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Governador de Damasco anuncia acordo para restaurar abastecimento de água

Governador de Damasco anuncia acordo para restaurar abastecimento de água

Sírios enchem garrafas com água em fonte pública de Damasco, em 3 de janeiro de 2017 - AFP

O governo sírio chegou a um acordo para que o Exército entre em uma região próxima a Damasco controlada pelos rebeldes para restabelecer o abastecimento de água na cidade, informou o governador provincial nesta quarta-feira.

Fontes da oposição negaram que haja qualquer pacto, embora um morador da região de Wadi Barada tenha afirmado que centenas de civis estavam saindo da zona através de um acordo.

A agência oficial de notícias síria, Sana, também informou que algumas pessoas estavam abandonando a região, entre elas dezenas de combatentes.

O suposto acordo foi alcançado após semanas de combates na região, 15 quilômetros a noroeste de Damasco, que colocaram em risco a frágil trégua decretada em 30 de dezembro.

Os combates danificaram as infraestruturas e provocaram cortes de água para cerca de 5,5 milhões de pessoas na capital e em sua periferia, visto que a maior fonte de abastecimento de Damasco se encontra em Wadi Barada.

O governador provincial de Damasco, Alaa Ibrahim, declarou à Sana que se havia alcançado um acordo para permitir que o governo recupere o controle da região.

O acordo “prevê que os combatentes deponham suas armas pesadas e que os combatentes não locais deixem a área de Wadi Barada”, disse.

“[Então] o exército árabe sírio entrará na área para limpá-la de minas e bombas e para preparar a entrada de equipes de manutenção (…) para consertar os danos causados nas bombas de água e nas tubulações pelos ataques terroristas”, acrescentou.

Ahmed Ramadan, um funcionário da Coalizão Nacional da oposição, negou a existência de tal acordo, afirmando à AFP que a informação “faz parte da guerra psicológica” do regime e seus aliados.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos também afirmou que o governo não havia chegado a nenhum acordo com os rebeldes, mas informou que se estava facilitando zonas de passagem seguras para os residentes que queiram abandonar a zona.

Além disso, uma fonte de Wadi Barada afirmou na quarta-feira que cerca de 600 civis tinham saído da região.

A Sana informou que cerca de 500 pessoas tinham deixado a área, entre elas 60 rebeldes.

O governo sírio acusa os rebeldes de Wadi Barada, incluindo a Frente Fateh Al-Sham (antiga Frente Al-Nosra, ex-facção síria da Al-Qaeda), de ter cortado de propósito o abastecimento de água para a capital.

Já os rebeldes asseguram que os bombardeios do regime danificaram as bombas de água e negam que a Fateh Al-Sham esteja presente na região.

Os combates continuavam em Wadi Barada apesar do cessar-fogo apadrinhado pela Rússia, apoiadora do regime, e a Turquia, que respalda os rebeldes, no final de dezembro.