Edição nº2487 11.08 Ver edições anteriores

Lula: começa a contagem regressiva

O tão esperado “duelo” entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o juiz Sergio Moro será para sempre lembrado como um dos momentos mais marcantes da história do País. Como diria Lula, nunca antes um réu chegou para depor nos braços do povo, num tribunal isolado e cercado por policiais, de onde saiu para um comício onde foi saudado aos gritos de “presidente”.

Nada disso, no entanto, muda o destino de Lula, que, na prática, já está condenado pelo juiz Sergio Moro. Ainda que não existam provas materiais da posse do tal “triplex do Guarujá”, Lula será sentenciado, dentro de algumas semanas, por seu “conjunto da obra” – não por ter tirado 40 milhões de pessoas da pobreza ou conduzido o Brasil no seu período de maior crescimento com distribuição de renda, mas por ter mantido, aos olhos da força-tarefa curitibana, relações próximas demais com grandes empreiteiras.

A partir de agora, começará uma contagem regressiva que tentará subordinar o Poder Judiciário ao calendário político do País. Como já demonstraram diversas pesquisas, se as eleições presidenciais ocorressem hoje – como, por sinal, é o desejo de 85% dos brasileiros –, Lula seria eleito mais uma vez presidente da República. No entanto, como ainda faltam quase 18 meses, a estratégia das forças que derrubaram a presidente Dilma Rousseff será pressionar o Tribunal Regional Federal da 4a. Região para que Lula seja condenado em segunda instância e se torne “ficha-suja”, ficando, assim, impedido de concorrer.

Essa manobra atende aos direitos da direita orgânica brasileira, que ainda não tem um candidato. Seus principais nomes, no PSDB, também foram abatidos pela Lava Jato, e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), que hoje desponta em segundo lugar nas pesquisas, sendo o grande beneficiário da destruição do sistema político brasileiro, não inspira a confiança do chamado sistema político e econômico.

Inabilitar Lula, no entanto, é uma estratégia de altíssimo risco. Lula tem voto, tem carisma e tem povo, como ficou demonstrado na última quarta-feira. Retirá-lo das urnas por meio de uma decisão judicial significaria excluir da disputa, com uma canetada jurídica, praticamente todo o campo popular, enfraquecendo ainda mais a já combalida democracia brasileira e reduzindo a disputa a um jogo oligárquico.

Se o Brasil ainda quiser ter o respeito da própria população e também da comunidade internacional, Lula terá de ser julgado pelo povo.

Ficou claro que Lula será condenado pelo juiz Sergio Moro. Só não se sabe se a direita conseguirá inabilitá-lo


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