Comportamento

Greve geral dos palestinos em apoio aos presos em greve de fome

Greve geral dos palestinos em apoio aos presos em greve de fome

Idosa caminha ao lado de loja fechada em Jerusalém, em 27 de abril de 2017 - AFP

Os palestinos iniciaram nesta quinta-feira uma greve em solidariedade para com os 1.500 detentos em greve de fome há 11 dias nas prisões israelenses, um movimento sem precedentes, segundo os organizadores.

No centro de Ramallah, na Cisjordânia ocupada, as ruas estão vazias e o comércio fechado, constataram jornalistas da AFP.

Também está prevista uma manifestação que poderá resultar em distúrbios com as forças israelenses, como acontece desde o início, em 17 de abril, desta greve de fome.

O movimento foi convocado por Marwan Barghuti, líder preso do Partido Fatah do presidente Mahmud Abbas.

“Esta greve geral não tem precedentes há anos”, afirma à AFP Jalil Rizeq, que dirige a união de câmaras de comércio palestinas e que assegura que todos os setores palestinos estão participando do movimento.

Os cerca de 1.300 palestinos em greve de fome, segundo a Autoridade Palestina, pertencem a todos os movimentos políticos palestinos, do Fatah e de Barghuthi, aos partidos de esquerda, passando pelo Hamas islamita que saudou os “valentes prisioneiros” grevistas.

Esta greve de fome pretende “acabar com os abusos” da administração penitenciária israelense, indicou Barghuthi, em uma coluna enviada ao jornal americano The New York Times a partir de sua prisão de Hadarim, no norte de Israel.

Como represália, foi colocado em isolamento em outra prisão. Barghuthi cumpre cinco penas de prisão perpétua por sangrentos atentados cometidos durante a segunda Intifada (2000-2005).

Israel afirmou que não negociará com os grevistas, afirmando que “a convocação de greve de fome é contrária ao regulamento” da prisão, segundo o ministro israelense da Segurança Interior, Gilad Erdan.

Marwan Barghuthi é o grande rival do presidente Abbas dentro do Fatah e frequentemente líder nas pesquisas sobre uma hipotética eleição presidencial palestina.

Os prisioneiros pedem, entre outras coisas, telefones públicos nas prisões, direitos de visita ampliados, o fim das “negligências médicas” e do regime de isolamento, assim como o acesso a canais de televisão e a ar-condicionado.

Abbas pediu à comunidade internacional que intervenha imediatamente para salvar a vida dos detidos em greve de fome.

A ONU afirmou que acompanha atentamente esta greve de fome e pediu calma após confrontos entre manifestantes e a polícia israelense na Cisjordânia ocupada.

A última greve em massa nas prisões israelenses remonta a fevereiro de 2013, quando 3.000 palestinos se negaram a se alimentar durante um dia para protestar contra a morte na prisão de um preso palestino.

Entre os 6.500 palestinos atualmente detidos em Israel figuram 62 mulheres e 300 menores de idade. Cerca de 500 deles estão sob o regime extrajudicial da detenção administrativa que permite uma detenção sem processo nem acusação. Além disso, também há 13 deputados palestinos presos.

O tema os presos é crucial para os palestinos. Cerca de 850.000 palestinos, no total, foram presos desde 1967 e a ocupação dos Territórios palestinos, segundo seus dirigentes.

Cada família, repetem regularmente os dirigentes palestinos, tem ao menos um membro em detenção ou que passou pela prisão. A ponto de a cada ano desde 1974 o dia 17 de abril ser o dia nacional de mobilização em favor dos presos.