Internacional

A guerra retórica de Trump

O presidente dos EUA usa frases de efeito para aumentar o tom das ameaças à Coreia do Norte. Por enquanto, a batalha deve ser apenas de palavras

Crédito: Carlos Barria

ATAQUE Trump (na foto, junto com o vice-presidente Mike Pence) dedicou a semana a produzir bravatas contra o país asiático (Crédito: Carlos Barria)

Donald Trump entrou em guerra. Por enquanto, de retórica apenas. O inimigo é a Coreia do Norte, país contra o qual o presidente dos Estados Unidos troca agressões verbais desde o início de seu mandato. Na semana passada, em resposta às ameaças do ditador coreano Kim Jong-un, Trump elevou o tom das advertências, que não passaram de palavras, no entanto.
A guerra retórica de Trump começou na segunda-feira 7, logo depois de a imprensa americana revelar que os norte-coreanos teriam desenvolvido bombas nucleares pequenas o bastante para serem colocadas dentro de mísseis capazes de atingir os EUA. O presidente interrompeu seu jogo de golfe – ele está em férias – para forjar uma frase que sabia ser forte. “É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu.”

Alvo no pacífico

Da Coreia, Jong-un reagiu. Afirmou que seu país está pronto para lançar quatro mísseis em direção a Guam, ilha no Pacífico onde está a maior concentração de munição das forças armadas americanas no mundo. A troca de ameaças obrigou o secretário de Estado, Rex Tillerson, a parar em Guam em seu retorno aos EUA de uma viagem à Ásia e, de lá, tranquilizar os americanos. “O que o presidente está fazendo é enviar uma mensagem firme à Coreia do Norte porque Jong-un não compreende a linguagem diplomática.”

REAÇÃO Na Coreia, a população foi avisada de que seu líder supremo, Kim Jong-un, planeja fazer novo teste de mísseis. Disse que quer lançá-los sobre a ilha de Guam (Crédito:AFP PHOTO / KIM Won-Jin)

Como tudo em Trump, a estratégia não é gratuita. Está sendo cuidadosamente desenhada sob orientação de seu chefe de gabinete, John Kelly, com o objetivo de tornar a batalha das palavras mais agressiva. Na quinta-feira 10, um dia depois de dizer que o arsenal nuclear americano estava “mais forte do que nunca”, o presidente saiu-se com a fala de que, talvez, o aviso de “fúria e fogo” não tenha sido suficiente. “Se a Coreia fizer qualquer coisa ou sequer pensar sobre um ataque, eles podem ficar muito, muito nervosos. Vou lhes dizer por que. Porque acontecerão a eles coisas que nunca pensaram serem possíveis.” Apesar da guerra verbal, acredita-se que a chance de uma guerra real entre os dois países neste momento seja pequena.

Uma batalha feita de frases
A escalada verbal de Trump contra a Coreia

“É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu”

“Minha primeira ordem como presidente foi renovar e modernizar nosso arsenal nuclear. Está agora mais forte e mais poderoso do que nunca. Esperamos nunca precisar usar esse poder, mas nunca haverá um tempo em que nós não seremos a nação mais poderosa do mundo”