Edição nº2472 28.04 Ver edições anteriores

Historinhas de Lula

VERSÕES Lula difunde versões para blindar biografia
VERSÕES Lula difunde versões para blindar biografia

Diante do já esperado fechamento do cerco ao ex-presidente Lula, sua tropa de choque tratou de dar corpo, ao longo dos últimos meses, a narrativas para tentar blindar a imagem do petista. Os três pontos centrais do discurso que serão reforçados agora, após a divulgação das delações da Odebrecht e que serão paulatinamente repetidos por Lula até o ano que vem, são: 1) “Não querem me deixar ser candidato, não querem deixar você, eleitor, votar em mim”; 2) “Não tenho nada a ver com o governo Dilma Rousseff”; 3) “O presidente Michel Temer é o responsável pela crise financeira e pelo arrocho aos pobres”. Batendo nessas três teclas, Lula, que é investigado em ao menos dez frentes, continuará se mantendo na posição do pré-candidato perseguido politicamente.

Faixa…

Fontes jurídicas ouvidas pela coluna apostam que Lula será condenado em primeira instância, o que por si só não
o torna inelegível pois não se enquadra na lei de ficha-suja. Porém, acreditam  que se a apreciação em segunda instância for anterior à eleição de 2018, os julgadores tenderão a deixar que o povo decida se quer ou não Lula como presidente.

… presidencial

A avaliação de autoridades ouvidas pela coluna é a de que o grande vitorioso após a divulgação da delação da Odebrecht é o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). “Enquanto todos retrocedem muitas casas ao mesmo tempo, o Doria avança outras automaticamente”, disse um importante líder do Senado.

Doria rumo a Brasília

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O prefeito de São Paulo, João Doria, planeja para junho uma viagem a Brasilia. Ele está organizando uma agenda com autoridades e lideranças. O tucano sabe que essa viagem oficial vai alimentar ainda mais as especulações sobre uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto em 2018.

Rápidas

* Parlamentares da Câmara dos Deputados presentes na Lista de Fachin foram na última quarta-feira 12 ao Supremo Tribunal Federal para saberem o que há contra eles. Mas deram com a cara na porta. Embora o feriado seja na sexta-feira 15, o Poder Judiciário iniciou sua folga dois dias antes.

* Um dos deputados presentes na caravana ao Supremo disse: “E depois falam que é a gente que não trabalha, a imprensa pega no nosso pé, diz que fazemos farra, mas vejam o que é esse judiciário, ninguém trabalha”.

* Para evitar serem considerados vazadores em tempo real da audiência em Curitiba que ouviu Marcelo Odebrecht, policiais, servidores e advogados ofereceram seus celulares para serem revistados pelos assessores de Moro.

* Resta saber se as mensagens que se autodestroem em cinco segundos no aplicativo Telegram foram conferidas a tempo.

Retrato falado

“O mundo cai devagar”

Na quarta-feira 12, quando a República pegava fogo, um dos principais criminalistas de políticos, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, estava em Paris, no Closerie de Lilas. Após cantar “Eu sei que vou te amar” e “Garota de Ipanema”, ele explicou à coluna o seu estado de relaxamento: “La vie c’est pas un long fleuve tranquille”, algo como “a vida não é um mar de rosas”. E seguiu: “o mundo cai devagar”. Por via das dúvidas, antecipou a volta ao Brasil em alguns dias.

Agrados

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, distribui bondades aos deputados estaduais enquanto espera Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal, pautar a análise do mérito que decidirá se, para que ele seja investigado, é necessária ou não a aprovação da Assembleia Legistativa. Recentemente, o caixa mineiro recebeu verbas que poderiam servir para abater dívida dos hospitais e sistemas de saúde, mas o governador comprou centenas de ambulâncias para os deputados distribuírem em municípios que formam seus redutos eleitorais. Pimentel é acusado no âmbito da Operação Acrônimo por privilégios a empresas.

Toma lá dá cá

Roberto Jefferson, presidente do ptb

Roberto Jefferson, presidente do PTB

Os vídeos com delações da Odebrecht indicam que até mesmo os que se diziam as almas mais honestas do País tinham relações espúrias com a empreiteira.

O sr. se surpreendeu?
De jeito nenhum. Todo moralista é desonesto, é safado, bate no peito para falar em nome da ética, de mamãe, de papai, mas num instantinho é pego com a mão no caixa roubando. O moralista fala em nome de Deus mas são todos fariseus. Digo isso com a experiência de quem passou 24 anos na Câmara dos Deputados.

Quando o sr. denunciou o mensalão, o Brasil imaginou que a nossa política fosse passada a limpo e que as coisas iriam mudar. Agora será diferente?

Hoje vemos que o mensalão era apenas uma parte do petrolão. De lá para cá, surgiu essa inteligência dos investigadores e essa compreensão de como agiam as empresas e os políticos. Não há porque não acreditar que vai melhorar. Hoje, só um louco vai querer fazer caixa dois novamente. E o que vejo é uma ansiedade por novas lideranças porque essas que estão aí não voltarão à vida pública.

Agrados

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, distribui bondades aos deputados estaduais enquanto espera Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal, pautar a análise do mérito que decidirá se, para que ele seja investigado, é necessária ou não a aprovação da Assembleia Legistativa. Recentemente, o caixa mineiro recebeu verbas que poderiam servir para abater dívida dos hospitais e sistemas de saúde, mas o governador comprou centenas de ambulâncias para os deputados distribuírem em municípios que formam seus redutos eleitorais. Pimentel é acusado no âmbito
da Operação Acrônimo por privilégios a empresas.

Diretamente…

A República passou a quarta-feira 12 incendiada pela divulgação das delações da Odebrecht com depoimentos em vídeo comprometendo os principais políticos do Brasil. Cada partido resolveu dar um tratamento diferente ao caso. O site do PT ignorou o assunto. A notícia principal era um vídeo do programa partidário tendo Lula como estrela.

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…do mundo da lua

A página do PMDB também optou por fingir que nada acontece, destacando apenas notícias positivas sobre o governo. O site do PSDB, um dia antes, assim que vazou a lista de todos os nomes alvos de inquérito pelo STF, colocou em destaque uma nota oficial dizendo ser a favor das investigações da Lava Jato e pedindo a divulgação das delações.

Bolsa Panicat

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Assim como dinheiro de propina, empreiteiras cortaram outro mimo de políticos: a “Bolsa Panicat”, disse um parlamentar à coluna. “Agora, quem quer acompanhante tem que pagar do bolso”, explicou. Importante: “panicat” é apenas referência a garotas de programa “famosas”, não a integrantes do programa “Pânico”.

 


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