Edição nº2493 22.09 Ver edições anteriores

A maternidade depois do câncer

Cilene
O diagnóstico de que Karla Batista tinha câncer veio poucos dias após seu casamento, em janeiro

A mineira Karla Batista, 32 anos, é uma das quatro primeiras brasileiras a experimentar o mais novo recurso médico para ajudar mulheres com câncer a preservar sua fertilidade depois do tratamento quimioterápico. Há poucas semanas, Karla teve retirado um fragmento de tecido ovariano onde estão folículos que, sob ação hormonal, transformam-se em óvulos.

O material foi congelado e será reimplantado assim que se passarem os cinco anos necessários para a determinação da cura de Karla. Finalmente, ela poderá tentar realizar o sonho de ter filhos, usando um pedaço do ovário poupado do ataque dos medicamentos. “Sempre foi meu desejo ser mãe. E não perderei nenhuma chance para que isso aconteça”, conta.

Nos planos de Karla, o bebê viria no ano que vem. Mas o diagnóstico aconteceu dias depois do seu casamento, em janeiro. Além de Karla, outras duas pacientes que se submeteram ao método enfrentam o câncer. Outra trata o lúpus, doença autoimune que, em alguns casos, também requer o uso de medicações que danificam a capacidade fértil.

A opção de manter congelado um pedaço do ovário ainda é algo novo na medicina. No mundo, são pouco mais de sessenta as crianças nascidas a partir do método. A técnica habitual, a que congela os óvulos diretamente, é bem mais conhecida. O que principalmente contaria a seu favor seria sua chance maior de sucesso.

“A quantidade preservada de óvulos é bem maior”, explica o ginecologista e obstetra Eduardo Motta, do Centro de Reprodução Humana Santa Joana, em São Paulo, onde estão armazenadas as amostras das quatro pacientes.

Há outros pontos considerados. Um deles, o fato de não submeter a paciente a um estímulo hormonal, estratégia necessária quando a escolha é pela coleta de óvulos, que precisa resultar em quantidade razoável. E esse processo leva cerca de duas semanas – entre o estímulo e a coleta.

No congelamento do tecido, basta um dia de internação para a extração, por meio de laparoscopia. “Essa rapidez é importante, considerando que são mulheres que precisam começar a quimioterapia”, diz o especialista Maurício Barbour Chehin, do Centro Huntington de Medicina Reprodutiva, parceiro do Santa Joana na iniciativa.O médico belga Jacques Donnes, da Universidade de Bruxelas, foi o criador do método.

“Seu uso começa a se expandir pelo mundo porque é uma opção viável e vantajosa para as pacientes” afirmou à ISTOÉ. O professor ressalva, no entanto, que a técnica deve ser utilizada em mulheres com no máximo 35 anos.Grafico_Cilene

 


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