Edição nº2484 21.07 Ver edições anteriores

Mais vagas para o Ensino Superior

 

Só no período de 2011 a 2014, o número de matrículas no Ensino Superior cresceu de 6,7 milhões para 7,8 milhões, ou seja, 1,1 milhão de novas matrículas foram criadas no Brasil. Essa expansão se deu principalmente através do setor privado. O Fies – programa de Financiamento Estudantil do Ministério da Educação (MEC) – foi o grande responsável por esse crescimento. Por isso, foi bastante comemorado pelos estudantes e reitores do setor privado do Ensino Superior o esforço exitoso empreendido pelo MEC nesta última semana para liberação de R$ 702,5 milhões junto ao Congresso Nacional. Isso permitirá não só renovar 1,5 milhão de contratos, mas também criar outros 75 mil. Para a larga maioria dos jovens, ingressar numa universidade é o começo de uma realização. Não só porque traz status social, mas também financeiro. No Brasil, um ano a mais de escolaridade aumenta, em média, em 15% a renda de uma pessoa. Mas, se ela tiver o Ensino Superior completo, esse percentual sobe para 47%, segundo estudos realizados pelo pesquisador Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.

Apesar desse esforço de ampliar as chances de acesso ao Ensino Superior, o Brasil tem ainda um pequeno percentual de jovens, na faixa etária de 18 a 24 anos, cursando este nível de ensino, já que apenas 17% encontram-se nessa situação. É um número ainda muito distante de alguns de nossos vizinhos, como Chile e Argentina, que estão próximos ao percentual de 40%. Por isso, o país dedicou uma das suas vinte metas do Plano Nacional de Educação (PNE) justamente a essa etapa, para promover uma expansão para 33% até 2024.

O curioso é que, apesar desse esforço de expansão e do grande interesse dos jovens pelo acesso ao Ensino Superior, muitas vagas sobram dentro do Fies, especialmente aquelas destinadas aos cursos de formação de professores – as chamadas Licenciaturas. Esse é o reflexo da baixa valorização da carreira do magistério em nosso país. Para se ter uma ideia, o problema não está no início da carreira. Nesse estágio inicial, a diferença de salário de um professor com relação àquele de outros profissionais com a mesma titulação é de apenas 11%, mas cresce para 43% ao longo do percurso profissional. Por isso, é importante estabelecer um grande esforço para a implantação de um Plano de Carreira Nacional, como advoga o ex-ministro da Educação e Senador da República Cristovam Buarque.

Os cursos mais beneficiados pelo Fies, em termos absolutos, são Direito, Administração, Engenharia Civil e Enfermagem, que absorvem 513 mil empréstimos e correspondem a quase 38% do total dos contratos.

Ampliar esforços em prol da expansão do Ensino Superior é absolutamente estratégico para a competitividade do país, até porque outros países estão fazendo o mesmo. A título de exemplo, o crescimento do número de estudantes no Ensino Superior vem ocorrendo de forma mais rápida do que o PIB global dos países. Nas duas últimas décadas, a taxa de matrícula no mundo, na faixa etária de 18 a 24 anos, saltou de 14% para 32%; e o número de países com 50% ou mais nessa faixa etária de alunos na universidade subiu de 5 para 54! A África Subsariana é a única parte do mundo onde a “massificação” ainda não está fortemente em evidência.


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