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A moda é diminuir as bochechas

Cirurgia que afina o rosto vira febre entre famosas e se torna uma das mais pedidas nas clínicas do Brasil

A moda é diminuir as bochechas

ELAS FIZERAM Da esq. para a dir.: Angelina, Ludmilla, Maddona, Megan Fox e Jennifer Aniston estão entre as que passaram pela intervenção. O resultado inspirou milhares de mulheres a buscarem o mesmo efeito

Angelina Jolie fez. Megan Fox, Maddona e Victoria Beckham também. Por aqui, a cantora Ludmilla assumiu que fez. Anita provavelmente também, mas não conta. A última moda em matéria de cirurgia plástica entre famosas do mundo todo é a bichectomia, procedimento que reduz a bochecha com a finalidade de afinar o rosto e garantir um ar mais rejuvenescido. Como sempre acontece, o que as belas do Olimpo fazem inspira grande parte das outras mulheres. Por isso, a operação se tornou uma das mais requisitadas nas clínicas do País. “A procura aumentou muito no último ano e se equipara à demanda por lipoaspiração e prótese de mama”, conta a cirurgiã plástica Carolina Schafer, do Rio de Janeiro.

O nome bichectomia significa a retirada do excesso de gordura presente no corpo adiposo da bochecha, ou Bola de Bichat (homenagem ao anatomista francês Marie François Bichat). Localizadas entre os músculos bucinador e masseter, logo abaixo do osso malar, essas bolsas contêm cerca de nove gramas de gordura, equivalente à metade de um copo de café, e ajudam na organização dos grupos musculares da face, especialmente os relacionados à mastigação. “Servem como coxins entre os músculos para aumentar o poder de sucção”, explica o cirurgião plástico Vitorio Maddarena, de São Paulo. Por isso, elas são maiores nos bebês e diminuem com o tempo.

FORMATO Victória (à esq.) reduziu a bochecha cujo tamanho sempre a incomodou. E Vanessa ficou com o rosto mais afilado após a operação
FORMATO Victória (à esq.) reduziu a bochecha cujo tamanho sempre a incomodou. E Vanessa ficou com o rosto mais afilado após a operação

Em algumas pessoas, no entanto, a redução não é tão significativa, o que pode gerar insatisfação. Foi o que aconteceu com a estudante Victória Pedrasoli, 21 anos, de São Paulo. “Desde criança tinha muita bochecha e isso me incomodava”, conta. O problema foi resolvido na cirurgia que fez no mês passado. “Agora estou satisfeita.”

A redução da bola de Bichat propicia um redesenho da face, que adquire o formato de um triângulo invertido (mais largo na parte de cima e afilado na de baixo), com o destaque ficando na região logo abaixo dos olhos. “Quando a bochecha é diminuída, o malar se sobressai por contraste”, explica o cirurgião plástico Luis Felipe Maatz, de São Paulo. Isso, na opinião dos especialistas, assegura um aspecto mais jovial. No Rio de Janeiro, a recepcionista Vanessa Ribeiro, 34 anos, gostou do resultado exatamente por promover essa transformação. “Meu rosto ficou bem mais afilado”, diz.

INDICAÇÃO CERTA
Em qualquer procedimento estético, o segredo para um bom resultado é a indicação certa. “A cirurgia é recomendada à pacientes que se encontram no peso ideal e ainda assim apresentam rosto arredondado”, afirma o cirurgião plástico Eduardo Leite, do Rio de Janeiro. Pode também ser opção em quem tem rosto quadrado e bochechas grandes. Em faces ovais ou com formato mais triangular é preciso cuidado. Nesses casos, tirar gordura da bola de Bichat pode deixar a pessoa com ar envelhecido.

Quando a bochecha é reduzida, o osso malar se sobressai por contraste. Isso garante ao rosto um ar mais rejuvenescido

Há outras situações nas quais o impacto será diferente do esperado. “Em pessoas que estão acima do peso a intervenção não mudará nada”, afirma o cirurgião plástico Marcelo Olivan, de São Paulo. A cirurgia também não é recomendada a pacientes com a pele flácida, já que a extração de gordura debaixo da cútis pode evidenciar ainda mais o problema.

É preciso ficar atento às ressalvas médicas antes de aderir ao boom da bichectomia. “A cirurgia está na moda, mas se não tiver a indicação certa pode ter um resultado muito ruim”, pondera o cirurgião plástico André Eyler, do Rio de Janeiro. Além dos riscos à harmonia facial, há também possibilidade de danos à estrutura da região manipulada. Por ali estão nervos motores e sensoriais (envolvidos na movimentação dos músculos e no transporte de informações como temperatura e dor), o duto salivar e vasos sanguíneos. “Essas estruturas podem ser lesadas”, adverte o médico. Por essa razão, vale aqui a velha orientação para que a expectativa de um rosto mais bonito se concretize de verdade: os interessados devem se certificar de que a operação é indicada para o seu caso e somente se submeter ao procedimento com cirurgiões plásticos certificados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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