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Israel começa a reduzir fornecimento de eletricidade a Gaza

Israel começa a reduzir fornecimento de eletricidade a Gaza

(13 jun) Meninos lêem à luz de velas em Gaza, devido à escassez de energia - AFP

Israel começou nesta segunda-feira a reduzir o fornecimento de energia elétrica aos 2 milhões de habitantes de Gaza, que já recebem poucas horas de eletricidade por dia, indicaram a companhia de eletricidade de Israel e a Autoridade de Energia do enclave palestino.

Em meados de junho, o governo israelense anunciou que reduziria o fornecimento, argumentando que a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas se recusava a pagar a conta de energia elétrica da Faixa de Gaza. A Autoridade Palestina acusa o Hamas de não assumir o fornecimento de energia do território que controla.

A fatura paga a Israel pela Autoridade Palestina, expulsa pelo Hamas de Gaza há dez anos, chega a 11,3 milhões de euros por mês.

Mediante isso, Israel fornece 120 megawatts para Gaza – um quarto das necessidades do enclave estimadas entre 450 e 500 MW – em dez linhas.

Em tempos normais, a única central elétrica do enclave fornece 65 MW e as linhas egípcias 23 MW.

Mas desde que a usina de energia parou por falta de combustível, igualmente em razão de disputas entre o Hamas e a Autoridade Palestina, esses 120 MW israelenses representavam 80% da eletricidade disponível na Faixa de Gaza.

Duas horas por dia

Por sua vez, as linhas egípcias, danificadas pelos confrontos entre jihadistas e o exército egípcio no Sinai, também não são de grande ajuda.

Esta redução iniciada nesta segunda-feira, que fará com que os moradores de Gaza tenham duas horas de eletricidade por dia, levanta preocupações sobre o aumento das tensões e um possível colapso dos serviços vitais em um território que atravessou desde 2007 três guerras com Israel e uma quase-guerra civil entre os movimentos palestinos.

“A oferta será reduzida em duas linhas de dez a cada dia, até que esta diminuição se aplique a todas as dez linhas”, detalhou a companhia de eletricidade de Israel em um comunicado.

Israel “reduziu nesta segunda-feira em oito megawatts o fornecimento das linhas de energia” para o território costeiro superpovoado e devastado pela guerra e a pobreza, indicou por sua vez a Autoridade de Energia, controlada pelo Hamas no poder em Gaza, em um comunicado.

A redução é “perigosa” em um território “que sofre uma escassez crônica de energia”, estimou a Autoridade de Energia. Ela culpa Israel e “as partes envolvidas na tomada desta decisão”.

A ONU e muitas organizações humanitárias alertaram para o risco de um “colapso total” dos serviços vitais para a população, em particular no setor da saúde.

Num contexto de crise humanitária e econômica, o abastecimento de eletricidade é uma preocupação primordial no enclave à beira do deserto, principalmente em pleno mês do Ramadã e no verão.

A ONG israelense Gisha, que milita contra o severo bloqueio imposto à Faixa de Gaza, lançou um apelo às autoridades israelenses, acusando-as de “agravar de forma consciente uma situação já perigosa”.

“Reduzir a eletricidade em Gaza é um crime humanitário sem nenhuma moral”, acusou o Hamas. Israel deverá “assumir as consequências desta diminuição”, ameaçou.