Edição nº2475 19.05 Ver edições anteriores

Menos Médicos

CARÊNCIA Ministro Ricardo Barros, da Saúde, enfrenta falta de médicos
CARÊNCIA Ministro Ricardo Barros, da Saúde, enfrenta falta de médicos (Crédito:Aloisio Mauricio)

O governo federal não conseguirá criar as prometidas 11 mil novas vagas em cursos de graduação em medicina previstas para esse ano. Até agora, foram abertas apenas 5,8 mil. Também não conseguirá disponibilizar 12 mil postos de residência médica até 2018 – são hoje 8,5 mil. Estudo sigiloso da Casa Civil apontou que “o ritmo de criação de vagas de graduação em medicina não permite alcançar a meta”. Aponta ainda que a Comissão Nacional de Residência Médica autorizou a abertura de 2,9 mil novas vagas para residência até 2019, quando a “demanda potencial é de 18 mil”. Outro problema para o Ministério da Saúde, comandado por Ricardo Barros, é que o governo de Cuba suspendeu o envio de novos médicos ao Brasil e alerta para “o risco de redução de 6 mil” integrantes do Mais Médicos.

Repelentes

O plano do governo de diminuir a infestação do mosquito que transmite a dengue, zika e chikungunya enfrenta “baixa mobilização nos órgãos públicos para o combate do mosquito em seus prédios”, aponta levantamento da Casa Civil. Houve também a suspensão do apoio das Forças Armadas no enfrentamento do inseto “em razão de falta de orçamento”.

Diagnóstico

O Ministério da Saúde analisa a possibilidade de transferir recursos para bancar o trabalho das Forças Armadas. Há também 3.215 casos pendentes de atendimento para diagnóstico – 24,1% do total de casos notificados. E 1.511 crianças com microcefalia confirmadas ainda não desfrutam da estimulação precoce – são 57% do total de casos confirmados.

Rápidas

* O pesquisador John Zuluaga diz à ISTOÉ que o número de pessoas com foro privilegiado no Brasil faz do mecanismo um “privilégio” de “proteção” às pessoas. Colômbia e Alemanha, onde ele estudou Direito por oito anos, têm muito menos pessoas com foro do que aqui.

* A procuradora Ana Paula Mantovani mostrou preocupação em audiência sobre artifícios para mascarar participação feminina de 30% nas candidaturas. Uma em cada oito candidatas não tiveram voto algum em 2016.

* Matheus Leitão lança “Em nome dos pais”, na terça-feira, às 19h, no shopping Iguatemi de Brasília. O livro  remonta o passado de Míriam Leitão e Marcelo Netto, militantes presos e torturados pela ditadura.

Plano de redução de homicídios

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Divulgação

A Casa Civil, de Eliseu Padilha, anda preocupada com metas do Ministério da Justiça, que se comprometeu a reduzir em 7,5% ao ano os homicídios, agilizar as investigações de violência doméstica em 20% e disponibilizar até dezembro informações em tempo real das penitenciárias. “Há pouca clareza sobre as ações preventivas para além da repressão e sobre a articulação com os estados e municípios”, ressalta documento interno do governo. “Ausência de ancoragem em diagnósticos – fala-se em redução de homicídios, mas de quais tipos? Diferentes homicídios podem requerer ações distintas”, pontua o texto.

Retrato falado

“Os procuradores da República não admitem escolha fora da lista tríplice”
“Os procuradores da República não admitem escolha fora da lista tríplice” (Crédito:Ana Paula Paiva/Valor/Folhapress)

José Robalinho Cavalcanti, presidente da Associação dos Procuradores, avisa que a indicação do sucessor de Rodrigo Janot tem que sair da lista feita em eleição interna no Ministério Público Federal. Na terça-feira, em evento que renovou o mandato da chapa por mais dois anos, ele afirmou que a categoria não aceita “nenhum retrocesso”. Por lei, a decisão cabe só a Michel Temer, mas a praxe tem sido prestigiar a consulta da entidade de classe.

Toma lá dá cá

senador Ricardo Ferraço (psdb-es)
Senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) (Crédito:Adriano Machado / AG. ISTOE)

O senhor acaba de ser nomeado relator da Reforma Trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O trabalhador vai perder direitos com o novo texto?
Absolutamente não. Hoje, menos de 50% dos trabalhadores têm carteira assinada. A nova lei criará atrativos para a formalização. Será possível formalizar o emprego intermitente, tão importante em setores de bares e restaurantes, para contratar garçons nos dias de maior movimento. É incrível que o McDonalds empregue mais gente na Argentina do que no Brasil em números absolutos. Também regulamentará o home office, o parcelamento de férias. E permitirá a negociação direta entre patrão e empregados.

O empregado estará em condições de igualdade para negociar seus direitos com o empregador?
A CLT trata o empregado hoje como hipossuficiente, como incapaz de negociar seus próprios interesses. Mas não podemos ter medo do novo. Vamos experimentar, e se por acaso algo se mostrar inconveniente, podemos mudar.

Reforma já começou

As mudanças nas relações de trabalho já começaram, pelo menos para quem trabalha com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O pessoal da Casa tem saudade de Eduardo Cunha, que ia embora todo fim de semana para o Rio de Janeiro. Com a família de Maia instalada totalmente na residência oficial, além das visitas frequentes de amigos e parentes, o trabalho aumentou. Segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, ninguém mais tem fim de semana. “Eles têm que ter dois finais de semana inteiros para ficar em casa”, reclama a presidente do Sindiserviços, Isabel Reis. “Estão trabalhando sem folga nenhuma. O sindicato vai tomar providências.”

Acúmulo

Já um funcionário diz que, além de não receber um real pelas horas extras, os bancos de horas demoram demais para serem compensados com folgas. Com Cunha, hoje preso em Curitiba, isso não acontecia. Nenhuma das empresas que atuam no local prestou esclarecimentos à revista.

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Aloisio Mauricio

Alternância

A assessoria de Rodrigo Maia disse que os contratos preveem escala e compensação com descansos. “A jornada de trabalho alterna folgas entre sábados e domingos. Não há previsão no contrato com as empresas terceirizadas de pagamento de horas extras.” A Câmara não informou se as despesas da residência aumentaram entre a gestão de Cunha e Maia.

Tudo na geladeira

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Daniele Cristina Amaro é a mulher que tomou, sem necessidade e por mais de um ano, remédio cujos lotes custavam R$ 1 milhão, tudo com dinheiro público, por meio de operadores ligados ao laboratório Solaris, aponta a PF na Operação Cálice de Hígia. Quando soube não ter doença rara, passou a guardar a medicação na geladeira.

 


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