Cultura

Maratona explosiva

“O Dia do Atentado” comove ao ir além da caçada aos autores do maior ataque terrorista nos EUA desde 11 de setembro

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EFEITOS Explosão durante o cerco aos suspeitos: ação eletrizante (Crédito: Divulgação)

Sangue, dor, desespero. “Era um lindo dia para estar em Boston, mas em poucos segundos toda aquela beleza foi dilacerada”. A frase do então presidente Barack Obama descreve o sentimento que tomou conta da festiva capital de Massachusetts logo após o atentado que deixou três mortos e 264 feridos no dia 15 de abril de 2013.

EXEMPLO A maratona que terminou em tragédia
EXEMPLO A maratona que terminou em tragédia (Crédito:Divulgação)

Ao detonar duas bombas caseiras, feitas com panelas de pressão, uma dupla de terroristas devotados à causa islâmica levou pânico à multidão que observava das calçadas a 117ª edição da mais antiga maratona dos Estados Unidos. Ainda que tenha causado poucas baixas, o ataque planejado e executado pelos irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev foi considerado o mais grave em território norte-americano desde a tragédia de 11 de setembro de 2001. Em “O Dia do Atentado”, que estreia nos cinemas brasileiros na quinta-feira 11, os bastidores da ação e caçada aos terroristas são reconstituídos de forma eletrizante. E o filme comove por ir além disso.

Apesar do excessivo tom patriótico evocado desde o título original (“Patriots Day”, em alusão ao dia em que ocorre a maratona), o filme mantém sua coerência: as cenas finais trazem depoimentos de sobreviventes, incluindo os que tiveram membros amputados e, graças a próteses, completaram a maratona anos depois. Com esse desfecho, ele comprova ser um tributo às vítimas e aos cidadãos que se solidarizaram para superar o trauma do atentado.

Dramatizar uma história real que opõe os Estados Unidos ao terror muçulmano foi a fórmula usada pelo diretor Peter Berg em “O Grande Herói” (2013), que conta a história do fuzileiro naval Marcus Luttrell em sua missão de capturar o líder talibã Ahmad Shah, em 2005. Desta vez, Berg se apoia na figura do policial Tommy Saunders, papel dado a Mark Wahlberg. Encarregado de patrulhar a área VIP da linha de chegada da maratona, ele acaba tendo um papel central na captura dos terroristas — ainda que ajudado pelo amadorismo dos irmãos Tsarnaev.

Policial interpretado por Mark Wahlberg (abaixo): Boston se uniu para superar a tragédia
Policial interpretado por Mark Wahlberg  (Crédito:Divulgação)

SOLITÁRIOS

Perseguidos pela polícia e pelo FBI, os suspeitos prosseguiram com o plano de dirigir até Nova York e explodir o Times Square.
As bombas que carregavam foram usadas para atacar policiais, o que permite ao filme manter a ação para além das explosões na maratona. A caçada se estende por dias e só termina com a captura de Dzhokhar, que havia se escondido em um barco.

Na vida real, após se entregar, ele confessou ter colocado as bombas no local das explosões. Foi condenado à morte e ainda aguarda o julgamento de um recurso da sentença. Os dois irmãos agiram por conta própria, sem ligação com nenhuma liderança muçulmana de fora dos Estados Unidos. Mas o nome de Tamerlan estava em uma lista de suspeitos que foi negligenciada pelas autoridades anti-terrorismo.

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