat Martini, advogado e homem de negócios sírio, que havia sido obrigado a fugir de seu país em 1947. Casados em 1955, decidem comprar cabarés em Pigalle, um bairro do norte parisiense.

Depois do falecimento de seu marido, em 1960, por causa de uma crise cardíaca, Hélène Martini ampliará e consolidará seu império, comprando teatros parisienses e cabarés-clubes.

Com o passar dos anos, foi-se desfazendo de quase tudo, até vender o Folies Bergère em 2011, após 37 anos de reinado, considerando que havia “trabalhado o suficiente”.

Dedicou-se, então, a levar uma vida tranquila entre seu castelo de Servon, na região parisiense, e seu apartamento na rua Pigalle, onde faleceu no sábado – conforme anúncio de seu advogado, Hervé Catteau.